xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 23/05/2017 | Blog do Crato
.

VÍDEO - Estamos de volta com as transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, com alguns programas ao vivo ). Serão vários programas abordando temas diversos, como a realidade da nossa região, do Ceará e do mundo; Programas científicos, atualidade, entrevistas, e transmissão de eventos ao vivo. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



Comunidade Cratense no Facebook - Mais de 25.000 seguidores. Clique em Curtir e adicione a sua Foto !

23 maio 2017

O chapeado indócil - Por: Emerson Monteiro

Em Crato, naquele tempo, os ônibus do Expresso de Luxo, que faziam a linha para Fortaleza, saíam da esquina da Rua Nélson Alencar ao lado da Praça Cristo Rei, espécie de rodoviária improvisada no centro da cidade, também conhecida por Esquina de Chagas Bezerra.

As malas dos passageiros chegavam trazidas no ombro e na cabeça pelos chapeados, tipos humanos forçudos, peões que também carregavam e descarregavam as bagagens do trem e os vagões da estrada de ferro. Braços musculosos, pescoços atarracados de tanto peso, cachaceiros de marca maior, esses profissionais se organizavam numa espécie de sindicato, para receber assistência coletiva e uma chapa de bronze polido com um número gravado, que fixavam bem na frente de chapéu de maça acolchoado, ficando mais conhecidos por esse número do que pelo próprio nome.

De todos eles o mais famoso era Noventa, figura folclórica pelo jeito ligeiro de andar, falar e contar suas histórias prenhes de humor fino e malicioso.

Bom, dizíamos, em Crato, naquele tempo, os ônibus do Expresso de Luxo, que faziam a linha para Fortaleza, saíam da esquina da Rua Nélson Alencar ao lado da Praça Francisco Sá, a da Estação Ferroviária... Época quando vieram a Crato Irmã Maria Alice e outras freiras do Silêncio, assim denominadas pela ausência de hábito ostensivo, característica dessa ordem da qual participou
Tia Vanice.

Vieram em visita de poucos dias, conhecer Crato, Juazeiro de Norte e lugares típicos da Região, e nessa noite retornavam para Fortaleza, daí seguindo a Recife, casa de onde provinham e residiam.

O chapeado que transportava a bagagem da freira e das suas acompanhantes, a seu turno, não parecia viver noite das mais felizes quando chegou superlotado de malas e sacos, despejando-os sobre a passarela de embarque. Exasperado, resmungão, grosseiro, ele falava alto, chamava nome feio, respondia ríspido aos que lhe falavam, esbravejava com tudo e todos, bruto de causar espanto, coiceando até o vento.

Apreensiva, Tia Vanice, uma das anfitriãs, meio sem jeito, observou instante em que a Madre aproximou-se do chapeado agressivo, chamando-o fora do movimento e dizendo-lhe baixinho algumas palavras próximas aos ouvidos. Depois daquilo, a calma dominou o recinto aonde circulava boa quantidade de gente, passageiros e familiares, na hora da despedida. O homem terminou de cumprir sua função, recebeu o pagamento, e viajaram em paz.

Porém Tia Vanice guardou o gesto que modificou o astral do chapeado. Lembrou ainda por longo tempo da cena, força persuasiva da religiosa e sua atitude tranquilizadora.

Passados cinco anos, ou mais um pouco, achava-se em Salvador, durante bela festa de homenagem à Irmã Maria Alice, que inteirava meio século de serviços prestados, conquista marcante em prol da educação, da solidariedade... Ótima ocasião de recordar o poder de convencimento da feira na estação de passageiros de Crato... Indagação que alimentara tanto tempo.

Na primeira chance, chamou de lado a homenageada e perguntou-lhe o transmitira de conselho ao chapeado, o que causara efeito mágico de mudar o seu humor, arrefecer-lhe os impulsos, pondo-o de volta à passividade.

Sem maiores esforços, a freira lembrou com detalhes o episódio, inclusive o que dissera:

- Não falei coisa muito especial, não. O que fiz foi mostrar a ele que sua braguilha estava desabotoada. - Daí, ele se afastou um pouco, recompôs o traje e continuou a trabalhar como se nada houvesse acontecido.  - Apenas isso.

Memorial da Imagem e do Som do Cariri registra:

50 anos de morte do cantador cratense Cego Aderaldo

Por Jackson Bantim (Diretor do Memorial da Imagem e do Som do Cariri)
Foto: do Museu Histórico de Quixadá


No próximo dia 29 de junho, daqui há pouco mais de um mês, ocorrerá o transcurso dos 50 anos da morte de um dos maiores nomes da cultura popular brasileira, o poeta popular e cantador cratense Cego Aderaldo.
Aderaldo Ferreira de Araújo, nome de batismo do lendário Cego Aderaldo, nasceu em Crato, no dia 24 de junho de 1878, vindo a falecer em Fortaleza, com 89 anos, no dia 29 de junho de 1967.
Embora nascido em Crato, Aderaldo começou sua vida artística na cidade de Quixadá, após perder a visão em um acidente. Com o falecimento da mãe, Cego Aderaldo decidiu viajar pelos sertões nordestinos, cantando seus versos acompanhado de uma rabeca e disputando desafios de repente com outros cantadores. É lendário o desafio mantido com o também famoso cantador piauiense Zé Pretinho, ocorrido em 1914 e registrado por Firmino Teixeira do Amaral no cordel “A peleja de Cego Aderaldo e Zé Pretinho”, ficando, igualmente, imortalizado na memória e no imaginário popular.

Edições Anteriores:

Setembro ( 2017 ):

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30