xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 19/07/2017 | Blog do Crato
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VÍDEO - ÚLTIMAS NOTÍCIAS - Prefeito do Crato é escolhido um dos melhores prefeitos do Ceará pela PPE Eventos, em Fortaleza. ( 09-11-2017 ).
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19 julho 2017

No dia em que me reconciliei com Deus - Por: Emerson Monteiro

Quando perguntaram a um sábio qual o sentido da vida, ele, de pronto, respondeu: - É a vida.

Às vezes, a gente se torna exigente demais com a gente mesma, e esquece viver. É bem isto. Aceitar sem teimar as condições que estão aqui e agora.

Viver é diferente de perguntar, de falar, de querer, de insistir. É viver, pois. É isto que está aqui. Parar e olhar em volta o quanto a vida é bela, e completa. Quando perguntam a um sábio qual o sentido da vida, ele, de pronto, responde
: - É a vida - de comum, a gente é quem inventa o que seja descompasso.

Ser feliz é ser. Ser pra merecer. O mais vem por acréscimo, qual música boa.

E lá um dia, ao morder num chocolate meio amargo, olhos fixos ao sabor inevitável de querer viver com arte, a arte dos chocolates meio amargos, nascerá de dentro a boa disposição de aceitar as condições de ser livre e dominar os conceitos que ensinaram em forma de sacrifício religioso, e vê que o Paraíso é vizinho da casa em que habitávamos há milênios. É só estirar a mão e comer maças, sapotis, ameixas; aspirar e sentir o perfume de todas as flores cheirosas; olhar o firmamento e pular de contente ao som das melhores músicas, festa no terreiro das folias. Olhar nos olhos das pessoas e saber dos que nos veem com carinho, gostam da gente com a mesma felicidade com que a elas nós olhamos. Pulamos de louvor e cantamos as canções que tocam o coração. Dias de plenitude luminosa.

Por isso o amor vive solto no tempo e também nos segredos da alma, por vezes escondido, tímido, calmo, esperançoso. O maestro desta vida somos cada um, força do poder da soberania de um Pai grandioso que escolheu que sejamos assim felizes de ser seus filhos. Nisso, meio desconfiado, meio satisfeito, abrimos os braços e abraçamos emocionados o pai, que de há muito esperava nosso abraço mais saboroso.

Cratensidade: A Mãe do Belo Amor, a devoção mariana mais antiga do Vale do Cariri -- por Armando Lopes Rafael

A imagem da Mãe do Belo Amor, pequena escultura de madeira, medindo cerca de 40 centímetros, é venerada, desde os primórdios da Missão do Miranda – origem da cidade de Crato – que data de 1740, ou seja, há cerca de 275 anos. Esta estátua sempre foi aureolada por muitos fatos pitorescos e lendários. Monsenhor Rubens Gondim Lóssio, escrevendo sobre esta representação da Virgem Maria, em trabalho publicado na revista Itaytera, afirmou: “Herdada dos ancestrais indígenas, existia uma pequena imagem da assim chamada Nossa Senhora do Belo Amor, de todos venerada”.
Não existem documentos sobre a origem da imagem da Mãe do Belo Amor. Também não se sabe, ao certo, se essa pequena escultura já se encontrava no Sul do Ceará, antes de 1740, ano da chegada de Frei Carlos Maria de Ferrara, para catequizar os índios Cariris, quando fundou a Missão do Miranda (depois Vila do Brejo do Miranda), embrião da cidade do Crato. Ressalte-se que, antes da chegada desse frade, já tinha o Vale do Cariri certa densidade demográfica, embora não possuísse ainda nenhum aldeamento ou povoado considerável, o que só veio a se formar após 1740. Daí ser possível que a imagem da Mãe do Belo Amor já se encontrasse no Vale do Cariri, antes da vinda do fundador do Crato.
Presume-se, pois, que até 1745 esta pequena imagem da Mãe do Belo Amor, foi venerada na humilde capela de taipa, coberta de palha, construída por Frei Carlos – substituindo Nossa Senhora da Penha, Padroeira da Missão do Miranda – isto é, até a chegada da imagem da Virgem da Penha que se destinava à Guiné, na África e foi trazida de Recife, em 1641, transferida para Crato em 1745, onde é venerada até os dias atuais.

"Dois bicos de luz para Cego Aderaldo" -- por Rosemberg Cariry (*)


Em tempos de fama, com fotos estampadas nas primeiras páginas dos mais importantes jornais do País, com prestígio entre artistas, políticos e autoridades nacionais, o Cego Aderaldo começou a ser reconhecido também em sua cidade de adoção, Quixadá. Em 1953, a Prefeitura da cidade quis fazer sua parte nesse esforço de reconhecimento e determinou que a residência do Cego Aderaldo tivesse energia elétrica, com “dois bicos de luz” fornecidos pelo poder público. A luz serviria para que os filhos de criação do Cego Aderaldo pudessem estudar e, à noite, ler os livros preferidos do velho cantador.
“Alegria de pobre dura pouco”, como diz de forma sarcástica um provérbio popular em voga ainda hoje no Ceará. Vendo o Cego Aderaldo com energia elétrica em sua casa, alguns invejosos da cidade começaram a fazer uma campanha para que a mesma fosse cortada.

Argumentavam os “fuxiqueiros de plantão”, em nome da “moralidade pública”, que o Cego Aderaldo ficara rico e famoso com a sua viagem ao Rio de Janeiro e São Paulo e que não precisaria das benesses da municipalidade.
Zelosa da sua reputação, a Prefeitura de Quixadá mandou, sem mais demora, cortar o fornecimento de luz na casa do Cego Aderaldo. O acontecimento é manchete nos jornais de Fortaleza. O jornal Unitário, de 21 de junho de 1953, acusa o recebimento de uma carta intitulada “Sem Luz o Cego Aderaldo”. Para quem já sofrera tantas agruras na mão do destino, Cego Aderaldo possuía a sabedoria serena e espirituosa que lhe permitia tirar graça e fazer ironia dos pequenos problemas cotidianos. Aos jornais, declarou-se conformado: “Cego não precisa de luz mesmo, assim como o mar não precisa de água”. Desse jeito, ele ironiza a situação. No entanto, vivia ele em situação pouco auspiciosa. A sua tropa de burros havia morrido de fome e sede, ele estava sem fazer cantorias ou projetar o seu cinema, por causa da crise causada pela seca. Passava necessidades.
Sobre a seca, Cego Aderaldo havia escrito: “E dona Fome na frente,/ Na cadeira do trapiche, / Dizendo: - No Ceará / Tudo é fofo e nada é “fixe” / Juro que aqui nesta terra / Não vinga mais nem maxixe”.
Os versos “No Ceará tudo é fofo e nada é fixe (fixo)” podem ser traduzidos com a seguinte compreensão: no Ceará, nada tem raízes profundas e não se fixa nem na terra nem na alma. Ora atingido por uma natureza inclemente que força o cearense a arribar da terra natal, ora deflagrando-se em guerras instintivas pela sobrevivência, quase sempre governado por uma classe dominante atrasada, egoísta e impiedosa, o cearense construiu a sua história sob o signo da dor e da transitoriedade.
Deixou-nos Aderaldo uma lição. Que nós, cearenses, somos um povo do caminho, em trânsito, em construção, sempre em busca de novidades, sem tempo para reconstruirmos as nossas heranças de humanidades. O passado (de fomes e privações) nos assombra, e o futuro é incerto, então nos resta o agarrar-nos ao presente de forma desesperada, inclusive pelo paradoxo de ser o “presente” aquilo que flui e deixa de ser.

 (*) Rosemberg Cariry, Cineasta e escritor. E-mail:ar.moura@uol.com.br


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