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09 outubro 2017

Histórias alheias III - Por: Emerson Monteiro

Quero contar algo que, outro dia, encontrei no livro Sobre a rocha, de Mark Finley.

Disse o autor que o premier russo Nikita Khrutchev, ao fazer importante pronunciamento diante do Soviet Supremo, na antiga União Soviética, discurso no qual denunciava os excessos da liderança de Stalin à frente do Império russo, em que cometera as piores misérias e assim caía no ostracismo, em seguida recebeu um bilhete que o deixaria por demais furioso. Lera no papel o seguinte: Premier Khrutckev, o que o senhor estava fazendo quando Stalin cometeu todas essas atrocidades?

A primeira reação do líder russo seria desafiar o autor das mal traçadas linhas a que possuísse hombridade suficiente e quisesse revelar a identidade diante de todos, naquela ocasião.

Mediante o silêncio que se fizera de resposta, Khrutchev outra alternativa não lhe houve senão abrir do verbo e gritar que fazia, naqueles trágicos tempos, o mesmo que o autor do bilhete. Isto é, que estava fazendo exatamente nada!, pois tinha medo de ficar marcado e sofrer consequências inimagináveis.

Quantos são assim, quase de comum mornos, convenientes, coniventes, omissos... Não só no antigo Império dos russos, porém nos outros impérios da hipocrisia humana. O medo de ser, de manifestar a urgência das atitudes e fugir ao mesmismo da neutralidade circunstante, indiferente...

O gesto dagora significará as razões do futuro, no entanto. O plantio desse instante importará sobremaneira no desenrolar dos acontecimentos posteriores. E tantos baixam a cabeça aos desmandos administrativos, às arbitrariedades e aos engodos que nutrem os aleijões da história. Isso em tudo por tudo, face aos mil motivos que regem fatores inexplicáveis da raça humana.

Ora cruzamos oceanos de palidez dos líderes interessados tão unicamente na projeção de valores individuais ou de grupos.

Chegará, decerto,
o momento quando, de dentro da multidão silenciosa, ser-se-á indagado o que fazíamos perante tamanhas arbitrariedades e desmandos. Desde agora preparemos o discurso que revidará em dizer que apenas imitávamos os outros indiferentes, que vivem as injustas contradições da acomodação das horas neutras que o passado apagou das consciências.

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