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13 novembro 2017

O sussurrar das canções - Por: Emerson Monteiro

Houvesse o Sol ter que nascer sem o cantar dos passarinhos, sustento minhas dúvidas se com isso Deus concordaria. Nalgumas frases apenas as canções tocam forte nas fibras da alma da gente. Querer justificar o que cativam as melodias, nas letras, nos fás sustenidos, nas longas e breves, ninguém explica. E de onde elas vêm, quem sabe?! Doutros astrais, de longe das vistas, de longe, bem de longe decerto. Do campo das musas de profundas inspirações. Chegam aos abismos de dentro e ali permanecem plantadas para sempre na consciência distante. A beleza da poesia, da arte, da essência, que alimenta o desejo de felicidade traz consigo as pautas, os ritmos, o andamento...

Nunca esqueço o clima das canções que me fizeram a cabeça. Dos dias, daquelas horas santas de quando as ouvi. Bem claros os momentos, o estado de espírito, os sonhos incendiários. Lembro até das pessoas com quem, à época, mantinha aproximação e dividia as apreensões. Juntos tais pedaços de existências, posso, inclusive, formar, de novo, aquele eu que pensava ser e vagava nas calçadas do passado, e sofria, e angustiava, e ansiava. Espécie de romantismo crônico invadia os estágios entre as duas realidades e as canções trazidas à trilha sonora dessa perpetuação que hoje observo reviver nas audições daqueles turnos e de agora, únicas e iguais nos labirintos dos ouvidos.

É quando escutamos a melodia, as letras, os tons, que daí advêm quadros que apresentam primeiro os sentimentos, e só depois os pensamentos que dali nasciam e salvos continuam. Tantas épocas de milhões de rostos anônimos que desfilavam à frente dos olhos, enquanto aos ouvidos vem esse comando insistente, definitivo, da música imaginária.

De comum, resumem ser saudade isso que se sente diante do que foi sem chances de regressar, a não ser que a música não houvesse, pois, de voltar. Saudade, que disseram tratar de palavra do Português no Brasil, com exclusividade. Saudade que vem de solidão, solidade, sordade, até virar saudade, tal jiló que arde nas entranhas da pessoa que padece. A música possui  condão de mexer o íntimo e reinventar do que sobrou através da arte, na sensibilidade, no sentimento que resta ao fim de nada mais. Uma fala doce que sussurra no peito as mesmas emoções antes vividas, tocadas de perto, guardadas com extremo zelo nos acordes e percussões.

De tanto esperar o invisível dos tempos, terminamos aceitando escutar, pelo sentido espiritual da audição, a presença forte e distante de tudo que retivemos às dobras do sentimento; são as músicas, que falam disso e alimentam a certeza da alegria eternizada em nós escondido na ausência. Por isso, bem melhor agora abrigar os acordes da canção no prazer de estar bem aqui e viver de novo tudo de bom.

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