camera-crato

VÍDEO - CONVERSA FRANCA - MENSAGEM DE ANO NOVO - Dihelson Mendonça ( 01-01-2018 ).
Estamos de volta com as transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, com alguns programas ao vivo ). Serão vários programas abordando temas diversos, como a realidade da nossa região, do Ceará e do mundo; Programas científicos, atualidade, entrevistas, e transmissão de eventos ao vivo. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



16 janeiro 2018

Autenticidade - Por: Emerson Monteiro

Essa coerência entre o que alguém diz e o que pratica, isto de ser autêntico. Longe, com o mínimo de atenção, se torna possível perceber quando o ora dito corresponde ao ora vivido, quando vem a busca de autenticidade nos seres humanos, pois tal prática representa fatia reduzidíssima no gesto das pessoas. A exigência disso, ocorre sobretudo no seio da juventude, carente de exemplos de viver; existe nela um largo esforço de achar quem mereça respeito e aceitação em face da autenticidade com que vive, nos dias do presente.

Na peleja de ensinar, os professores trabalham a matéria prima da sociedade numa missão extraordinária, porquanto crianças e jovens gritam pelos exemplos justos, pelas práticas de vida compatíveis, em época cercada de leis de todos os lados, de muitos caciques e pouca retidão. Só afirmar pura e simplesmente é insuficiente, no percurso da sala de aula à civilização, nesses tempos escuros de tantas contradições.

E quando não avista autenticidade no universo das suas histórias, os jovens padecem e reagem por vezes de modo experimental, a desenvolver métodos arriscados, aventureiros, de achar respostas, motivando estados de coisas da sociedade transformada em terra de ninguém; uns escondidos nos guetos e outros vagando à mercê dos desenganos, enquanto os comandos parecem perdidos de tudo e de todos.

Há que revê, o quanto antes, os padrões de comportamento da raça, presa na ausência de esperança. Os indivíduos necessitam, por demais, de exemplos sinceros, espelhos honestos e caminhos limpos de perfeição, nos dias atuais. Desde políticos a cidadãos comuns, merecemos maiores compromissos de todos, em todas as nações, todas as culturas, sob pena da inexistência custar preços elevadíssimos em termos de resultados e consequências.

Admito, sim, que dias melhores virão, no entanto isso exige atitude dos que compõem a Humanidade em época de egoísmo e sofrimento. Pesa sobre os seres inteligentes tamanha responsabilidade, ponte que nos salvará das marcas da alienação, que só muito amor salvará este mundo e os que aqui ainda viverem.

"Coisas da Ré Pública": Conta dos estados sai do azul para rombo de R$ 60 bilhões

Crescimento da folha de pagamento e queda da arrecadação fizeram estados se endividarem nos últimos três anos; desafio é fechar contas do mandato atual
Fonte: Estadão
Com salários atrasados, Polícia Civil do RN entrou em greve e uma onda de violência tomou o estado no fim do ano (VEJA/VEJA.com)

    Em um período de três anos, os estados saíram de um resultado positivo de 16 bilhões de reais em suas contas para um déficit de 60 bilhões de reais no fim de 2017. Isso significa que os governadores assumiram seus postos, em 2015, com o caixa no azul e, se não tomarem medidas drásticas até o fim deste ano, vão entregar um rombo bilionário para seus sucessores.
   O levantamento feito a pedido do Estado de S. Paulo pelo especialista em contas públicas Raul Velloso mostra o resultado de uma equação que os governos não conseguiram resolver: uma folha de pagamento crescente associada a uma queda na arrecadação de impostos por causa da crise econômica. “É o mandato maldito”, diz Velloso. “Diante da pior recessão do país, os estados saíram de um resultado positivo para um déficit histórico”.
   O Rio Grande do Norte foi o estado cuja deterioração fiscal se deu mais rapidamente nesse período. Depois de ter acumulado um superávit de 4 bilhões de reais entre 2011 e 2014, entrou numa trajetória negativa até acumular um déficit de 2,8 bilhões de reais de 2015 a outubro de 2017. Esse descompasso fiscal pode ser visto nas ruas. Com salários atrasados, a Polícia Civil entrou em greve e uma onda de violência tomou o estado no fim do ano. Os policiais encerraram a paralisação, mas servidores da saúde continuam em greve.
   Além do Rio Grande do Norte, os casos de desajuste fiscal que ficaram mais conhecidos foram os do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Mas outros estados seguem o mesmo caminho, como Goiás, Pernambuco e Sergipe. Eles estão entre os mais mal avaliados pelo Tesouro Nacional sob o ponto de vista de capacidade de pagamentos. “Há uma fila de estados prontos para passarem por uma crise aguda (como a do Rio Grande do Norte)”, diz o economista Leonardo Rolim, consultor de orçamentos da Câmara.
   Para o economista Marcos Lisboa, presidente do Insper, o grande vilão do déficit estadual é o aumento da folha de pagamento dos estados, que precisa, a cada ano, arcar com um número maior de aposentados. “O envelhecimento da população é muito rápido e, por isso, o aumento dos gastos também”.
   De acordo com o levantamento de Velloso, as despesas e receitas anuais dos estados empataram em 2014, atingindo 929 bilhões de reais cada uma. Desde então, as receitas recuaram de forma mais abrupta: atingiram 690 bilhões de reais nos dez primeiros meses de 2017, enquanto as despesas somaram 715 bilhões de reais.
   Do lado das receitas, além da crise reduzir a arrecadação com impostos, o corte de repasses do governo federal acentuou a dificuldade dos estados. “Até 2014, o governo dava empréstimos que mascaravam a situação”, afirma a economista Ana Carla Abrão Costa, que foi secretária da Fazenda de Goiás até 2016.
   Se nos últimos anos o desajuste fiscal já obrigou a maioria dos estados a reduzir investimentos, neste ano, o corte deve ser ainda maior. Isso porque, como é último ano de mandato, os governadores não podem deixar restos a pagar para os que assumirem em 2019. Tarefa que, para Velloso, é impossível. “Não tem a menor condição de eles zerarem esses déficits”.
    Já Rolim diz que os governadores poderão recorrer a manobras, como o cancelamento de restos a pagar. “É uma espécie de calote. Despesas com obras não concluídas, por exemplo, não tem problema mas fornecedores poderão ficar sem receber”.

15 janeiro 2018

O que os professores de História do Brasil não ensinam aos seus alunos (por Armando Lopes Rafael)

   Se o Brasil ainda fosse uma monarquia, de 1822 até hoje, teríamos tido 5 imperadores (Chefes de Estado e não Chefes de Governo). Em 128 anos de República, tivemos 43 presidentes(*) e períodos muito curtos, nesses 128 anos, de estabilidade institucional e democrática.

    Talvez o Brasil não fosse tão perfeito sendo um Império, é verdade. Mas, países que continuaram com a forma de governo monárquico e outros que adotaram (por exemplo, a Noruega) ou restauraram a monarquia (por exemplo, a Espanha), provam ser muito mais estáveis, e possuem um raro sentido de continuidade. Nas nações que adotam a Monarquia Parlamentar Constitucional, os serviços públicos funcionam; não existe a corrupção pública como ocorre no Brasil; não existem a violência que nós temos, nem o caos em todos os setores da vida que a república brasileira enfrenta.
A Monarquia Constitucional vigorou no Brasil até 1889, quando foi derrubada por um golpe militar. O imperador, dom Pedro II, foi banido com toda a Família Imperial, e morreu pensando no Brasil, pouco tempo depois. Ainda há tempo, a Família Imperial Brasileira, chefiada por dom Luiz de Orleans e Bragança, está pronta para servir ao país novamente.

Notas complementares:
(*) Fora os 33 presidentes que constam da lista oficial dos Presidentes da República do Brasil, abaixo a relação dos brasileiros que também exerceram essa Presidência e não são relacionados oficialmente. Por que essa descriminação?  Se forem incluídos na ”lista oficial” os 10 (dez) brasileiros que efetivamente exerceram a Presidência da República, o número de Presidentes da República, no Brasil, sobe para 43. O que dá (apesar da famigerada reeleição que beneficiou Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Vana Rousseff com dois mandatos cada um) uma média de menos de 3 anos para cada mandato dos nossos 43 Presidentes da República.
Eis os injustiçados:
(1) Augusto Fragoso
2) Isaias de Noronha
3) Mena Barreto
(Os 3 acima formaram a “Junta Presidencial” que esteve na Presidência da República entre 24 de outubro a 3 de novembro de 1930, antecedendo a posse de Getúlio Vargas como “Chefe do Governo Provisório”, existente de 1930 a 1934. Depois, Getúlio Vargas emendou o mandato como “Presidente Constitucional” – ele outorgou uma nova Constituição – de 1934 a 1937 e tornou-se  ditador por mais 8 anos, até 1945. Getúlio ficou 15 anos na Presidência e ainda é o mais longevo mandato dos nossos Presidentes);
4) José Linhares (cearense de Baturité, que era presidente do Supremo Tribunal Federal e exerceu a Presidência da República após a queda da ditadura Vargas, entre outubro de 1945 a janeiro de 1946);
5) Carlos Luz (era presidente da Câmara dos Deputados e foi investido como Presidente -- de 8 a 11 de novembro de 1955-- em face de um golpe militar que tirou do poder o presidente Café Filho);
6) Nereu Ramos (era presidente do Senado Federal e foi investido como Presidente -- de 11 de novembro de 1955 a 31 de janeiro de 1956 -- em face de novo golpe militar que derrubou o presidente interino Carlos Luz);
7) Rainieri Mazzilli (como Presidente da Câmara dos Deputados assumiu durante a renúncia de Jânio Quadros 25 de agosto a 7 de setembro de 1961) e também depois que os militares derrubaram o Presidente João Goulart em 1964, até a posse do Marechal Humberto Castelo Branco, o primeiro Presidente do Ciclo do Movimento Militar de 1964;
8) General Aurélio de Lira Tavares
9) Brigadeiro Márcio de Sousa e Melo
10) Almirante Augusto Rademaker
(Os últimos três citados acima,  eram os Ministros do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, e assumiram - numa Junta Militar -  "o exercício temporário da Presidência da República", para o que não havia qualquer previsão constitucional. Estes ministros militares proibiram o emprego da expressão “Junta Militar”, quando, em 6 de outubro de 1969, declararam "extinto" o mandato do presidente Costa e Silva, que sofrera um AVC e estava impossibilitado de continuar na Presidência. E não deixaram o Vice-Presidente eleito pelo Congresso,  Pedro Aleixo, que era civil, assumir como previa a Constituição de 1967, em vigor, naquela época).

Deputado do PT convida juiz para lançamento da campanha "Lula-2018": veja a resposta do magistrado

Fonte: site News Atual
    O Dr. Hélio Martins da comarca de São João del Rei recebeu um convite do deputado Reginaldo Lopes do PT para o lançamento de Lula-2018. A resposta foi estupenda, disse exatamente o que todos deveriam dizer.
Texto do magistrado:
    "Exmo. Senhor Deputado Reginaldo Lopes, em que pese o profundo respeito que tenho pela atuação parlamentar de V. Exa., não é hora de lutar para salvar pessoas, mas sim o País, atolado no caos econômico, na recessão, no desemprego, na violência e na vergonha internacional onde agentes políticos e públicos protagonizam o maior caso de corrupção de que se tem notícia na história da humanidade.
    Quero, como tantos outros brasileiros com capacidade de discernimento e compreensão, que se faça justiça!
   Que todos aqueles que se apropriaram de recursos públicos paguem por tão grave crime, além de devolver o que indevida e criminosamente levaram, privando o cidadão de saúde, educação, segurança, infraestrutura dentre outros. Todos, indistintamente, como republicanamente deve ocorrer, sejam do PT, do PMDB, do PSDB ou de qualquer outro partido político devem responder pelos crimes cometidos. Lugar de ladrão é na cadeia!
    Lula foi processado, julgado e condenado no primeiro processo, sob a égide dos princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa.
    Sou juiz de primeira instância, ou de piso, como gostam de dizer. Juiz de carreira, com muito orgulho! Submetido, como em todos os concursos públicos para membros da Magistratura e do Ministério Público, a provas de conhecimento de elevadíssimo nível de dificuldade, além de exames psicológicos, e rigorosa investigação social. Aqui não tem princípio de presunção de inocência não, senhor Deputado. Qualquer “derrapada” na vida social tira o candidato do certame. Não somos escolhidos por agentes políticos. Somos independentes, como manda a Constituição. A Magistratura e o Ministério Público brasileiro, a que me refiro, merece, pois, absoluto respeito!
     Desta forma, falar em “golpe” e envolver o judiciário nesta trama é, no mínimo menosprezar inteligência das pessoas.
    Me causa total estranheza ver V. Exa. se referir às “elites” como posto em seu texto. Afinal o PT se aliou às “elites” para alcançar o poder.
    Foram integrantes da ala da “elite” mais elevada deste país que proporcionaram o desvio de dinheiro público em benefício não só do partido, mas daqueles que já estão condenados ou sendo processado. Basta verificar as doações para campanhas eleitorais passadas. Então a “elite” que abastece de recursos, é a mesma elite “golpista”? Não há uma gritante incoerência na sua proposição? Não há uma incoerência ideológica por parte daqueles agentes políticos e públicos já condenados ou processados, que pregam distribuição de renda, mas se enriquecem às custas do trabalho alheio das “elites” através do achaque? Este comportamento é moralmente aceitável? Para mim isso tem uma definição: bandidagem!
    Me desculpe a franqueza, senhor Deputado, mas Lula, assim como aqueles que já estão condenados e aqueles que estão sendo processados, não estão nem aí para o Estado Democrático! De fato querem poder. Só poder. Poder eterno sobre tudo e todos.
E poder a todo custo é sinônimo de tirania! Basta! Basta! Basta!
    Quem conhece realmente história sabe muito bem que os criminosos anistiados do passado, não praticaram ações violentas em nome de democracia, mas para imporem o regime que entendiam ideologicamente adequado. Ditadura! Igualmente ditadura!
    Ainda que compreenda seu alinhamento político partidário, senhor Deputado, não se permita, em homenagem à sua história de vida, descer ao nível da excrescência das mentiras deslavadas, como as protagonizadas publicamente pelo ex-presidente Lula, e tantos outros, desprovidos de dignidade e decoro, sustentando o insustentável.
    Desejo ao senhor e sua família um Ano Novo abençoado. Que sua luta seja de fato pelo povo e não por pessoas!
Hélio Martins"

14 janeiro 2018

Padre Cícero, um Bezerra de Menezes – por Daniel Walker e Renato Casimiro (*)

    Alguns ancestrais do Pe. Cícero pertenciam à família Bezerra de Menezes. Quem lê estudos mais aprofundados sobre a biografia de Cícero Romão Baptista, o padre secular que revolucionou a Povoação do Joazeiro, entre 11 de abril de 1872– quando chegou na povoação, e 20 de julho de 1934, quando falece – deve ter encontrado alguns destes registros. As suas tetravó e trisavó maternas, respectivamente, Petronila Bezerra de Menezes e Ana Maria Bezerra de Menezes, filha de Petronila, eram relacionadas por genealogistas como oriundas da contribuição étnica da família, dos troncos existentes entre velhos povoadores da Bahia, de Pernambuco e de Sergipe especialmente.

    Contudo, as ressalvas eram feitas, admitindo-se que eventualmente fossem estes ancestrais consanguíneos. Levantamentos mais recentes mostram de forma inequívoca, as relações familiares destes avoengos com as mesmas heranças espanholas e portuguesas já referidas para a ancestralidade do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro.
      No desenvolvimento genealógico desta família, agora é oportuno salientar que, o nono filho do casal Bento Rodrigues Bezerra e Petronila Velho de Menezes, se não teve uma grande importância no povoamento do Cariri, menor não é o significado de sua descendência, especialmente, para Juazeiro do Norte, pois representou o berço do patriarca na extensa Nação Romeira, o reverendíssimo Padre Cícero Romão Baptista. Assim:
1.    João Bezerra de Menezes matrimoniou-se com Maria Gomes, e foram pais de:
2.    Petronila Bezerra de Menezes que casou com o Cap. João Carneiro de Morais, e geraram:
3.    Ana Maria Bezerra de Menezes, que desposou o Cap. Francisco Gomes de Melo, pais de:
4.    José Gomes de Melo, capitão, de cujo enlace com Ana de Farias, tornaram-se pais de:
5.    Vicência Gomes de Melo, que uma vez casada com José Ferreira Castão, foram pais de:
6.    Joaquina Vicência Romana (ou Joaquina Ferreira Castão – Dona Quinô), de cujo casamento com Joaquim Romão Baptista Mirabeau, foram pais de:
7.    Padre Cícero Romão Baptista.
(*) Capítulo do livro “A Família Bezerra de Menezes”.  ABC Editora, 2011.

Sete delatores vão depor a Moro sobre sítio de Atibaia

Imóvel é pivô de mais uma ação penal em que Lula é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Fonte: Estadão, 14-01-2018
Na denúncia de 168 páginas envolvendo o sítio de Atibaia, 39 testemunhas foram arroladas pela força-tarefa; 20 são delatores
(foto: DENNY CESARE/CÓDIGO19/ESTADAO CONTEUDO)

   Menos de duas semanas depois de enfrentar julgamento no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o ex-presidente Lula será alvo, novamente, de delatores, desta vez no processo em que é acusado de ser dono do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia. Na primeira semana de fevereiro, sete testemunhas de acusação - todos colaboradores - vão depor ao juiz federal Sérgio Moro no caso que envolve supostas propinas da OAS e da Odebrecht.
    O imóvel em Atibaia, em nome de Fernando Bittar, filho de Jacó Bittar, ex-prefeito de Campinas pelo PT, é pivô de mais uma ação penal em que Lula é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O Ministério Público Federal sustenta que as reformas bancadas pela Odebrecht e a OAS dissimularam pagamentos de R$ 1 milhão ao ex-presidente.
   No dia 5 de fevereiro, os marqueteiros João Santana e Mônica Moura, que confessaram ter recebido pagamentos da Odebrecht no exterior para realizar as campanhas petistas, vão depor.
   No mesmo dia, está marcada a audiência do ex-gerente da Área Internacional da Petrobrás, Eduardo Musa, que admitiu direcionar licitação na estatal para o grupo Schahin para sanar dívida de R$ 60 milhões com o partido no caso que envolveu empréstimo fraudulento ao pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente.
    Dois dias depois, na quarta-feira, 7 de fevereiro, Milton e Salim Schahin vão prestar depoimentos. Segundo a Lava Jato, do grupo teria saído parte dos recursos para bancar reformas no sítio. O procuradores sustentam que, por meio de 23 repasses, R$ 150 mil oriundos de contratos para a operação da sonda Vitória 10.000 entre Schahin e Petrobrás foram destinados ao acabamento do Santa Bárbara, 'adequando-o às necessidades da família do ex-presidente'. Os valores teriam sido operacionalizados por Bumlai.
    Para o mesmo dia, ainda estão marcadas audiências com o engenheiro Marcos de Almeida Horta Barbosa, que é aderente ao acordo de leniência da Odebrecht com o Ministério Público Federal e o ex-presidente da Braskem Carlos Alberto Fadigas, um dos 77 delatores da empreiteira.
   O ex-deputado Pedro Corrêa, condenado no Mensalão e na Lava Jato também é um dos delatores que falarão de Lula em fevereiro. No dia 22, está marcada a audiência do ex-parlamentar do Partido Progressista. Em seu acordo, homologado em 2017, Corrêa relatou interferência do ex-presidente Lula junto ao ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa por pagamentos ao partido e que o petista tinha conhecimento de esquemas de corrupção na estatal.
   Na denúncia de 168 páginas envolvendo o sítio de Atibaia, 39 testemunhas foram arroladas pela força-tarefa; 20 são delatores. Com Pedro Corrêa, que teve o termo homologado meses depois da denúncia, passam a ser 21 os delatores que falarão nesta ação penal.
    A reportagem entrou em contato com a defesa. O espaço está aberto para manifestação.

13 janeiro 2018

CRÔNICA DO DOMINGO - Praça da Sé, local de sumiço de monumentos públicos (por Armando Lopes Rafael)

   Uma coisa que poucos sabem: somente de registros recentes (ou seja, de 120 anos para cá), a Praça da Sé (antigamente denominada de Quadro da Matriz) recebeu quatro monumentos públicos. Todos desapareceram, melhor dizendo foram destruídos por Prefeitos da Mui Nobre e Heráldica Cidade de Frei Carlos. Parece piada? Não é.
   Rememoremos os sumiços. O primeiro, está registrado no livro “O Cariri”, de Irineu Pinheiro à página 265. A conferir.
   “No começo deste século (no caso o século XX com início em 1900) um pedreiro paraibano, conhecido como Mestre Santos, homem mui hábil em seu ofício, achou que, também, era escultor. Erigiu na Praça da Matriz, perto da cadeia pública (hoje o Museu Histórico de Crato fechado há sete anos) um busto feito de cal e tijolo, de Pero Coelho de Sousa, protomártir do drama da conquista do Ceará.
   Inauguraram-lhe o busto, entre festas, apuseram-lhe uma erudita inscrição latina. Mas, pouco tempo depois, numa noite de tempestade, um raio iconoclasta, raivosamente, destruiu para sempre a obra de Mestre Santos”.
***   ***   ***
    O segundo que foi literalmente destruído (a picareta) foi o monumento à Mãe Cratense, erguido em 1953, na primeira reforma da Praça da Sé, em 1964.
 No lugar da Mãe Cratense erigiram uma fonte luminosa, redonda, feia, coberta por pastilhas de cerâmica que o povo apelidou de “pequisão”. 
 Monumento à Mãe Cratense
início dos anos 60 do século XX
    O "pequisão" foi destruído na segunda reforma daquele logradouro,  feita  pelo prefeito Zé Adega, que, no local do pequisão, construiu um coreto, cercado de águas. Pois esse coreto foi também destruído na terceira reforma, a feita pelo Governador Cid Gomes, em 2010.
    Moral da Opereta bufa: quatro monumentos foram destruídos na velha Praça da Sé. O primeiro por uma chuva, os três restantes pela ação de três prefeitos que passaram pelo poder municipal cratense.
     PS - Há cerca de dois anos, o então Prefeito Ronaldo Gomes de Matos -- "O Fenômeno" --colocou uma anã, rente ao chão, dizendo que era um monumento à  Dona Bárbara de Alencar. Uma coisa horrível e que depões contra os foros da estética no entorno da praça. O monumento à heroína, para piorar, tem uma placa simbolizando a Confederação do Equador, movimento do qual Dona Bárbara não participou. Ela é festejada por sua participação na Revolução Pernambucana de 1817.
       Ainda não apareceu um Prefeito corajoso para mandar retirar aquele mostrengo, verdadeira  humilhação à Matriarca dos Alencar.
         Só no Crato mesmo!

História para crianças...ou para adultos cheios de fé?

Existe uma graciosa lenda a respeito do alecrim:
Quando Maria fugiu para o Egito, levando no colo o menino Jesus, as flores do caminho iam se abrindo à medida que a sagrada família passava por elas.
O lilás ergueu seus galhos orgulhosos e emplumados, o lírio abriu seu cálice.
O alecrim, sem pétalas nem beleza, entristeceu lamentando não poder agradar o menino.
Cansada, Maria parou à beira do rio e, enquanto a criança dormia, lavou suas roupinhas. Em seguida, olhou a seu redor, procurando um lugar para estendê-las. “O lírio quebrará sob o peso, e o lilás é alto demais”. Colocou-as então sobre o alecrim e ele suspirou de alegria, agradeceu de coração a nova oportunidade e as sustentou ao sol durante toda a manhã.
“Obrigada, gentil alecrim” – disse Maria.
“Daqui por diante ostentarás flores azuis para recordarem o manto azul que estou usando.
E não apenas flores te dou em agradecimento, mas todos os galhos que sustentaram as roupas do pequeno Jesus serão aromáticos. Eu abençoo folha, caule e flor, que a partir deste instante terão aroma de santidade e emanarão alegria.”
E assim foi.
(Publicado originalmente no Blog: Nos passos de Maria)

A aceitação do inevitável - Por: Emerson Monteiro

Nós, humanos, somos meros prisioneiros do desconhecido... Qual encarar a vaidade dos espelhos e admitir que sabemos que nada sabemos? De nada que sabemos vagamos feitos meros instrumentos do prazer nas praças da ilusão. Quer-se saber ainda que sabe nada, o que é tudo. Tudo. Invadir as vaidades e dominá-las, quando se é delas dominados. Heróis das antigas sagas dos que esqueceram as aparências e subiram intrépidos, quase sem forças mais, o rio do Tempo... Venceram a correnteza das horas diante da voragem do momento que escorria na velocidade intermitente das horas. Ser o não-ser, e ser.

Esse o desafio da dança cósmica que dançamos, queiramos aceitar ou teimemos contra a sorte impessoal. Baixar a cabeça quando a incredulidade manda levantá-la e confrontar o Poder além de nós, menores detalhes do enorme descomunal, o poder Soberano que avança aos nacos de nadas que somos todos. Ser antiCristos quando o Cristo na cruz aceitou de bom grado sucumbir desfeito na aceitação da Verdade contundente. Amaciar no peito as dores do mundo e nunca mais perder de vista do eterno ser que somos sem saber ser. E saber significa compreender o incompreensível, enxergar o invisível, mergulhar a ausência de universo e desse jeito assim sorrir feitos criança.

Apreender o fugidio na vasilha limitada da impessoalidade pura. Descobrir o mistério do insondável e agasalhar consigo o próprio vazio da matéria, ela que se esvai sem deixar rastros, pedaços de mim nas dobras do vento.

Permanecer preso no que passa é passar e desaparecer. Coragem, dizem os fortes, a coragem que conta nos que sobrevivem; que representa bem isso de vencer a correnteza e subir o rio de volta à fonte; afrontar o pergaminho dos séculos e resistir ao abstrato que constrange as coisas, os corpos de carne, os edifícios de lama e aço. A fé, a vida verdadeira, o Reino. Disso foram mestres os primeiros cristãos, quando trocavam os corpos pelas chamas das fogueiras nos circos romanos. Olhavam o céu e nele viam os Céus. Envolver em si na beleza dos instantes e transformar em definitivo o sacrário da Consciência, código secreto dos místicos.

Ir de bom grado ao objetivo lá além das estações que deixamos atrás. Abandonar o aparentemente verdadeiro e seus mil sabores, suas mil cores, mil sons, e abrir o peito aos ares silenciosos das ausências abissais. Largar os rochedos pela pureza do mar aberto de dentro de nós.

12 janeiro 2018

Diálogo: neto e avô – por José Luís Lira (*)

    Sou habitualmente quebrador de correntes. Não creio nelas, não divulgo e fico até chateado quando alguém toma meu tempo com isso. Quando me vem uma bela imagem de Nossa Senhora ou de Jesus Cristo com a inscrição abaixo, se você tem fé compartilhe, deixo de lado a frase e guardo a imagem. A fé não necessita de clichês, a fé precisa ser vivida, testemunhada e não divulgada, forçadamente; uma foto, um texto não vai dar testemunho de minha fé, sem espontaneidade. Entre Natal e Ano Novo, recebi um e-mail de uma leitora pedindo que eu comentasse um texto que estava sendo divulgado na Internet em forma de corrente. Despi-me da repulsa à ideia e li, achei interessante. Então, caríssima leitora, vou comentar, mas, não vou trazer todo o texto.
   
    Trata-se de um diálogo entre um jovem e seu avô, idoso. Os avós são os melhores presentes que recebemos de Deus, depois dos pais. Ele pergunta como a geração do avô viveu sem tecnologia, sem aviões, sem internet, sem computadores, sem tv’s de plasmas ou led, sem ar condicionados, sem carros, sem celulares, tablets, notebook e laptop. O avô responde: como a sua geração vive hoje. Sem oração, sem compaixão, sem honra, sem respeito, sem vergonha, (...) sem modéstia.
 
   Na primeira coluna do ano, publicada na semana passada, eu falava da importância da fé. Hoje, quando o avô responde que a geração de seu neto vive sem oração, vemos um retrato de parte dos jovens que não conhece a riqueza da religiosidade, da segurança que a fé nos traz. A compaixão a cada dia se distancia. Vemos tanto desamor, mortes por qualquer tolice, talvez impulsionadas pela impunidade ou mesmo pela arrogância. A honra... Meu Deus, a honra. Não vou muito longe. Nasci no final de 1973 e lembro da cerimônia e do respeito com que tratávamos um Senador, um Deputado, o Presidente (isso porque não temos a sorte de viver num Estado Monárquico), um Ministro de Estado.
 
   No atual governo federal, vemos uma barbárie, o difícil é não encontrar um ministro incriminado em alguma coisa; o presidente, nem se fala e por aí escapam uns poucos nesse cenário vergonhoso. A honra também é posta em xeque nos mais variados setores da vida brasileira. A geração anterior aliava o respeito à sua própria existência. Respeitamos os pais, os avós, os tios, os amigos de nossos pais, os sacerdotes e as religiosas, religiosos como um todo, os professores e diretores das escolas. E hoje? Quanta vez se tem notícias de professores que sofreram violência em sala de aula? De filhos que matam pais, os abandonam à sua própria sorte? A fé nos leva ao texto Sagrado que nos orienta a honrar pai e mãe. A intolerância avança.
  
    A vergonha, ah a vergonha. Ela nos segura, nos faz caminhar retamente para não envergonhar família, amigos ou a nós mesmos. A vergonha aqui entenda-se em grande amplitude, do pelo menos tentar não errar, porque errar, sabemos, é humano, mas, podemos sair do erro. Não é fácil, mas, se consegue. Por fim, a modéstia. Ela é necessária em vários sentidos, notadamente do saber reconhecer-nos em nossas limitações. Eu fico muito preocupado com elogios. Sinceramente, prefiro quando alguém me diz uma falha e até se propõe a me ajudar a corrigi-la. Assim, digo que essa geração era (é) feliz e temo pelo futuro, mas, o Senhor da História, Deus, não desamparará seus filhos.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com vários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

Cineasta cratense Jackson Bantim será homenageado hoje na abertura do Festival Cine Cariri

O Cineasta cratense Jackson de Oliveira Bantim (Bola) será homenageado na solenidade de abertura do I Festival Cine Cariri, que acontecerá hoje, 12 de janeiro, as 19 horas, no Cariri Garden Shopping, em Juazeiro do Norte.
Jackson Bantim, conhecido como “Bola”, trabalha há mais de quarenta anos com cinema e fotografia, ‘paixão’ que está nos seus genes, visto que o seu bisavô, Luiz Gonzaga de Oliveira, conhecido como Gozaguinha, era fotógrafo profissional e exibidor de filmes, atuando na região do Cariri entre os anos de 1885 e 1930.
O envolvimento de Bola com produção de filmes vem desde os anos 1970, quando, juntamente com os amigos Rosemberg Cariry, Ronaldo Correia de Brito e Luiz Carlos Salatiel, produziu diversas películas em bitola super 8, registrando, por exemplo, imagens e depoimentos de Patativa do Assaré, dentre outros artistas populares do Cariri. Depois, vieram produções em 16mm, realizadas ao lado de Jefferson de Albuquerque Júnior e Rosemberg Cariry e a primeira experiência em uma produção de cinema para o circuito comercial, na função de assistente de direção do filme Padre Cícero, os milagres de Juazeiro, do cineasta cratense Helder Martins, lançado em 1976.
Como diretor e produtor, segundo a Sétima - Revista de Cinema, edição de 2014, “Bola preza por colocar aspectos do Cariri em seus filmes. Em As Sete Almas Santas Vaqueiras ele valorizou a parte histórica, pesquisando sobre os relatos das famílias caririenses do pé-de-serra que acreditavam nas graças obtidas através da oração às almas vaqueiras. Já no filme Patativa procurou mostrar o Antônio Gonçalves da Silva, seu amigo, pois teve com ele uma amizade de 30 anos, não queria mostrar somente o poeta que todos conheciam”.
Além das atividades com cinema e fotografia, Bola dirige o Memorial da Imagem e do Som do Cariri, por ele fundado em 2013, e que homenageia o seu ilustre bisavó, Luiz Gonzaga de Oliveira, como patrono do órgão.

11 janeiro 2018

CARIRI GARDEN SHOPPING RECEBE PRIMEIRO FESTIVAL DE CINEMA DO CARIRI


De 12 a 14 de janeiro o Cariri Garden Shopping será palco do primeiro Festival Cine Cariri. O objetivo é difundir a exibição de curtas-metragens locais, regionais e nacionais que compreendam os gêneros: animação, ficção, documentário ou experimental. A proposta é abrir um espaço para divulgação e democratização do cinema no Cariri cearense, visando socializar e aumentar a produção local/ regional .
O Festival também visa o reconhecimento dos profissionais da publicidade, do telejornalismo e envolvidos no audiovisual de forma geral. O Cine Cariri será composto por palestras, debates, oficinas e mostras competitivas. Todas as atividades são gratuitas e acontecem simultaneamente nas cidades de Juazeiro do Norte, Crato e Nova Olinda
O Cine Cariri recebeu 180 inscrições, desses 51 filmes e 39 fotografias foram selecionados. Todo o material será julgado por um corpo de jurado nacional e também pelo júri popular composto por 10 estudantes.
A abertura do festival está marcada para o dia 12, às 19h no Cinema do Cariri Garden Shopping com a exibição do curta: O Despacho da Cinderela. Teremos ainda a exibição do longa-metragem: Os olhos de Alice.

CARACTERÍSTICAS DAS CATEGORIAS

MOSTRA PAI D´ÉGUA (CATEGORIA PROFISSIONAL)
Curtas-metragens de até 25 minutos (inclusos créditos) produzidos por profissionais da área audiovisual, realizados em qualquer estado do Brasil. Os premiados receberão o Troféu Buzuru.
MOSTRA MEL DE RAPADURA (MOSTRA CARIRIENSE)
Curtas-metragens de até 25 minutos (inclusos créditos) produzidos especificamente no Cariri cearense de qualquer gênero. Os premiados receberão o Troféu Buzuru.
MOSTRA CABRA DA PESTE (CATEGORIA ESTUDANTIL)
Curtas-metragens produzidos por estudantes, de níveis fundamental, médio e superior, foi permitido, especificamente nesta categoria, a participação de até dois professores orientadores por projeto audiovisual. Os prêmios serão divididos em três níveis de escolaridade,
MOSTRA LAMBE-LAMBE (FOTOGRAFIA)
Foram aceitas fotografias com a temática recomendada da UNESCO:  Turismo Sustentável para o Desenvolvimento. O fotógrafo vencedor da categoria receberá o Troféu Buzuru de melhor fotografia.

PROGRAMAÇÃO
Dia 12 – Cinema
19h – Cerimônia de abertura no Cinema do Cariri Garden na ocasião duas importantes personalidades da cultura e do cinema serão homenageadas: Alemberg Quindins e o Cineasta Jackson Bantim.
Dia 13 –  Mall em frente a Marisa
Das 10h às 22h – Mostra competitiva lambe-lambe (Fotografia) e abertura das oficinas: Fotografia de Bolso e Planos de Fundo
Loja 35
Das 15 às 18h – Oficina de Fotografia de Bolso (Instrutores: alunos do curso áudio e vídeo da EEEP Violeta Arraes)
Loja 54
Das 10h às 21h – Mostra Competitiva Pai D’égua (Categoria Profissional)
Das 10h às 11h – Classificação indicativa 16 anos
Hosana Nas Alturas
Close
Vivi

Das 11h:20 às 12h:20 – Debate com os realizadores
11h20 às 12h20 – Classificação Indicativa livre
Ferroada
Manifesto Porongos
O Ermitão das Flores

Após as exibições teremos 20 minutos de debate com os realizadores
14h às 15h – Classificação Indicativa Livre
Tiro no Pé
O Juramento de Xangô
Fora da Caixa

Após as exibições teremos 20 minutos de debate com os realizadores
15h20 às 16h20 – Classificação Indicativa 10 anos
As Almas Santas da Barragem
Toda Cidade Anda Esquecida
Contos e Magias do Paó

Após as exibições teremos 20 minutos de debate com os realizadores
17h30 às 18:30 – Classificação Indicativa Livre
A Casa do Doido Alexandre
Frequências
Nanã

Após as exibições teremos 20 minutos de debate com os realizadores
20h às 21h – Debate com todos os realizadores da mostra Pai D’égua (Categoria Profissional)
Dia 14 – Mall em frente a Marisa
Das 10h às 22h – Mostra Lambe-Lambe (Fotografia)
Das 10h às 14h – Inscrição da Oficina: Planos e Decupagem
Loja 35
Das 15h às 18h – Oficina Planos e Decupagem (Instrutora, Nadine Ribeiro)
Loja 54 – Mostra Competitiva Ensino Superior
Das 11h às 12h –  Classificação Indicativa 16 anos
Argentina
De Vez em Quando, Quando Eu Morro, Eu Choro
Vitruviano e o Poema da Inerente Invisibilidade

Espelho, espelho meu: Fotografia Sensual para Elevação da Autoestima Feminina
Após as exibições teremos 20 minutos de debate com os realizadores
Das 13h30 às 14:30 – Classificação Indicativa 12 anos
O Tesouro de Cavendish
Sangue-Mulher
A Imagem Vale Mais

Após as exibições teremos 20 minutos de debate com os realizadores
Das 14h:50 às 15h50 – Classificação Indicativa 12 anos
Desaparecido
A Porta
Guarani: Minha alegria é te ver jogar

Após as exibições teremos 20 minutos de debate com os realizadores
16h10 às 17h10 – Classificação Indicativa Livre
Um Assunto Meio Delicado
Inadequada
Terreiros Criativos

Após as exibições teremos 20 minutos de debate com os realizadores
Das 17h10 às 18h:30 – Classificação Livre
Onde Você Mora?
Rock Cariri: Expressões da cena Autoral

Após as exibições teremos 20 minutos de debate com os realizadores
ENCERRAMENTO – Praça de Alimentação
Das 19h às 20h:30 Encerramento do 1° Cine Cariri – Entrega do troféu Buzuru aos premiados


10 janeiro 2018

Homenagem ao Radialista Antonio Vicelmo - Blog do Crato



Não poderíamos deixar passar despercebido o aniversário de um dos maiores radialistas do Brasil, e por consequência, um dos maiores do Cariri, Antonio Vicelmo, que aniversariou neste dia 10 de Janeiro. O Blog do Crato ao longo de muitos anos fez e publicou várias matérias a respeito do Vicelmo. Estive vendo nosso arquivo, e descobri essa bela reportagem do nosso amigo, também jornalista, Ed Alencar, feita em 2012, quando Vicelmo completou 70 anos. Nada melhor para homenagear alguém, do que mostrar a sua vida e a sua carreira. Saudações, grande mestre !

De bem com a vida, mais de 50 anos no ar, aos setenta ( Hoje, 76 ) anos de idade, o homem do rádio abre seu coração em momentos de descontração na sua residência ao Sopé da Chapada do Araripe, numa manhã de sexta-feira, 31 Ago/2012, de muita paz e bom astral.

Vicelmo recebeu os companheiros de imprensa, Wilson Rodrigues , o fotografo do jornal do cariri Arthur Luis, incluindo a minha pessoa e o velho amigo de travessuras de tempos idos, o taxista Bosquinho Peixoto. Um dos mais respeitados porta-vozes da notícia matutina caririense, Antonio Vicelmo, faz um balanço do ontem e de hoje, da sua carreira no rádio desde de 1965, quando tudo começou. Vindo de Porteiras-Ce, aos 20 anos de idade para seguir seus estudos no Crato ou para pelo menos frequentar a escola, como disse ele; Entrou para o movimento estudantil da “UEC”- União dos Estudantes do Crato, onde na época, existiam dois programas de rádio, um, “A UEC EM MARCHA” , na Rádio Educadora, o outro,”A VOZ DO ESTUDANTE” apresentado na Rádio Araripe. (emissoras do Crato).

O COMEÇO NO RÁDIO;

A novidade e a curiosidade do jovem estudante Vicelmo, ao se deparar com um gravador que existia no IBEU- Instituto Brasil Estados Unidos, lhe chamou a atenção, por ser uma atração à parte para todos os estudantes de varias cidades, que aqui estudavam. Vicelmo matou sua curiosidade, ao testar sua voz no gravador, imitando as vozes de dois grandes locutores famosos, dos quais ele era fã, como: RAMOS GALHERA E LUIZ JATOBÁ, ao gravar dois comerciais que ele já sabia de cor, surpreendeu a turma, e.. Tome elogios! Assim completa Vicelmo: “Eu peguei corda e fui fazer o programa a voz do estudante e até hoje estou no rádio, o primeiro noticiário jornalístico chamava-se, Rádio Repórter, depois, Jornal do Cariri. Todos na Rádio Sociedade Educadora AM, onde estou até hoje”, Concluiu. Vicelmo contrariou a si próprio, e ao seu Pai também, com a “infuca“ de ser locutor de rádio, fato adverso do que imaginava para seu projeto de vida, pois seu pai não iria gastar dinheiro para esse fim.

FAÇO UM JORNALISMO AO CONTRÁRIO DOS MANUAIS, INDISCIPLINADO.

"Quem não conhece o rádio na sua intimidade, espera que seja um locutor, disciplinado, bem comportado, muito sério, vão encontrar um Vicelmo descontraído como se estivesse na minha casa, as vezes eu chego ao ponto, de colocar meus pés em cima da mesa, de falar de forma descontraída, porque eu descobri que não era bom muita formalidade, esse é meu jeito de ser". Perguntei: "Às vezes nesse jeito de ser, você deixa escapar o som de pequenos “arrotinhos” não é?" Respondeu: "Não..não são pequenos arrotinhos não, são “ARROTÕES” mesmo, tosse e tudo. Por exemplo: existe outro conceito quando você vai para um Estudio, digamos da Rádio Globo, para qualquer locução, eles colocam ar, inseticida para não correr o risco de uma mosca entrar na boca coisa e tal.. e um cuidado especial para o locutor não falar antes do noticiário para não estragar a voz, não fumam, tossir no microfone nem pensar, então eu descobri que se eu fosse me preocupar com tudo isso, eu iria passar o noticiário todinho pedindo desculpas ao povo, ai, achei melhor mesmo foi fazer do meu jeito, já que não daria para fazer o noticiário dentro dos padrões normais, então comecei a fazer comentários, piadas e tem dado certo!"

VICELMO MAIS UMA VEZ SEM FUMAR

O vício do cigarro, vem desde seus 18 anos de idade, com uma parada em 1990 quando realizou sua cirurgia, que o tornou um homem “safenado”, passando dez anos sem fumar, Voltou até o ano passado e depois de outro susto, quando apresentava o jornal do cariri 1ª edição, teve que parar, por orientação médica e cuidando mais de sua saúde, onde aconselha as pessoas a não fumarem pois realmente o fumo faz mal. Lembra Vicelmo que ele fumava sem tragar. (Se não tragava era charme?) respondeu: “Não, era vício..sem-vergonheza.. Um bocado de coisa, mas que dá vontade dá.

O DESABAFO PELO VÍCIO.

DISSE: “ Se por acaso, eu descobrir que eu teria uma grave doença, e o médico falar que não tem jeito, a primeira coisa que faço é comprar o fumo.. colocar no cachimbo, ficar de cócoras no canto da parede e fumar até morrer.”

AOS 48 ( hoje 54 ) ANOS NO AR E 70 ( Hoje, 76 ) DE VIDA, VICELMO NÃO PENSA EM PARAR.

Declarou Vicelmo: Não penso totalmente em parar, só se for obrigado, já deixei de fazer o jornal do meio-dia, agora só o da manhã, é quem está me sustentando profissionalmente, se por um lado eu sinto saudades dos noticiários das besteiras, por outro lado estou mais dedicado à minha família, minha casa, eu estou muito feliz com isso, vivo uma nova fase da minha vida, já não amanheço mais pensando em cumprir pauta do jornal, eu anoitecia e amanhecia pensando nisso, agora tenho tempo para o meu trabalho de carpinteiro em casa, tenho uma nova vida. ( finalizou.)

Quem olhar bem para o Vicelmo, é perceptível que sua felicidade está realmente em casa ou na rua, junto aos amigos ou no trabalho, Vicelmo além de marceneiro, tem paixão por aparelhos de rádios antigos, da década de sessenta. Sua coleção é de fazer inveja, têm nela uma raridade da marca SEMP ainda com caixa de baquelite, um material que antecedeu o plástico.

No final da entrevista, Vicelmo quis me enrolar quando lhe perguntei sua idade, mas não teve jeito, abriu o jogo e confessou que é um SETENTÃO muito feliz. Assim ele me disse: “completei 70 anos bem vividos, amando intensamente e sendo amado.”

( só posso dizer que você merece, que Deus lhe proteja e lhe dê mais 70)

Ed. Alencar. - Radialista/Repórter
Foto: Dihelson Mendonça
BLOG DO CRATO


Mons. Ágio Augusto Moreira vai completar 100 anos de idade – Por: Armando Lopes Rafael

  
No próximo dia 5 de fevereiro, Monsenhor Ágio Augusto Moreira chegará aos 100  anos de idade. Ele é uma das personalidades marcantes do Cariri. Reside no Belmonte, em Crato, numa casinha singela, de onde pode contemplar as encostas da Chapada do Araripe. Colada a sua residência está a capelinha de Nossa Senhora das Graças. Em frente a sua casa, fica a Sociedade Lírica do Belmonte, mantenedora da Orquestra Sinfônica Padre Davi Moreira. Atrás, depois do quintal da casa, fica a imponente “Vila da Música” que o Governador Camilo Santana mandou construir para perpetuar a obra musical do Mons. Ágio.
  
Sacerdote piedoso, simples, despojado e humilde, Monsenhor Ágio está sempre de benquerença com os semelhantes e a vida. Sua fisionomia sempre risonha deixa transparecer a paz de espírito que leva na alma. Monsenhor Ágio recebeu do Governo do Ceará a Medalha da Abolição, a mais alta comenda do Estado, honraria conferida por seu trabalho como fundador e diretor da Sociedade Lírica do Belmonte, que beneficia cerca de 200 alunos, todos de origem humilde, a maioria filhos de agricultores. Ali eles aprendem técnicas e teorias musicais, bem como a bibliografia dos grandes compositores do mundo.
  
Entre uma atividade e outra, Monsenhor Ágio escreve livros. Já teve mais de 10 (dez) títulos publicados. Dentre eles: “O cajueiro–Vida, Uso e Histórias”; “Um sonho realizado: história de uma escola rural”; “A espiritualidade do Pe. Cícero” (2 volumes); “Pe. David Moreira–Vida e Obra”;  “Tratado sobre as almas do Purgatório”; “A história da devoção a Nossa Senhora das Dores”; “História da bicicleta” e outros mais.
  
Uma extensa programação foi preparada para a comemoração do centenário de nascimento do Mons. Ágio, culminando com uma missa que será concelebrada por cem sacerdotes.

Por: Armando Lopes Rafael

Governo do Estado construirá uma sala de cinema em Crato – por Armando Lopes Rafael (*)

Pena que para isso o Crato perderá um espaço da sua escassa área verde
   Dentro do Programa Estadual de Desenvolvimento Audiovisual e da Arte e Cultura Digital, o Ceará Filmes, o governador do Estado, Camilo Santana, dotará municípios como Amontada, Aquiraz, Cedro, Crato, Iguatu, Itaitinga, São Benedito e Tauá de uma sala de cinema.
   Em Crato essa sala será construída na praça ao lado do Centro Cultural do Araripe, área existente no entorno da antiga Estação Ferroviária. Ora, sabemos que a cidade vai se expandindo sem construir praças e conservar áreas verdes. Uma das poucas existentes no centro de Crato é a que existe no complexo do Centro Cultural do Araripe, parte conservada da antiga Estação do Trem.
    Sabemos também que as áreas verdes são consideradas um indicador na avaliação da qualidade ambiental urbana e são também obrigatórias por lei. Quando não existem áreas verdes ou não são conservadas as árvores no ambiente urbano interferem na qualidade do mesmo, e também a falta desses espaços adequados para o lazer prejudica a qualidade de vida da população.
    Lamentavelmente, ao invés de adquirir ou doar um prédio velho para que o Governo do Ceará construa essa sala de cinema, a Prefeitura do Crato preferiu sacrificar um pedaço da pequena área verde, onde as árvores já estão bem crescidas, existente próximo à antiga Estação Ferroviária. Uma miopia, que demonstra a mentalidade dos atuais responsáveis pela administração da Cidade de Frei Carlos.

Museu de Paleontologia será reinaugurado dia 17 e receberá o nome de Plácido Cidade Nuvens, em homenagem ao seu fundador

   A Universidade Regional do Cariri (URCA), por meio do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, realiza no próximo dia 17 de janeiro, às 18 horas, a reinauguração do espaço. Na ocasião serão abertas as exposições permanentes, com a reorganização do local, e temporárias, com temáticas de relevância para a história local e da paleontologia nacional e mundial.
    Na ocasião serão abertas as exposições Fósseis do Cariri, Memorial Plácido Cidade Nuvens, e Fossilis – Olhares sobre a Chapada, integrando a arte à ciência da paleontologia e contando um pouco da história do homem e sua vivência no seu habitat.
   A renovação do museu traz além da nova forma de expor o acervo, de maneira facilitada ao entendimento do público em geral, as salas com exposições temáticas, a exemplo do fundador do local, Professor Plácido Cidade Nuvens, ex-diretor do Museu, fundador, ex-professor e ex-reitor da URCA.
Fonte: Assessoria do Governo do Ceará

Governo Federal vai construir escola no distrito de Santa Fé, em Crato


   O ministro da Educação, Mendonça Filho, anunciou a liberação de R$ 51 milhões destinados à construção de novas escolas em Fortaleza e no interior do Estado do Ceará, além de reformas em equipamentos da rede estadual de ensino, aquisição de computadores e equipamentos de climatização. Os recursos são do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Os convênios já foram assinados, em Fortaleza,  pelo Ministério da Educação e Governador do Ceará. Três dessas escolas serão de Ensino Médio, sendo contempladas as cidades de Fortaleza, Cariús e Crato. Nesta última cidade será construída uma escola no distrito de Santa Fé.
Sobre o distrito
   Santa Fé é um dos mais antigos distritos de Crato. Seu território abriga uma flora belíssima. Em Santa Fé estão localizados o Açude Thomaz Osterne, o sítio histórico do Caldeirão e o casarão da família Teles, onde funciona um museu. Naquela área, a Diocese de Crato instalou a Região Pastoral de Nossa Senhora da Conceição, que dá assistência religiosa aos distritos de  Santa Fé e Monte Alverne.
Casarão da Família Teles
Sítio Caldeirão



09 janeiro 2018

Sinfonia de sabiás - Por: Emerson Monteiro


Em face das primeiras chuvas deste janeiro, os finais de tarde na Serra se enchem de sonoridade; cigarras e sabiás estabelecem diálogo puro e melodioso, entremeados de tinidos de outros pássaros, na música divina, esplendorosa, longe das aflições dos humanos perdidos lá embaixo, na distância do vale. Tais bandos de borboletas coloridas, cigarras circulam de cicios a solidão da mata em sucessivas ondas, tecendo de surpresa o silêncio que aos poucos regressa e logo invadirá a Terra.

Houvesse dúvidas do poder infinito da Criação, essas horas bem que desfariam e se fariam nas almas por demais embrutecidas por causa das fainas do chão. Sinais imensos, magistrais, da grandeza dos Céus, as aves insistem nisso de convencer as últimas resistências dos sórdidos. Em orações continuadas, persistem reverter quadros da ilusão das mentes dos últimos ateus; limam presas derradeiras nas feras do Sertão bravio; e suavizam de paz os corações enternecidos.

Horas a fio, no longe das distâncias intransponíveis desses brejos do espírito, o invisível do eco festeja as estrelas que virão às praias de amores e luzes, na saudade feliz dos mais perfeitos sonhos. Leves instrumentos em mãos misteriosas, os acordes calmos, tons inesgotáveis da pura condição dos seres inocentes, mergulham na tarde que esvai e pinta aquarelas interiores nos horizontes da beleza. Avisos. Convites. Notícias doutros mundos santos; doces palavras em forma de cores e acordes.

Esse abismo entre o ser e a percepção da realidade cresce, pois, no espaço do sentimento, e a natureza fala. A Eternidade, em miríades de sons, portas dos segredos universais, desce seu manto da escuridão e desfaz réstias do dia nas promessas de comunhão dos ouvidos e do vazio, enquanto somem as intenções dos homens de reter a verdade que querem dominar. Some o que ainda existia de promessas e claridade. Responde assim, alegres, os pássaros, em desafios harmônicos, a esperança das primeiras chuvas e deixam as canções do dia no coração que ali incendeia.     

Na mala, só a viagem - Por: Emerson Monteiro


No dia 07 de janeiro de 2018, foi lançando, em todas as plataformas digitais, o novo EP de Tiago Araripe: Na Mala, Só a Viagem. São quatro composições inéditas, gravadas com a sonoridade da nova música pernambucana. Para seguir os passos do lançamento, visite a página: www.facebook.com/AraripeTiago

Em arranjos primorosos, característica do cantor e compositor Tiago Araripe, temos às mãos esta sua nova produção artística. São algumas das faixas que comporão seu próximo disco, chances de conhecer de perto o que nos reserva a criação sempre surpreendente do músico. 

Enquanto trabalho estas palavras, ouço, através da Spotfy, as quatro composições que constarão do novo álbum: Bem aqui,Das horasPerder alguém e De passagem, músicas que me fazem percorrer o itinerário do que ele até aqui produziu numa vida rica de revelações e criatividade. Dotado de talento refinado, pleno de imaginação positiva e comunicabilidade, sabe reunir, em letras e arranjos, poemas leves e profundos, em uma obra luminosa e reveladora. 

De longe sigo a história musical de Tiago Araripe, desde os anos 70, nos primeiros lampejos do que seria a surpreendente história deste autor, desde seus ensaios através dos planos literários e musicais. Nos inícios, fora estudante de Arquitetura e escrevia contos instigantes, surreais, isto ainda na adolescência. Adiante, migraria às hostes sonoras, em que tão bem se desenvolve e acrescenta de valores estéticos.

Depois, houve os passos em Recife, ao tempo do Nuvem 33, grupo de vanguarda junto de quem exercitou os voos na composição; em São Paulo, o grupo Papa Poluição, de proposta também revolucionária, quando gravaria um compacto e seguiria rumo ao primeiro LP, Cabelos de Sansão, relançado mais recentemente. Houve, em 2013, o Baião de nós, disco produzido por Zeca Baleiro, de consistência e primor musical, já consolidando a importância do artista no panorama da música popular brasileira, onde marca posição digna dos seus maiores nomes.

08 janeiro 2018

Corpo do Jornalista J. Lindemberg de Aquino será sepultado na tarde desta segunda, em Crato.


Será sepultado às 17 horas desta segunda-feira, no Cemitério Nossa Senhora da Piedade em Crato, o corpo do jornalista J. Lindemberg de Aquino. Ele nasceu no dia 4 de junho de 1933 naquela cidade e faleceu aos 84 anos em um dos leitos do Hospital São Raimundo por volta das 19h30min de ontem. O corpo está sendo velado no Centro de Velório Anjo da Guarda na Rua Nelson Alencar, 748 no centro de Crato. Com Informação da Agência Miséria Parceira do BLOG DO CRATO

Lindemberg partiu – por Armando Lopes Rafael

 
  Ah! As coisas de Deus. João Lindemberg de Aquino deixou este mundo à noitinha de um domingo, Dia do Senhor, 7 de janeiro de 2018. Depois da meia-noite caiu uma chuva calma, tranquila, mas “molhadeira”, sobre esta cidade de Crato e arredores. Parecia o augúrio de um dia que nasceria abençoado.
   Lindemberg foi velado e sepultado numa segunda-feira, dia da tradicional feira semanal de Crato. Uma atividade econômica essencialmente urbana, a qual, anos atrás, se esparramava pelas ruas do centro citadino, parecendo até uma festa. Era afamada, a antiga “Feira do Crato”! Reunia uma multidão, onde os pequenos produtores rurais e modestos comerciantes ofereciam suas mercadorias, a céu aberto. Era uma mistura de burburinho e interação social. Tudo feito de forma harmônica, num tempo que não conhecíamos a desagregação e a decadência da sociedade atual.
    Quantas vezes, Lindemberg – quando criança, adolescente ou adulto –  contemplou as feiras de Crato. Antigamente, nas segundas-feiras, nesta Mui Nobre e Heráldica Cidade de Frei Carlos, esse dia amanhecia prenunciando alegria. A cidade virava uma verdadeira praça de mercado. Raízes e ervas eram vendidas como “santo remédio”; Violeiros faziam seus repentes como se fossem trovadores medievais; Cegos pediam “uma esmolinha pelo Amor de Deus” tocando rabecas; Jovens falantes liam versos de cordel, com destaque para “O Pavão Misterioso”, “A chegada de Lampião no inferno”, “Improvisos do Cego Aderaldo”...
      Bons tempos, aqueles do Crato de outrora!
      Pois foi a esse Crato (que não existe mais) que Lindemberg dedicou a força da sua juventude e a sabedoria da sua maturidade. Amou esta cidade como poucos a amaram. Tinha uma mania: denominar oficialmente as ruas de Crato. Penso que oitenta por cento das nossas ruas receberam um patrono oficial, graças ao decreto feito por Lindemberg e entregue a um vereador. Este último ganhava o mérito da proposição aprovada pela Câmara Municipal.
         Estive bem cedinho ante o féretro de Lindemberg. Rezei pelo descanso eterno da sua alma. Pessoas que não creem (os ateus, sempre exibicionistas) dirão que não há nada depois da morte. Geralmente o ateu tem todas as objeções, que se possa imaginar, sobre a espiritualidade. É comum essas “sapiências” arrotarem do alto da sua empáfia:  "Não há nada fora das ciências físicas".
           Humildemente, creio na vida eterna. Penso que os últimos anos de ostracismo e enfermidades que Lindemberg sofreu, sendo assistido (e muito bem assistido) apenas por sua amorosa família contribuíram para que ele, ao transpor os umbrais insondáveis da eternidade, sentisse de Deus misericordioso aquilo o que nos ensina o livro do Apocalipse, 21, 4: "Ele enxugará toda a lágrima de seus olhos: já não haverá morte porque o mundo velho passou".
             Descanse em paz, Lindemberg!

COMENTÁRIOS
Carlos Rafael Dias escreveu:
Armando: Bela e merecida homenagem!

André Herzog escreveu:
Sinto Muito Armando.
Que linda homenagem, que só poucos como você saberiam fazer. 
Que a alma de Lindemberg tenha descanso e seja bem acolhida...


Renato Casimiro escreveu:
Meu caro Armando,
Somente hoje pelas 11h numa ag. do BB alguém me falou da morte de Lindemberg.
Há pouco li com atenção seu texto e me enchi de emoção porque não só o texto resgata
parte da omissão de tantos, incluso estou, mas porque suas imagens, líricas e tão sinceras nos permite vê-lo noutra dimensão, como um desses cratenses ilustrados que tanto fizeram por sua terra.
Também me reuno às suas preces por seu repouso, pois de há muito se dizia, do tempo do Lindemberg, da sua ausência sempre sentida, e da falta que fazia a esses novos tempos em que o Crato sempre reclama por alguém que levante sua autoestima. Enfim, já estávamos sem ele, lamentando sempre as poucas notícias, especialmente para falar de uma certa morte anunciada.
Um grande abraço,
Renato Casimiro


José Peixoto Jr. escreveu:
Lamentei o adoecer de Lindemberg. Visitava-o, quando sadio, sempre que passava na cidade.
São intervenções como essa sua que perpetuam nomes. 
Ele foi o Ibraim Sued do Cariri.
Significativa a sua intervenção.
Um abraço. Peixoto


Vicente Madeira escreveu:
Armando, meu irmão
Lindenberg foi um ícone de nosso Crato.
Deus o tenha. Que ele continue a ajudar a terra de Dona Bárbara.
Um abraço de
Vicente
 




07 janeiro 2018

O JORNALISMO ESTÁ DE LUTO - Falece em Crato, o grande jornalista J. Lindemberg de Aquino


É com imensa tristeza que comunicamos o falecimento de um dos maiores jornalistas e intelectuais do Cariri, J. Lindemberg de Aquino. Mais tarde, detalhes sobre o seu velório e sepultamento. 

Durante décadas, J. Lindemberg de Aquino foi um dos grandes pilares da intelectualidade e do jornalismo Cratense. Mais um dos grandes mestres, cuja obra inspirou gerações, se vai. Mas fica o seu grande legado. O Blog do Crato, nos seus 13 anos de existência, deve muito a J. Lindemberg. Trazemos aqui uma postagem recente, que o historiador e administrador do Blog do Crato, Armando Rafael escreveu sobre ele:

Lindemberg de Aquino, esse esquecido

Atualmente afastado das atividades sociais de Crato por motivo de saúde, o jornalista João Lindemberg de Aquino exerceu influência na vida da Cidade de Frei Carlos por cerca de 60 anos. Lindemberg nasceu em Crato, em  4 de junho de 1933, tendo completado em junho último 84 anos de idade. Lindemberg é filho de Joaquim Patrício de Aquino e Maria Rosa de Aquino. 

Fez o curso primário na escola particular da professora Vicência Garrido e na Escola de 1º Grau Dom Quintino. Ingressou na Escola Técnica de Comércio do Crato e Colégio Diocesano do Crato, terminando seus estudos secundários. Depois disso foram sessenta anos escrevendo, pesquisando e divulgando a cidade de Crato “seu segundo amor, pois seu primeiro foi sua mãe”,  como ele gostava de dizer.

Hoje o Blog do Crato homenageia J. de Lindemberg de Aquino, escolhendo para tanto uma crônica sobre ele,  escrita por Emerson Monteiro há 7 anos. Reproduzimos abaixo um artigo de Emerson Monteiro sobre Lindemberg de Aquino, publicado no "Blog do Crato".

"Queremos tecer aqui, em algumas e poucas palavras, um comentário a propósito de personalidade a quem o Cariri deve boa parte da evidência que hoje detém neste mundão imenso de Meu Deus; falar a respeito do João Lindemberg de Aquino, jornalista inteligente, possuidor de talento inquestionável já reconhecido nas letras nordestinas, e autor emérito do livro Roteiro Biográfico das Ruas do Crato, trabalho permanente para os estudos da história desta Região.

Durante décadas, anos 50, 60 e 70, pelos menos, os principais registros da movimentação social, economia e política do interior cearense da região sul ganharam notoriedade, sobretudo nas páginas dos jornais de Fortaleza, através das matérias que ele encaminhava para publicação.
Nos seus escritos, Lindemberg mostrou especial dedicação à vida social caririense, aos acontecimentos e lideranças que nortearam o progresso deste vale onde habitamos, conquanto agora mesmo apenas usufrua de uma vida recolhida e afastada deste meio que, com carinho e trabalho, ajudou a construir e onde estabeleceu numeroso círculo de amizades.

Quando, em 1953, o Instituto Cultural do Cariri encetava caminhada, dentre os seus fundadores ele ali se encontrava na função de Secretário da primeira diretoria, ao lado dos nomes expressivos de Figueiredo Filho, Irineu Pinheiro, Padre Antônio Gomes, Huberto Cabral e outros. Desde cedo que busquei assisto de perto a trajetória intelectual deste cidadão cratense integrado ao meio, ainda de quando exercia um cargo no atendimento do INPS, em Crato, assessorava diversas administrações municipais cratenses e escrevia crônicas diárias para as Rádios Araripe e Educadora, além de testemunhar os principais acontecimentos sociais também das comunas próximas, divulgando-os na grande imprensa do Estado e do País. Nisto aplicou-se durante décadas inteiras, favorecendo o encaminhamento de temas progressista e atualizando as influências políticas e educacionais, o que marcaria bases no nosso crescimento histórico.

Dotado, pois, de paixão verdadeira pelo que realizou em termos de jornalismo sociocomunitário, Lindemberg de Aquino chamou a si a preservação da autoestima deste povo caririense, anotando para as gerações futuras efemérides e valores que eternizou com a sua pena. Perante tais aspectos que caracterizam existência de tantos préstimos, cabe-nos reconhecer o êxito das ações que empreendeu e dedicar o melhor tributo de reconhecimento a João Lindemberg de Aquino por tudo que fez valer em prol da gente deste lugar".(Por: Emerson Monteiro)

Por: Armando Lopes Rafael
BLOG DO CRATO - www.blogdocrato.com

Marli - Por: Emerson Monteiro


Princípio de ano quando resolvi visitar dois amigos, Flamínio e o Prof. Bebeto, em sítios próximos da sede do distrito de Santa Fé, em Crato. Momentos alegres, horas de natureza, frutas, plantas e pássaros. Já sabia um pouco a propósito de Marli, garça que, há cinco, seis mais, se aproximara do Sítio Fábrica, onde Bebeto ali passa agradáveis finais de semana.

Ela chegou às margens do açudinho que existe ao lado da casa. Ao vê-la, Huberto observou que trazia ferimento numa das asas. Sozinha, triste, aquietou nas proximidades da água. Daí, ele e Toinho, o caseiro, trataram de lhe oferecer alimento que mitigasse a fome e a fraqueza. Nisso, aos poucos ganhariam a confiança de Marli, que assim a batizara.

Depois permaneceria por perto recebendo o carinho dos alimentos, peixinhos pescados de anzol. Resultado, ela e o novo amigo se afeiçoaram. Contudo alguns meses adiante, Marli sumiria por seis meses, ou mais. Bebeto deduziu que talvez houvesse perdido a vida num outro atentado. No entanto voltaria. Feliz de receber alimentação, demonstrou reconhecer o pouso e o amigo.

Sempre que chamada, agora acorre atenciosa aos peixes fisgados de anzol, pequenas tilápias do reservatório. Basta chamar pelo nome, rápido desce e fica no aguardo da ração.

Assim tem transcorrido. Some dois, três meses, e regressa familiarizada qual amiga fiel. Vimos bem isto acontecer. Mesmo que de todo ausente, tão logo ouve seu nome aparece entre as árvores e fica à espera do alimento, em perfeita simbiose de ser humano e ave pernalta.

As cenas que eu e Flamínio presenciamos naquela tarde, do entrosamento de Huberto Tavares e da garça que buscou refúgio junto dele, fizeram que eu voltasse no tempo e me visse criança a presenciar bandos de garças sobrevoando as represas do açude do Tatu, em Lavras, onde nasci. Considerei o que teria imaginado à época visse o que agora vejo. Por certo desejaria ser, quando crescesse, tal aquele senhor às margens de um açudinho a oferecer peixes a Marli, cercado de árvores e flores, esquecido do mundo, a reviver dias da infância, na paz do sítio aprazível, distante, lá no sopé da Serra do Araripe.

Neste mar de sentimentos - Por: Emerson Monteiro

Por mais que sejam movidos a pensamentos, durante todo tempo os humanos estão sujeitos aos sentimentos. Eles evitam sentir, pois sentir dói um tanto. Porém ninguém foge ao poder dos sentimentos, função principal de existir neste chão. Embriagados, entorpecidos, dependentes, no entanto rodam, rodam, e chegam ao mesmo lugar, à casa das emoções, na matriz do coração. A única porta de sair dessa escravidão da carne ali permanece fechada aos apelos e apegos, por mais que insistam vencer o destino inevitável. Nisso pena o espírito, até chegar do lado de dentro de si.

Já foram turbilhões de passados e os indivíduos persistem no velho desespero de revelar rotas de fuga; contudo são frustrados na memória das experiências, das ambições deslavadas, que amarguram no vazio de respostas a que pudessem dominar esse território. Tão ausentes de conforto permanente, andam açoitados pela fria razão, e nunca realizam plenamente a ânsia do absoluto.

Nadar no mar desse infinito significa, por isso, tocar adiante as frustrações e vencer o desencanto. Incríveis as lições do próprio corpo, cercado de sentidos, centrais de identificação da consciência aprendiz. A angústia, portanto, é viver de contradições. Querem ser felizes, todavia praticam egoísmo crônico. Planejam vencer os instintos, mas deixam que reinem soberanos. Entre animais ferozes e desafios diários, encaram a certeza do fim quais pagãos sentenciados à procura de novas ilusões.

Ondas gigantes por vezes parecem anular a sombra dos apetites; marchas colossais de sonhos brilham nas praias; nuvens encobrem os sentimentos, contudo jamais largaram os barcos ao tédio de quando tudo terminar em cada existência perdida. Apenas isso, heróis inacabados, prisioneiros de pensamentos andam em círculo à volta da única resposta, abrir de vez por todas o cristal da compreensão e aceitar os sentimentos que levam à estação da real Felicidade.

"Herança dos anos PT": BNDES corre risco de calote de Angola, Venezuela e Moçambique

No total, o banco tem 4,3 bilhões de dólares a receber de empréstimos que financiaram obras de empreiteiras brasileiras
Fonte:  Estadão  
                                   BNDES no Rio de Janeiro (VANDERLEI ALMEIDA/AFP)

   Após calotes de Venezuela e Moçambique, no ano passado, Angola pode ser a próxima a atrasar pagamentos de empréstimos do BNDES que financiaram obras de empreiteiras brasileiras. No total, o banco tem 4,3 bilhões de dólares a receber de dívidas nessa modalidade, sendo 2 bilhões de dólares de Venezuela, Moçambique e Angola. Desde 1997, o banco liberou 10,5 bilhões de dólares para 15 países e obteve 8,2 bilhões de dólares de retorno, incluindo juros.
   A conta dos atrasos, na verdade, ficará com o Tesouro Nacional, pois as operações têm seguro, coberto pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE). Vinculado ao Ministério da Fazenda, o fundo é feito para garantir esse tipo de empréstimo. Nos financiamentos de longo prazo no exterior, é normal haver participação dos governos no crédito ou nas garantias, dizem especialistas.
Mesmo que os recursos sejam recuperados à frente, após renegociações com os devedores, não há previsão orçamentária em 2018 para os eventuais calotes, informou o Ministério da Fazenda. Novos calotes podem pressionar ainda mais as contas públicas, já deficitárias.
   A Venezuela preocupa mais. Do calote de 262 milhões de dólares anunciado em setembro, 115 milhões são com o BNDES. O banco tem mais 274 milhões de dólares a receber apenas neste ano, do saldo devedor total de 814 milhões de dólares. O atraso da parcela deste ano implicaria gasto adicional de 885 milhões de reais no Orçamento federal de 2018. A avaliação do governo é que dificilmente a dívida será paga normalmente, disse uma fonte.
   Angola, maior devedora do BNDES, não chegou a esse ponto, mas o novo governo, eleito em agosto, anunciou na última quarta-feira um pacote de ajuste que prevê a renegociação da dívida externa para lidar com o tombo nas receitas com as exportações de petróleo. A Embaixada de Angola em Brasília informou que não teria como comentar o assunto na sexta-feira. O Ministério da Fazenda e o BNDES negaram qualquer contato de Angola sobre atrasos.
   Entre 2002 e 2016, o BNDES contratou US$ 4 bilhões em empréstimos com o país africano, a maioria para projetos da Odebrecht, como a construção da Hidrelétrica de Laúca. A obra recebeu financiamento de US$ 646 milhões, em duas operações, de 2014 e 2015. Em nota, a Odebrecht diz que “não há qualquer atraso” do governo angolano, embora a empresa tenha frisado que, como a dívida é com o banco de fomento, não acompanha o pagamento.
   No caso de Moçambique, houve calote de US$ 22,5 milhões no empréstimo para a construção do Aeroporto de Nacala, no norte do país, a cargo da Odebrecht. A obra, de US$ 125 milhões, virou um elefante branco. Como mostrou o Estado no mês passado, o terminal opera com 4% da capacidade de 500 mil passageiros por ano. O país da costa leste africana ainda deve US$ 161 milhões ao BNDES.

Afinal, quem é o fundador de Juazeiro do Norte? - Por Armando Lopes Rafael



 Juazeiro em 1827 - óleo sobre tela de Assunção Gonçalves. a casa maior pertencia ao Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, cfe. pesquisas feitas pela artista

Alguns autores insistem em atribuir, erroneamente, ao Padre Cícero Romão Batista a fundação de Juazeiro do Norte. Pelas informações abaixo alinhadas,  concluímos que foi o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro o verdadeiro  fundador do núcleo primitivo, origem da atual cidade.
    Podemos afirmar, com toda segurança, que a cidade de Juazeiro do Norte – hoje conhecida em todo o Brasil, graças à figura do Padre Cícero Romão Batista – teve seu início como fruto da devoção à Nossa Senhora das Dores. Pois, a exemplo da maioria das cidades brasileiras de antanho, Juazeiro do Norte também nasceu em torno de um templo católico. A respeitada escritora e historiadora  Amália Xavier de Oliveira, na “plaquete” Conheça o Cariri, assim descreveu os primórdios de Juazeiro do Norte:
“Os terrenos onde foi fundada a grande cidade que é hoje Juazeiro do Norte pertenciam a um cidadão chamado Leandro Bezerra Monteiro, militante do Exército Nacional, no qual tinha o posto de Brigadeiro. Estes terrenos constituíam uma imensa planície coberta de pastagens férteis e abundantes. Árvores de grande porte formavam densas matas. O proprietário, o Brigadeiro, era possuidor de muitas terras na região; residia no sítio “Moquém” perto do Crato, onde tinha um engenho de fabricar rapadura. Para fazer sua criação de gado, escolheu os terrenos que iam em direção da Serra de São Pedro, hoje Caririaçu.
Havia, naquela planície, uma ligeira elevação do terreno perto da serra Catolé, às margens do rio Salgadinho. Ali, o Brigadeiro construiu a Casa da fazenda, que recebeu o nome de “Tabuleiro Grande”. Ao redor da Casa Grande da fazenda, os escravos foram construindo suas casas; vizinho a casa, construiu um aviamento para a fabricação da farinha de mandioca, de que havia grande cultura nos tabuleiros. Entre as árvores que circundavam o aglomerado de casas dos escravos, havia 3 juazeiros frondosos, de copas quase unidas, formando uma sombra acolhedora. Ali, os transeuntes que viajavam de Missão Velha, Barbalha, São Pedro, indo para a feira do Crato, procuravam abrigar-se. E combinavam: “Vamos botar a baixo (tirar as cargas para repouso) lá nos juazeiros”. Daí a corruptela: vamos descansar no Juazeiro”. (Cfe. Conheça o Cariri, sem data, páginas 3-4).
***   ***   ***
     A mesma Amália Xavier de Oliveira, noutro escrito de sua autoria, O Padre Cícero que eu conheci, esclareceu o que motivou a construção da capela na fazenda Tabuleiro Grande:
Ordenara-se Sacerdote o Pe. Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do Brigadeiro, porque filho de sua primogênita, Luiza Bezerra de Menezes, e de seu primeiro marido, o Sargento-mor Sebastião de Carvalho de Andrade, natural de Pernambuco. Para que o padre pudesse celebrar diariamente, sem lhe ser necessário ir a Crato, Barbalha ou Missão Velha, a família combinou com o novel sacerdote a ereção de uma capelinha, no ponto principal da Fazenda, perto da casa já existente”. (Cfe. "O Padre Cícero que eu conheci, edição de 1981, páginas 33-34).
    Alguns autores,no entanto,  insistem, erroneamente, em atribuir ao Padre Cícero Romão Batista a fundação de Juazeiro do Norte. Pelas informações – acima citadas – concluímos que foi o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro o verdadeiro fundador do núcleo primitivo, origem da atual cidade. Deve-se ao Brigadeiro Leandro a iniciativa da primeira urbanização da localidade – ainda conhecida por Fazenda Tabuleiro Grande – com a edificação da Casa Grande, capela, residências para os escravos e agregados da família.
      A realidade histórica nos prova: quando o Padre Cícero chegou ao “Joaseiro”, para fixar residência, em 11 de abril de 1872, como 5º (quinto) capelão (antes dele já tinha passado por essa função quatro padres) já encontrou um povoado formado em torno da capelinha de Nossa Senhora das Dores. Contava o lugarejo, à época da chegada deste sacerdote, com 35 residências, quase todas de taipa, espalhadas desordenadamente por duas pequenas ruas, conhecidas por Rua do Brejo e Rua Grande. Naquele povoado, à época da chegada do Padre Cícero, residiam cinco famílias, tidas como a elite do vilarejo: Bezerra de Menezes, Sobreira, Landim, Macedo e Gonçalves.
      É verdade, porém, que o povoado só veio a ter alguma projeção a partir da ação evangelizadora do Padre Cícero. E o vertiginoso crescimento demográfico da localidade só começou em 1889, motivado pela ocorrência dos fatos protagonizados pela beata Maria de Araújo, que passaram à história como “O Milagre da Hóstia”.
(*) Armando Lopes Rafael, historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri.  Membro Correspondente da Academia de Letras e Artes “Mater Salvatoris” de Salvador (BA). Do Conselho Editorial da revista “A Província”.


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