xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 07/01/2017 - 08/01/2017 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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25 julho 2017

E se a moda pega?... ‘‘O mundo pelo avesso’’ – por Pedro Esmeraldo

Não sabemos como começar, mas desejaríamos fazer pesquisas sociais a fim de conseguir com o pensamento infiltrado nos meios sociais para descobrir a verdadeira causa do pessimismo da sociedade cratense. Muitos andam pelo avesso: não lutam e trabalham para o erguimento do crescimento técnico do município de Crato. Somos cidadãos que praticam as atividades que poderiam levar o Crato ao caminho da realeza: que seria o estímulo do desenvolvimento. Infelizmente, não utilizamos a igualdade social e o desenvolvimento urbano e não consegue dar a melhoria de condições de vida para alcançar o crescimento de equilíbrio ético.
O que observamos é uma luta desigual entre os municípios.
Há deles que não pensam pensam em formar uma sociedade abrangente e que poderiam avançar o homem com o anseio de trazer melhores perspectivas no trabalho profícuo que poderia mostrar boas qualidades técnicas.
Examinamos portanto que alguns dos municípios caririenses  só pensam em si mesmo. Não querem crescer juntos com outros municípios irmãos. Não  há compreensão mútua e querem que os cidadãos vivam de baixo do seus pés, isto é, desejam pisar de mansinho no município do Crato. Lembrem que estamos no crescimento industrial, pois notamos que o Crato só recebe migalhas e nos deixam com o pensamento negativo.
Quando acabam vem com conversas esfareladas, dizendo que a população cratense não possui representação no Congresso Nacional e nem na Assembleia Legislativa do estado. Querem dizer que somos desprestigiados e não tentamos conseguir nada ao nosso favor.
Vivemos sem alegria e sem avançar, mas permanecemos com o pensamento obscurecido que  nos empurra para a queda do esquecimento governamental.
Por isso, estamos alheios, de queixo caído e esquecidos. Aqui agora vamos responder aos insultos desse povo que nos arranca tudo que temos e querem reagir as atitudes de palavras ofensivas que nos leva a permanecer na omissão e que finalmente nos deixa entristecidos.
Na semana passada vimos um artigo ma revista ‘‘A Província’’ que com muito ardor foi publicado esse artigo escrito (...) pelo escritor que possuímos pensamentos que há anos vimos esquentando a população cratense e que o poder maioral estado estamos absorvido no desprezo do município de Crato.
Olhem senhores, o Crato tem o poder milagroso da natureza que é a chapada do Araripe com o panorama exuberante que se desse um estímulo faria vir a vista maviosa desse imenso chapadão e o Crato poderia readquirir e reerguer o enobrecimento e o crescimento que tínhamos antes. E agora pedimos sejam contemplativos com o Crato porque o mesmo poderá se equilibrar dentro das normas democráticas, satisfazendo os bons anseios de município civilizado. Sejam coerentes com o Crato. Poderemos formar uma corrente de atividades éticas e fazer uma campanha plebiscitária a fim de enquadrar o Crato no Pernambuco.
O Crato não é bagre podre para que venham satisfazer o desejo do povo que tem o desejo de transformar o Crato, mais atuante, e tenta celeremente alevantar o espirito seguindo o caminho da grandeza e da prosperidade.

24 julho 2017

O renascer da esperança monárquica na Rússia

Bandeira da Rússia Imperial

    A Rússia também está junto ao Brasil, Romênia, Sérvia, Geórgia e França entre os países em que, cansada dos malefícios e dos desgastes causados pelo regime republicano, a população começa a se voltar para a restauração da Monarquia como uma solução natural para os problemas nacionais.
   O jornal “The Moscow Times” noticiou que, na madrugada da última segunda-feira, dia 17, mais de 60 mil fieis, incluindo membros da Duma (parlamento russo), participaram de uma procissão, em Ecaterimburgo, em homenagem ao Czar Nicolau II da Rússia, à sua esposa, a Czarina Alexandra, e aos cinco filhos do casal, o Czarevich Alexei e as Grã-Duquesas Olga, Tatiana, Maria e Anastácia, todos cruelmente assassinados pelos bolcheviques, há 99 anos, no dia 17 de julho de 1918. Em 1981, a Família Imperial foi canonizada e reconhecida como Santos Mártires e Portadores da Paixão, pela Igreja Ortodoxa Russa.
   A procissão começou às três horas da manhã, no local em que a Família Imperial foi assassinada, e terminou às sete horas, com uma oração no local em que seus corpos foram inicialmente enterrados, sobre o qual foi construído um monastério. Muitos fieis trajavam uniformes e vestidos usados à época do reinado do último Czar, e levavam imagens dos membros da Família Imperial.
   É impressionante ver que, mesmo após ter passado mais de 70 anos sob o jugo da ditadura comunista da famigerada União Soviética, o sentimento monárquico permanece vivo e pujante entre os russos, sobretudo os jovens – de acordo com uma pesquisa feita em março, 37% dos jovens russos entre 18 e 34 anos se declararam favoráveis à restauração do regime monárquico no País; e como esse número só faz crescer, está claro de que o futuro da Rússia é monárquico!
   Agora, após décadas de exílio, os membros remanescentes da Família Imperial são cada vez mais requisitados e presentes na vida nacional, com a Grã-Duquesa Maria, atual Chefe da Casa Imperial da Rússia, e seu filho e herdeiro, o Czarevich George, sendo extremamente bem recebidos em todas as partes do enorme País. Oficiais do alto escalão do governo já deram seu apoio para que a Família Imperial volte a residir permanentemente na Rússia, e um membro do alto clero da Igreja Ortodoxa Russa declarou que a igreja deve participar ativamente das discussões acerca de uma restauração monárquica.
Postagem original: Facebook Pro Monarquia
Foto abaixo: Sua Alteza Imperial a Grã-Duquesa Maria Vladimirovna, Chefe da Casa Imperial da Rússia.

Dentro das paredes deste lugar - Por: Emerson Monteiro

Ainda que visse lá de fora pela janela, era tudo, no entanto, o mundo cinza permaneceria quando vieram os primeiros raios de sol rasgando nuvens que passeiam pelo céu. Fome de tudo. Um gesto interno de pura vontade no querer transformar emoções antigas em máquinas de superação da dor. Pois o impulso de continuar vivo investe contra a vidraça feito besouro teimoso de permanecer aqui mesmo que o fastio queira tomar conta do universo em volta.

Ele sai batendo nos objetos espalhados pelo chão. Mochilas de antigas cavalgadas, rastros de campos de batalha e marcas de sangue espalhadas nas árvores secas da caatinga. Pedaços de saudades escorregando feitas formigas impacientes através das telas do horizonte. Fiapos de melodias. Nervos e engrenagens percorrendo o corpo inteiro, por se saber passageiro preso dentro da velha cápsula rumo do céu do infinito. Enquanto isso, as pessoas, que vêm e vão, acenam pela porta entreaberta nos cumprimentos agradáveis de parceiros da jornada em outros veículos iguais. Sabe que elas gostam dele. Respeitam sua história, sem com isso poderem sentir o tamanho da dor de existir que lhe fere o peito com a intensidade dos mil sóis.

Se as frestas todas se abrissem num único instante por certo dividiriam o passado interminável por milhões, daí querer responder a questão do porquê do que atravessa premido naquelas circunstâncias. Pisa quase automaticamente os passos que caminha. Solto pelo ar, voa integrado ao corpo do bólide que conduz, na missão da vida. Passageiro, comandante, deus. Olhos acesos, de algum ponto do espaço lhe contemplam o andamento da jornada. Deixaram de compor o quadro interior dos pensamentos, pois revelaram pouca razão de pensamento. Eles desaparecem do jeito que chegam, longe de mudar o nível de energia que alimenta os motores da nave.

Com isso, dias passam, os astros, os animais, as cores, as visões fantasmagóricas do destino, as amarguras, os sonhos. Passam, passam, passam pelas janelas, mexendo nos sentimentos. Pequenos filamentos de antigos módulos formam os restos das bodas que sumiram no escuro dos mares, fora, no céu imenso. Só permanece consigo os traços deste presente que unem com o presente seguinte, quais bolhas que nunca param de formar novos mistérios do foco de existir. Só isto. E sabe que há tantas conexões disponíveis todo tempo. Elas aparecem num dos lados da tela principal.

22 julho 2017

Uma esperança mais próxima - Por: Emerson Monteiro

Diante do tanto que acontece neste velho mundo dagora, qual houvessem os seres humanos simplesmente esgotado as possibilidades coletivas e quisessem pensar em si para consigo, do ego mais adentro, quem for podre que se quebre, por que chorar ainda outro tanto, invés de erguer a cabeça e elevar as vistas no horizonte, e saber do Bem maior que a tudo rege? Significa, sim, vontade soberana, desejo de alternativas sábias. Rever os padrões da sorte cega e refazer a assinatura da esperança. Baixar a bola do desespero agressivo e cuidar de bom gosto das novas chances que sempre indicam a Natureza mãe?!

Que esgotar, esgotaram as chances, isso confessam há tempo os índices e as pitonisas. Porém perder por perder fica feio a quem desejou singrar os mares e viajar céus infinitos. Controlou os ares, acalmou os mares, desvendou as dúvidas matemáticas, sem, no entanto, conter o touro bravio da dor entre os tais seres vivos. Humildade, resta, pois, aceitar ser humildes. Olhar de lado e ver o quanto de semelhantes palmilham o mesmo chão. Abrir as portas do coração e partilhar tesouros, as notícias do mistério e o desejo maior de felicidade equitativa. Querer, enfim, pacificar a fera acuada, que vaga solta nos escuros glaciais, e aceitar de om grado uma paz duradoura. Nutrir bichos menos indomáveis e sonhar novidades que promovam os bens de salvação desse trem das amarguras em que tornaram a vida dos muitos trabalhadores. Justiça, solidariedade e confiança, formas ideais de convivência, revelações da política verdadeira de filósofos e profetas geniais.

Enquanto isto, vem o sol das almas com seu brilho de coração em festa. Inova o prisma de cores incontáveis, nos fenômenos inclusive de dentro do próprio corpo que nos conduz, máquina livre e perfeição absoluta. Admitir a esperança qual gênero de primeira necessidade. E permitir sinceridade em todo sorriso que preencha de luz os dias da eterna Humanidade.

(Ilustração: Cristo na tempestade no Mar da Galileia, de Rembrandt).

A relação de Dom Luís Antônio dos Santos com Crato -- por Armando Lopes Rafael (1ª parte)

A revista "A Província", edição de julho/2017, publicou um artigo de minha autoria com o título acima. Republico-o aqui no Blog do Crato, dividindo-o em postagens pelos próximos dias.
 Armando Lopes Rafael

    
         Em 29 de setembro de 1861, Dom Luís Antônio dos Santos (foto acima) fez sua entrada solene no Ceará, a fim de tomar posse na nova diocese para a qual fora nomeado.  E já no dia 3 de dezembro do mesmo ano, fez ele seu primeiro contato com a população cratense. Dom Luís enviou uma carta aos fiéis da Freguesia do Crato, solicitando ajuda para a construção de um Seminário Católico em Fortaleza, sede da diocese. Na correspondência constava este parágrafo: “Nós, amados filhos, com as vistas em Deus e nutrindo a mais bem fundada esperança de sermos atendidos, recorremos a vossa caridade e vos pedimos, em nome da Igreja Católica, nossa boa Mãe, e em nome da pobre e ainda nova Igreja Cearense, uma esmola. É um Bispo pobre que vos pede uma esmola, não para engrandecer e aformosear sua casa, mas para vós mesmos, para vossos filhos e vindouros que, bendizendo a vossa memória, se utilizarão do edifício que queremos legar à Diocese da Fortaleza”.

         A carta foi dirigida ao Pároco de Crato, Pe. Manoel Joaquim Aires do Nascimento. Este nomeou uma comissão, composta por seis notáveis da cidade (o Pároco era um deles), para angariar as doações pedidas pelo bispo. A população cratense não decepcionou Dom Luís Antônio. Irineu Pinheiro, no seu livro “O Cariri”, arremata: “Depois de pouco mais de uma década, recompensou regiamente Dom Luís as populações do Cariri, que o ajudaram a edificar o Seminário de Fortaleza, dando-lhes de presente o Seminário São José de Crato”. Instituição que ainda hoje está em atividade, formando o clero de cinco dioceses de três Estados nordestinos.

As três viagens que Dom Luís fez a Crato
    Eram precárias as comunicações na Província do Ceará, na segunda metade do século XIX. Cento e dez léguas (cerca de 660 km) separavam Fortaleza, a capital da Província, localizada às margens do Oceano Atlântico, da cidade de Crato, esta situada nas faldas da Chapada do Araripe, já na fronteira com Pernambuco. Chegavam a durar cerca de trinta dias uma viagem entre essas duas cidades, naquele tempo. Esses deslocamentos eram feitos utilizando-se as precárias estradas vicinais constituídas, na maioria das vezes, de simples veredas.
    Para as viagens, naquela recuada época, utilizavam-se animais. Nos primeiros meses do ano, temporada das chuvas – devido aos lamaçais e aos riachos a serem transpostos – aqueles deslocamentos poderiam demorar ainda mais. Não raro, alguns trechos das veredas ficavam, dias, intransitáveis. Também nos meses da estiagem os obstáculos eram grandes! O sol escaldante, o forte calor e as estradas poeirentas constituíam um cenário monótono, durante os longos e cansativos dias das viagens, em meio à paisagem cinzenta da vegetação seca da caatinga.
     O primeiro bispo do Ceará, Dom Luís Antônio dos Santos, durante o tempo em que morou neste Estado (entre 1861 a 1881), enfrentou essas dificuldades, vindo três vezes a Crato. A sua primeira visita ocorreu de 8 a 16 de outubro de 1863. Nos oito dias em que permaneceu em Crato, crismou durante seis dias. Na manhã da chegada, presidiu a um Te Deum na acanhada igreja-matriz de Nossa Senhora da Penha, cuja torre do lado Sul fora, há pouco, concluída e até dispunha de um relógio. Não existia, portanto, a segunda torre daquele templo, a do lado Norte. Esta só seria erguida quarenta e sete anos mais tarde.  Na primeira vinda a Crato, Dom Luís celebrou missas e fez duas homilias. No dia 11 de outubro de 1863, ordenou um presbítero e um diácono.  Foi a primeira vez que a população de Crato assistiu à imposição de ordens sacras a seminaristas. Resultou dessa primeira visita o surgimento da amizade entre o primeiro bispo do Ceará e o coronel Antônio Luiz Alves Pequeno, o segundo deste nome (1). 
Notas:
1) Houve três coronéis com o nome de Antônio Luís Alves Pequeno, avô, filho e neto. Neste trabalho, falamos apenas do segundo, o que se tornou amigo do bispo do Ceará. Diz o adágio latino “Verba volant, Seripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem). É verdade. A carta abaixo, escrita por Dom Luís Antônio dos Santos ao coronel Antônio Luís, está transcrita na página 428 do livro “Efemérides do Cariri”, de Irineu Pinheiro. A conferir:
“Meu amigo e compadre. Acabo de receber duas cartas, de 16 e 17 do corrente, na segunda dá-me V.S. (Vossa Senhoria) a notícia da passagem da terra para o céu da boa e muito virtuosa menina Ritinha, por tal acontecimento parece em lugar de pêsames deveria só dar parabéns a toda a família, e na verdade, olhando com os olhos da fé, não pode o meu procedimento ser outro. Uma menina, que sempre foi tida por uma das mais inocentes e virtuosas do colégio, ornada com a coroa da virgindade, Deus a chamou, não pode inspirar outros sentimentos senão os de uma santa inveja. Feliz dela que sem as lutas, combates e perigos do mundo ganhou a palma da vitória. Assim se lembre ela de mim perante Deus, como espero.
Na primeira carta pinta V.S. o horroroso quadro desses lugares em consequência da seca. Não sei, meu amigo, o que será da pobre Província do Ceará, pois o que V.S. diz desse lugar, dizem todos dos respectivos lugares de suas habitações. A miséria é real, porque para isto basta ter-se perdido grande parte da lavoura e do gado, miséria que tem aumentado com a especulação de muitos, que sob o pretexto da seca arrebatam o que podia matar a fome aos verdadeiros necessitados.
A ideia de esmola tem feito com que muita gente tenha abandonado o seu canto, onde podia ir vivendo e lutando com a adversidade. Ainda ontem me disseram que nos sambas que fazem os retirantes aqui em suas palhoças, entre as libações, dão vivas à seca de 1877! Na verdade, muitos nunca foram tão felizes como agora. Outros, porém, morrem de fome. O certo é que nada chega, o governo como o auxílio de particulares é impotente por isso a desgraça é irremediável e muita gente morrerá.
Até os ladrões e assassinos se aproveitam da seca! Isto é horrível e V.S. deve estar de sobreaviso e bem prevenido. A sua mudança seria dificultosíssima, entretanto às vezes devem-se largar os anéis para ficarem os dedos. Deus se compadeça de nós. Saudosa visita a toda a família a quem abençoo. De V.S. amigo e compadre, Luís, bispo do Ceará. Fortaleza, 28 de novembro de 1877”.

(continua na próxima postagem)
 Dom Luís Antônio próximo da sua morte, quando era Arcebispo de Salvador (BA) e Primaz do Brasil.
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A relação de Dom Luís Antônio dos Santos com Crato - por Armando Lopes Rafael (2ª parte)

Cel. Antônio Luís Alves Pequeno, o segundo com este nome


Este coronel era um abastado comerciante com matrícula no Tribunal do Comércio de Recife. Para a capital pernambucana ele viajava costumeiramente indo de cavalo até Aracati ou Fortaleza. De lá pegava um navio com destino a Recife, à época o maior empório comercial do Norte do Brasil, onde comprava mercadorias para abastecer sua loja, a maior de Crato. As mercadorias vinham pelo mar de Recife até Aracati. Desta cidade – em carros de boi, que atravessavam todo o Ceará – seguiam em direção a Crato. 
     O coronel Antônio Luís vendia muitos produtos na sua loja, dentre eles: tecidos, livros, ferragens, remédios, louças, charutos, rapé, vinhos, remédios e até manteiga que vinha acondicionada em barris. Graças à hospitalidade que o abastado coronel ofereceu ao Bispo do Ceará, nas vezes em que este visitou Crato surgiu entre os dois um clima recíproco de admiração e respeito. Mais do que isso, viraram compadres e amigos. Basta lembrar a atuação do coronel, junto ao bispo, em favor do seminarista Cícero Romão Batista, este afilhado de crisma de Antônio Luís. Quando ficou órfão do pai, em 1862, o jovem Cícero Romão Batista teve de interromper seus estudos, no Colégio do Padre Rolim, em Cajazeiras (PB). Retornando a Crato, Cícero, então com dezoito anos, acompanhou as dificuldades financeiras da mãe viúva e das duas irmãs órfãs de pai.
      A partir daí, o coronel Antônio Luís tomou sob sua proteção os estudos do afilhado. Em 1864 o jovem Cícero Romão Batista foi matriculado no Seminário da Prainha, em Fortaleza. Como a família de Cícero não dispunha de recursos financeiros para pagar as despesas com o estudo, o coronel Antônio Luís conseguiu com Dom Luís que seu afilhado fosse matriculado gratuitamente. Entretanto, já em 1868, o reitor do Seminário, o padre francês Pedro Chevalier, resolveu dispensar o seminarista Cícero, taxando-o de aluno fraco em teologia, além de dado à leitura de obras de ocultismo.  Mas, oficialmente, a desculpa para a dispensa de Cícero foi a falta de recursos do Seminário, para manter o estudante gratuitamente.
     Segundo Nertan Macedo: “O coronel Antônio Luís montou no seu cavalo e atravessou o sertão do Ceará para garantir a educação do afilhado. Cícero pôde, então, passar à condição de pensionista e concluir o curso. Em novembro de 1870, o reitor Pedro Chevalier fazia ver a Dom Luís Antônio dos Santos que Cícero não estava em condições de ser ordenado, alegando tratar-se de um moço teimoso e dado a visões do outro mundo. Mas o prestígio do padrinho, junto ao bispo, valeu-lhe, mais uma vez, e Cícero, no dia 30 de novembro de 1870, recebia a ordem do presbiteriato, voltando para Crato, a fim de ensinar latim, na escola do primo José Joaquim”.
       Voltemos a Dom Luís Antônio dos Santos. Sua segunda visita a Crato ocorreu em 1872. O destaque dessa visita ficou por conta do apelo feito por Dom Luís Antônio para início de trabalhos de melhoria na velha e inacabada igreja-matriz cratense. Com efeito, no dia 18 de setembro daquele ano, Dom Luís nomeou uma comissão – composta, como sempre, pelos notáveis da terra – para tirar a igreja-matriz de Crato do “estado de abjeção em que se achava”. Nessa comunicação, o primeiro Bispo do Ceará acrescentou: (a igreja-matriz) “não corresponde de nenhum modo aos religiosos sentimentos dos numerosos e abastados habitantes de toda a paróquia, pois além de nunca ter sido acabada, muitas cousas de primeira necessidade lhe faltam, o que não era de esperar da matriz de uma opulenta e religiosa cidade como o Crato...” Dom Luís concedeu, ao final da sua mensagem, indulgências aos que concorressem com doações de qualquer espécie para a restauração da igreja de Nossa Senhora da Penha da nobre e heráldica cidade de Crato.
    Já a terceira e última permanência de Dom Luís em Crato durou sete meses, e não seis meses como sempre escreveram os historiadores. Com efeito, ele aqui chegou no último dia do ano, ou seja, 31 de dezembro de 1874, e só retornou a Fortaleza nos primeiros dias de agosto de 1875. Veio para acompanhar a construção do Seminário São José, epopeia da qual falaremos adiante.

(Continua na próxima postagem)

A relação de Dom Luís Antônio dos Santos com Crato (3ª e última parte) 
Crato em 1859 (aquarela de José Reis)

Um homem corajoso e dotado de fé
    Dom Luís veio ao mundo, no dia 17 de março de 1817, em Angra dos Reis, cidade localizada em meio à Mata Atlântica, na região conhecida como Costa Verde, a 155 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro. Angra dos Reis é um lugar de rara beleza, cercada pelo verde das matas e pelo azul das águas do oceano. Em seu entorno existem 365 pequenas ilhas. Consta que, quando os portugueses descobriram o Brasil, chegaram a uma angra (ou seja, uma enseada aberta no litoral com costas altas) no dia 6 de janeiro de 1502, dia dos Santos Reis. Eis aí a razão do nome desta cidade fluminense
   O menino Luís Antônio dos Santos desfrutou, na sua infância, daquele cenário tropical de Angra dos Reis. E, quando adolescente e adulto, sempre viveu em lugares onde predominava o verde e um clima ameno. Deve ter estranhado muito, quando, já na posição de primeiro bispo do Ceará, defrontou-se com a vegetação da caatinga do sertão cearense. Um tipo de mata pouco densa, composta por árvores de pequeno porte que se desfolham completamente, nos meses da estiagem. A caatinga é marcada pela irregularidade de chuvas, pela forte insolação, baixa nebulosidade e altas temperaturas. Bem diferente da natureza abençoada de Angra dos Reis.
     Ainda adolescente, Luís Antônio estudou com o Padre Antônio Viçoso, no Colégio de Jacuecanga, na sua cidade natal. Naquela época, já sentia inclinação para o sacerdócio. Teve a sorte de ser acompanhado pelo virtuoso Padre Viçoso, um santo homem, e conviver, por longos anos com ele, que depois seria nomeado bispo da diocese de Mariana (MG). Dom Antônio Viçoso caminha para ser declarado santo da Igreja Católica, já que seu processo de beatificação está em análise no Vaticano. Já foi declarado Servo de Deus, um estágio da longa etapa antes de ser declarado Beato. Graças à atuação e orientação de Dom Viçoso, a Igreja Católica no Brasil ganhou ótimos sacerdotes e missionários. Um deles já foi beatificado. Trata-se do Beato Padre Francisco de Paula Vítor, nascido em Minas Gerais, o primeiro escravo negro a atingir o sacerdócio no Brasil. Outros três alunos de Dom Viçoso foram eleitos bispos e morreram com fama de santidade. São eles: Dom João Antônio dos Santos, bispo de Diamantina (MG); Dom Pedro Maria de Lacerda, bispo do Rio de Janeiro, e Dom Luiz Antônio dos Santos, primeiro bispo do Ceará.

Dom Luís gostava da cidade de Crato
    Antes mesmo de visitar Crato, pela primeira vez, Dom Luís Antônio dos Santos já havia feito um ato concreto em defesa da saúde dos seus diocesanos residentes nesta cidade. Em maio de 1862, ocorreram em Crato os primeiros casos de cólera-morbo, que viria a provocar a morte de cerca de 1.100 cratenses. O historiador Irineu Pinheiro fez o seguinte registro no seu livro Efemérides do Cariri, à página 148: “1862, 17 de Junho – Fundado em Crato, na estrada entre esta cidade e Juazeiro, por ordem de Dom Luiz Antônio dos Santos, primeiro bispo do Ceará, o cemitério dos coléricos, o qual mediu vinte braças de largura e quarenta e três de profundidade. Foi benzida em frente dele pelo padre João Marrocos Teles uma cruz de madeira, mandada erguer pelo pároco do Crato, Manoel Joaquim Aires do Nascimento. Morreram da epidemia o padre Marrocos e Joaquim Romão Batista, pai do Padre Cícero Romão Batista”.
    Homem culto e, ao seu tempo, bem informado, Dom Luís sabia que o Cemitério Bom Jesus dos Pecadores (hoje denominado de Nossa Senhora da Piedade) de Crato não era o local certo para sepultar as vítimas de cólera-morbo, pois isso poderia contribuir para alastrar o contágio da moléstia. Para tanto, em 1862, determinou a improvisação de novo cemitério, distante, dois quilômetros do centro de Crato, no local onde hoje fica a subestação de energia da COELCE, no bairro São Miguel.
A grande obra de Dom Luís em Crato: o Seminário São José
   O Seminário São José de Crato foi fruto de um desejo de Dom Luís, com o objetivo de ampliar a divulgação da Boa Nova de Cristo e salvar almas, no território da sua vasta diocese, a qual, à época, compreendia todo o Estado do Ceará.  Para concretizar esse anelo, e depois de ter recebido sugestão nesse sentido, em 1871, do recém-ordenado Padre Cícero Romão Batista, Dom Luís encaminhou – em 1872 – dois padres lazaristas, – padres Guilherme Van den Sandt (alemão) e José Joaquim de Sena Freitas (português nascido no arquipélago dos Açores) – para realizarem uma missão religiosa, em terras do Cariri cearense. Os dois missionários lazaristas ficaram encantados com o progresso da cidade e com o entusiasmo com que a população acolheu as missões.
     Os dois padres receberam orientação para angariar doações visando à construção de um Seminário Diocesano, na cidade de Crato. Depois disso Dom Luís Antônio enviou para Crato o padre italiano Lourenço Vicente Enrile, para acompanhar a construção do vasto prédio, que seria erguido em grande terreno doado pelo coronel Antônio Luís Alves Pequeno, no aprazível subúrbio, à época conhecido como Grangeiro, hoje denominado bairro do Seminário. Logo faltaram os recursos para dar continuidade à construção. Então Dom Luís Antônio resolveu deslocar-se de Fortaleza para Crato, ficando ele próprio à frente dos trabalhos. Aqui chegou no dia 31 de dezembro de 1874.
       Durante sua estada em Crato, foi-lhe preparada uma residência episcopal pelo seu grande amigo e compadre, coronel Antônio Luís Alves Pequeno, que arcou também com as despesas de cama e mesa de Dom Luís Antônio e sua comitiva. A residência ficava num sobrado localizado na esquina da atual Rua João Pessoa com Praça Juarez Távora. Como sempre, a população de Crato acolheu com festas, respeito e muita alegria o primeiro Bispo do Ceará. Pôs-se Dom Luiz à frente da construção, mas, dada a grandiosidade da obra, o Seminário São José foi inaugurado, em 07 de março de 1875, em barracões provisórios, feitos de taipa e cobertos de palha, enquanto a construção dos blocos de alvenaria tinha prosseguimento. O povo cratense apelidou os barracões de taipa de “seminarinho”. Este funcionou com salas-de-aulas, dormitório, refeitório, cozinha e uma pequena capela até o mês julho, quando foi concluído o lado sul do atual prédio do Seminário São José.
         Estava realizado o grande sonho de Dom Luís, dotar  Crato do seu Seminário, que vem funcionado, com algumas interrupções nos primeiros anos, até os dias atuais. Nos início de agosto, Dom Luís Antônio retornou a Fortaleza para nunca mais voltar às terras caririenses. Em 1881, Dom Luís foi transferido para Salvador, como Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil, e lá permaneceu até 11 de março de 1891, data do seu falecimento. Foi sepultado na capela do Santíssimo Sacramento da Catedral de Salvador.

Uma personalidade rica e marcante
    Dom Luís Antônio dos Santos, apesar de ter nascido numa família humilde, tornou-se – ao longo da sua existência – uma pessoa dotada, naturalmente, de gestos fidalgos, modos educados, lhaneza no trato com as pessoas, principalmente as mais humildes. Foi também um aristocrata, no sentido literal da palavra. No período monárquico, foi agraciado, em 16 de maio de 1888, com o título de Marquês de Monte Pascoal, honraria concedida pela Princesa Isabel, a Redentora, quando esta governava o Império do Brasil como Princesa Regente, na ausência de seu pai, o Imperador Dom Pedro II. Dom Luís era ainda cavaleiro da Imperial Ordem de Cristo e oficial da Imperial Ordem da Rosa, duas condecorações criadas na vigência do Império do Brasil.
           No entanto, ele nunca usou nem ostentou esses títulos. Sequer falava neles. Nunca mudou, em momento algum, o seu modo simples e despojado de viver. Durante a terrível seca de 1877 a 1879, quando era Bispo do Ceará, presenciando milhares de pessoas atacadas pela varíola e morrendo de fome, Dom Luís Antônio deu o testemunho de amor ao próximo e protagonizou cenas de verdadeiro heroísmo. Ajudava como podia. Sem temer o contágio da doença, Dom Luís tinha por hábito percorrer os imundos tugúrios e as barracas de palha, que proliferavam nas periferias de Fortaleza, para levar uma palavra de conforto aos flagelados. Chegava, por vezes, a deitar-se nas esteiras nauseabundas dos pestosos, para ouvi-los em confissão. Diante de tão deprimente cenário, Dom Luís Antônio fez uma promessa pública: cessadas as calamidades, o Ceará seria consagrado ao Sagrado Coração de Jesus. Também seria construída, na capital do Estado, uma igreja, com a finalidade de incentivar a todos que desejassem crescer na amizade ao coração manso, humilde e misericordioso do Cristo Jesus... Dom Luiz Antônio, antes de deixar o Ceará, cumpriu ambas as promessas!

(*) Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro Correspondente da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris, de Salvador (BA).


Uber chega ao Cariri

Fonte: jornal O POVO, 22-07-2017.
Após um ano e três meses de serviço em Fortaleza, Juazeiro do Norte será o segundo município cearense a receber a Uber. O aplicativo de transporte particular está cadastrando motoristas na cidade do Cariri. Os cadastros começaram na última quinta-feira, 20, pelo site uber.com/dirija. Não foi informado quando o sistema entrará em operação na Cidade. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, a plataforma opera em mais de 60 cidades do Brasil.
Para realizar a pré-inscrição, os motoristas devem fazer o cadastro no site, incluir a Carteira Nacional de Habilitação com a observação Exerce Atividade Remunerada (EAR) e cadastrar o veículo (que deve ter sido fabricado a partir de 2008, ter quatro portas e ar-condicionado).
A Uber ainda não é regulamentada em Fortaleza. Para trabalhar com a plataforma, motoristas têm conseguido liminares na Justiça. As decisões normalmente determinam que a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) e a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) não realizem quaisquer atos ou medidas repressivas com fundamento de transporte irregular ou clandestino.

21 julho 2017

Comparando os ministros do Império com os ministros da república

Como eram os ministros na época da monarquia


   Os ministros do reinado do Imperador Dom Pedro I reduziram seus ordenados à metade do que eram na época do Rei Dom João VI, quando havia mais prosperidade. Ficaram em quatro contos e oitocentos mil réis anuais, pagos mensalmente.
   O Patriarca da Independência, José Bonifácio, recebeu, certa vez, seu salário de quatrocentos mil réis, meteu as notas no fundo do chapéu e foi para o teatro, onde lhe roubaram o chapéu e o conteúdo. No dia seguinte, achou-se sem ter com que mandar comprar o jantar, e seu sobrinho, Belchior     Fernandes Pinheiro, foi quem pagou as despesas do dia.
   Em reunião do Conselho de Ministros, José Bonifácio referiu esta ocorrência e a extrema necessidade a que ela o reduziu e à sua família. O Imperador, generoso, entendeu que o Ministro, visto a penúria em que se achava, deveria ser indenizado, pagando-se-lhe outro mês de ordenado, e, neste sentido, deu ali suas ordens a Martin Francisco, irmão de Bonifácio e Ministro da Fazenda.
    Mas Martim Francisco não obedeceu. Argumentou com o Soberano que não havia lei que pusesse a cargo do Estado os descuidos dos empregados públicos; que o ano tinha doze meses para todos, e não treze para os protegidos; e, finalmente, pediu a Sua Majestade que retirasse a ordem, por ser inexeqüível e por que ele, Martim Francisco, repartiria com o irmão o seu próprio ordenado, e viveriam ambos com mais parcimônia naquele mês. Isto seria melhor do que dar ao País o funesto exemplo de se pagar ao Ministro duas vezes o ordenado de um só mês.

(Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de Leopoldo Bibiano Xavier)

Memorial da Imagem e do Som do Cariri Luiz Gonzaga de Oliveira registra:

CDL e Prefeitura homenagearam cratenses que se destacam na cultura local

Por Jackson Bantim (Diretor do Memorial da Imagem e do Som do Cariri)

Os postes da Avenida Maildes de Siqueira, próximos ao Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante, em Crato, durante o período da Expocrato, foram alvo das atenções da grande multidão que participou do maior evento festivo da região do Cariri. Lá, o Clube dos Diretores Lojista do Crato, associado a Prefeitura local, prestou um tributo a diversos cratenses que se destacam em atividades relacionadas às arte, cultura e educação, através da exposição das fotos dos homenageados.
A iniciativa foi bem recebida por toda a opinião pública. Da nossa parte, enaltecemos este ato de reconhecimento às ilustres personagens cratenses.
Vejam algumas fotos:
 



 

20 julho 2017

Criança morre após ser atropelada por micro-ônibus em Juazeiro do Norte


"Parte da Vilalta, em Crato está de luto. Um garoto bastante conhecido, amado por muita gente, chamado Joshua Botelho já não está entre nós. Desanse na glória de Deus, Joshua. " ( Dihelson Mendonça )

Uma criança de apenas cinco anos de idade morreu atropelada por um micro-ônibus na Avenida Padre Cícero, neste Município, por volta do meio-dia desta quarta-feira (19). De acordo com a mãe do jovem, ela estava parada no semáforo, com a criança na garupa da motoneta, uma Yamaha Crypton 50 cilindradas, quando ao sair, foi colhida pelo veículo. “Assim que o sinal ficou verde, nós saímos pelo acostamento e eu senti a pancada da batida”, contou Marciele Botelho, em estado de choque. O jovem Jorchua Botelho, teve morte imediata. Ele usava capacete e um cinto de segurança infantil para moto. “Após a pancada, o micro-ônibus passou por cima do garotinho”, acrescentou uma testemunha. A mãe da vítima sofreu apenas escoriações leves pelo corpo e foi atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Jorchua era o único filho dela. Apesar dos equipamentos de segurança, segundo o Código Brasileiro de Trânsito, é proibido “conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor transportando criança menor de sete anos ou que não tenha, nas circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança”.
O motorista do micro-ônibus de placas OCJ-5027, pertencente a Cooperativa dos Transportes Alternativos de Santana do Cariri. (Coopertasc), identificado como Cícero Alcione Soares, permaneceu dentro do veículo até a chegada da polícia. Ele temia ser linchado por populares. O condutor foi encaminhado a Delegacia Regional de Juazeiro do Norte (20ª Região). Questionado sobre como teria ocorrido o acidente, Cícero disse que só falaria ao Delegado plantonista. De acordo com agentes do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran) de Juazeiro do Norte, será feito uma perícia para identificar as reais causas do acidente. “Não podemos afirmar, de imediato, quem estava errado”, pontuou o agente.

Fonte: André Costa / Diário do Nordeste
Foto: distribuída nas redes sociais.


19 julho 2017

No dia em que me reconciliei com Deus - Por: Emerson Monteiro

Quando perguntaram a um sábio qual o sentido da vida, ele, de pronto, respondeu: - É a vida.

Às vezes, a gente se torna exigente demais com a gente mesma, e esquece viver. É bem isto. Aceitar sem teimar as condições que estão aqui e agora.

Viver é diferente de perguntar, de falar, de querer, de insistir. É viver, pois. É isto que está aqui. Parar e olhar em volta o quanto a vida é bela, e completa. Quando perguntam a um sábio qual o sentido da vida, ele, de pronto, responde
: - É a vida - de comum, a gente é quem inventa o que seja descompasso.

Ser feliz é ser. Ser pra merecer. O mais vem por acréscimo, qual música boa.

E lá um dia, ao morder num chocolate meio amargo, olhos fixos ao sabor inevitável de querer viver com arte, a arte dos chocolates meio amargos, nascerá de dentro a boa disposição de aceitar as condições de ser livre e dominar os conceitos que ensinaram em forma de sacrifício religioso, e vê que o Paraíso é vizinho da casa em que habitávamos há milênios. É só estirar a mão e comer maças, sapotis, ameixas; aspirar e sentir o perfume de todas as flores cheirosas; olhar o firmamento e pular de contente ao som das melhores músicas, festa no terreiro das folias. Olhar nos olhos das pessoas e saber dos que nos veem com carinho, gostam da gente com a mesma felicidade com que a elas nós olhamos. Pulamos de louvor e cantamos as canções que tocam o coração. Dias de plenitude luminosa.

Por isso o amor vive solto no tempo e também nos segredos da alma, por vezes escondido, tímido, calmo, esperançoso. O maestro desta vida somos cada um, força do poder da soberania de um Pai grandioso que escolheu que sejamos assim felizes de ser seus filhos. Nisso, meio desconfiado, meio satisfeito, abrimos os braços e abraçamos emocionados o pai, que de há muito esperava nosso abraço mais saboroso.

Cratensidade: A Mãe do Belo Amor, a devoção mariana mais antiga do Vale do Cariri -- por Armando Lopes Rafael

A imagem da Mãe do Belo Amor, pequena escultura de madeira, medindo cerca de 40 centímetros, é venerada, desde os primórdios da Missão do Miranda – origem da cidade de Crato – que data de 1740, ou seja, há cerca de 275 anos. Esta estátua sempre foi aureolada por muitos fatos pitorescos e lendários. Monsenhor Rubens Gondim Lóssio, escrevendo sobre esta representação da Virgem Maria, em trabalho publicado na revista Itaytera, afirmou: “Herdada dos ancestrais indígenas, existia uma pequena imagem da assim chamada Nossa Senhora do Belo Amor, de todos venerada”.
Não existem documentos sobre a origem da imagem da Mãe do Belo Amor. Também não se sabe, ao certo, se essa pequena escultura já se encontrava no Sul do Ceará, antes de 1740, ano da chegada de Frei Carlos Maria de Ferrara, para catequizar os índios Cariris, quando fundou a Missão do Miranda (depois Vila do Brejo do Miranda), embrião da cidade do Crato. Ressalte-se que, antes da chegada desse frade, já tinha o Vale do Cariri certa densidade demográfica, embora não possuísse ainda nenhum aldeamento ou povoado considerável, o que só veio a se formar após 1740. Daí ser possível que a imagem da Mãe do Belo Amor já se encontrasse no Vale do Cariri, antes da vinda do fundador do Crato.
Presume-se, pois, que até 1745 esta pequena imagem da Mãe do Belo Amor, foi venerada na humilde capela de taipa, coberta de palha, construída por Frei Carlos – substituindo Nossa Senhora da Penha, Padroeira da Missão do Miranda – isto é, até a chegada da imagem da Virgem da Penha que se destinava à Guiné, na África e foi trazida de Recife, em 1641, transferida para Crato em 1745, onde é venerada até os dias atuais.

"Dois bicos de luz para Cego Aderaldo" -- por Rosemberg Cariry (*)


Em tempos de fama, com fotos estampadas nas primeiras páginas dos mais importantes jornais do País, com prestígio entre artistas, políticos e autoridades nacionais, o Cego Aderaldo começou a ser reconhecido também em sua cidade de adoção, Quixadá. Em 1953, a Prefeitura da cidade quis fazer sua parte nesse esforço de reconhecimento e determinou que a residência do Cego Aderaldo tivesse energia elétrica, com “dois bicos de luz” fornecidos pelo poder público. A luz serviria para que os filhos de criação do Cego Aderaldo pudessem estudar e, à noite, ler os livros preferidos do velho cantador.
“Alegria de pobre dura pouco”, como diz de forma sarcástica um provérbio popular em voga ainda hoje no Ceará. Vendo o Cego Aderaldo com energia elétrica em sua casa, alguns invejosos da cidade começaram a fazer uma campanha para que a mesma fosse cortada.

Argumentavam os “fuxiqueiros de plantão”, em nome da “moralidade pública”, que o Cego Aderaldo ficara rico e famoso com a sua viagem ao Rio de Janeiro e São Paulo e que não precisaria das benesses da municipalidade.
Zelosa da sua reputação, a Prefeitura de Quixadá mandou, sem mais demora, cortar o fornecimento de luz na casa do Cego Aderaldo. O acontecimento é manchete nos jornais de Fortaleza. O jornal Unitário, de 21 de junho de 1953, acusa o recebimento de uma carta intitulada “Sem Luz o Cego Aderaldo”. Para quem já sofrera tantas agruras na mão do destino, Cego Aderaldo possuía a sabedoria serena e espirituosa que lhe permitia tirar graça e fazer ironia dos pequenos problemas cotidianos. Aos jornais, declarou-se conformado: “Cego não precisa de luz mesmo, assim como o mar não precisa de água”. Desse jeito, ele ironiza a situação. No entanto, vivia ele em situação pouco auspiciosa. A sua tropa de burros havia morrido de fome e sede, ele estava sem fazer cantorias ou projetar o seu cinema, por causa da crise causada pela seca. Passava necessidades.
Sobre a seca, Cego Aderaldo havia escrito: “E dona Fome na frente,/ Na cadeira do trapiche, / Dizendo: - No Ceará / Tudo é fofo e nada é “fixe” / Juro que aqui nesta terra / Não vinga mais nem maxixe”.
Os versos “No Ceará tudo é fofo e nada é fixe (fixo)” podem ser traduzidos com a seguinte compreensão: no Ceará, nada tem raízes profundas e não se fixa nem na terra nem na alma. Ora atingido por uma natureza inclemente que força o cearense a arribar da terra natal, ora deflagrando-se em guerras instintivas pela sobrevivência, quase sempre governado por uma classe dominante atrasada, egoísta e impiedosa, o cearense construiu a sua história sob o signo da dor e da transitoriedade.
Deixou-nos Aderaldo uma lição. Que nós, cearenses, somos um povo do caminho, em trânsito, em construção, sempre em busca de novidades, sem tempo para reconstruirmos as nossas heranças de humanidades. O passado (de fomes e privações) nos assombra, e o futuro é incerto, então nos resta o agarrar-nos ao presente de forma desesperada, inclusive pelo paradoxo de ser o “presente” aquilo que flui e deixa de ser.

 (*) Rosemberg Cariry, Cineasta e escritor. E-mail:ar.moura@uol.com.br

18 julho 2017

Ainda dá para salvar a República? Na crise, parlamentarismo volta ao debate

Fonte: jornal "Folha de S.Paulo", 18-07-2017.
Para Roberto Freire, a resistência ao sistema se deve ao 'atraso de se imaginar um salvador da pátria'

O parlamentarismo voltou ao debate político como resposta à crise, ainda que a viabilidade de implementação desperte ceticismo inclusive entre entusiastas.
Na semana passada, o senador José Serra (PSDB-SP) conversou com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), sobre a instalação de uma nova comissão especial sobre sistema de governo.
Segundo Eunício, a comissão será instalada em agosto.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, tratou do tema com o presidente Michel Temer há poucos dias e os dois ficaram de retomá-lo em breve.
"Tem de haver uma redução dessa multiplicidade de partidos para que o sistema se consolide. O nosso presidencialismo esgarçou-se demais", observou Gilmar.
"Dos quatro presidentes pós-1988, só dois terminaram os mandatos. Há algo de patológico. Eu quero contribuir para a discussão."
O Brasil, como os EUA, é presidencialista, sistema no qual o presidente é chefe de Estado e de governo. No parlamentarismo, adotado em países como Reino Unido, Portugal e Itália, o governo é comandado por um primeiro-ministro escolhido pelo Poder Legislativo, que pode trocá-lo a qualquer tempo.
A ideia de Serra é colocar em tramitação um projeto de Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), senador licenciado e hoje ministro de Relações Exteriores, para implementar o parlamentarismo a partir de 2022.
"Meu plano é que, no próximo mandato, se faça a transição, o que não significa misturar, fazer algum tipo de 'semi', mas é reestruturar as carreiras", diz Serra.
Os cerca de 20 mil cargos de confiança teriam de ser extintos, afirmou, senão, quando houver mudança de primeiro-ministro, será necessário trocar todo o pessoal.
O ministro Mendonça Filho (Educação), um dos articuladores da reestruturação do DEM, que tem o parlamentarismo como bandeira, afirmou que o novo sistema "consagraria maior nível de governabilidade".

Atalho
Se quisesse, o Congresso poderia dar ares mais palpáveis à discussão, que gira em círculos há décadas no país. Uma PEC (proposta de emenda à Constituição) da Câmara já foi aprovada em comissões e está pronta para ser votada em plenário.
De autoria do ex-deputado Eduardo Jorge, à época no PT, com substitutivo de André Franco Montoro (PSDB-SP) e Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), data de 1995, foi questionada no STF e hoje mofa em alguma gaveta na Câmara.
"Passada essa crise e Michel Temer continuando no poder, a questão pode ter alguma vitória", disse Andrada.
Para o deputado Roberto Freire (PPS-SP), o debate não se concretiza "porque as pessoas defendem com receio de que não tenha viabilidade, e aí fica apenas no ideal".
A resistência se deve, segundo ele, "ao nosso atraso de ficar imaginando que vai se ter um salvador da pátria. Quem se posicionou contra na Constituinte? O PDT, que imaginava eleger Brizola, e PT, que imaginava Lula".
Mendonça Filho acrescenta ao rol de dificuldades a "antipatia natural da opinião pública, que confunde parlamentarismo com Parlamento e suas mazelas".
Mas, ele nota, o sistema "tem uma vacina muito importante : o primeiro-ministro não precisa fazer concessão ao populismo para governar", já que é eleito por parlamentares.
Um dos argumentos contrários é a instabilidade se houvesse trocas frequentes de primeiro-ministro.
Freire rebate. "Em Portugal, chamam até de geringonça, porque é um arranjo de maioria. Se o partido que não faz parte do governo não votar a favor, cai o governo, então ele é muito mais responsável, mais estável."
Em 1993, o parlamentarismo foi rejeitado em plebiscito.

17 julho 2017

Heróis da honestidade - Por: Emerson Monteiro

Diz o sábio chinês Lao-tsé, em O livro do caminho perfeito, que quando o reino está em harmonia, com os súditos vivendo na ordem, zelando pelos seus afazeres, ninguém nem sabe quem é o Príncipe. Porquanto são outras as ocupações diárias, outros os compromissos de trabalho, de família, de folguedos. No entanto haja descompasso, e tudo indicará destino ao trono e suas artimanhas internas.

Muitas horas, as intrigas palacianas surgem das ânsias do poder, da desorganização social e da ambição de aventureiros inescrupulosos. Fazem da política razão de investimentos financeiros, degraus de dominação das massas e ostentação das vaidades humanas. Há estruturas montadas em cima de leis seculares, determinações de contribuição ao enriquecimento, formas rígidas de controle das populações, que enfraquecem nas bases comunitárias e distanciam mais e mais governantes de governados.

Disso as graves indagações dos tempos de como preservar a ordem pública e satisfazer as carências dos países sem ferir a Ética. Novas castas invadiram as instâncias de poder através das instituições, e jamais imaginam, nem de longe, largar o osso das benesses, vindas desde longe, das outras gerações. Nalguns casos, a partir do período colonial. E com isso a força do povo perde em capacidade e determinação de preservar seus reais valores. O reino submete os súditos a caprichos e fúrias, contido esse através da elite privilegiada nas camarinhas das administrações.

Eis o diagnóstico tão velho quanto os piores resumos de períodos históricos idênticos. Falcatruas. Desmandos. Demagogia. Extravagâncias. Injustiças. Clamor maior também nas famílias, que penam sob o peso da responsabilidade que lhes é repassada na Lei soberana, em farsa aparentemente democrática, contudo descomunal.

Porém, a que o barco siga seu curso, persiste a disposição constante daqueles heróis da sobrevivência que, a ferro e fogo, resistem às normas das épocas, na troca de sonhar com os dias melhores que haverão de vir. Que depois das tempestades vêm as brisas suaves que ensinam as lições. São justos, honestos, trabalhadores, movidos pela coragem que alimentam no amor da Verdade original.

(Ilustração: Pieter Bruegel, o Velho, A dança dos camponeses).

Novo livro de Irmã Annette Dumoulin será lançado 4ª feira, dia 19


Tendo como local o Círculo Operário São José, da Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores – de Juazeiro do Norte – será lançado na noite desta 4ª feira, 19, o novo livro de Irmã Annette Dumoulin,  “Padre Cícero, santo dos pobres, santo da Igreja– Revisões históricas e reconciliação”
A Editora Paulinas já disponibilizou uma súmula desta obra, com destaque para o prefácio que foi escrito por Dom Fernando Panico, Bispo-emérito de Crato. A conferir.

Prefácio
“O tempo é o melhor autor; ele sempre encontra um final perfeito”.
      A autoria da frase acima é atribuída ao ator e produtor de cinema Charlie Chaplin. Adaptando este pensamento aos fatos da vida e obra do Padre Cícero, sentimo-nos como envolvidos num sentimento de estarmos vivenciando o início de um “final perfeito”, para a sofrida epopeia protagonizada por este humilde e obediente sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana.
      Razões pelas quais chegamos a esta sensação as temos de sobra!
      Bastaria relembrar o desfecho do pedido – feito pela Diocese de Crato – à Congregação para a Doutrina da Fé, no qual propôs a reabilitação histórica e canônica do Padre Cícero Romão Batista na Igreja Católica Apostólica Romana. Tal pedido, sustentado em sólidos argumentos – frutos de profunda reflexão dos membros de uma comissão, composta por doutos em várias ciências – foi entregue à Santa Sé em 2006, quando eu era o Bispo Diocesano de Crato.
      A resposta oficial do Vaticano só nos chegou às mãos oito anos e cinco meses depois de entregue à Santa Sé. Na audiência de 5 de setembro de 2014, o Papa Francisco, após ouvir as recomendações do Prefeito para Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Müller, não só aprovou as recomendações que lhe foram sugeridas por aquela Congregação, como ainda pediu que se preparasse uma mensagem, da parte da Santa Sé, a ser dirigida aos fiéis do Padre Cícero. [i]
     A decisão favorável do Sumo Pontífice nos foi comunicada pelo Cardeal Gerhard Müller, através de correspondência firmada em Roma, em 27 de outubro de 2014.   Entretanto, até que esta decisão fosse tomada, pelos integrantes da Congregação para a Doutrina da Fé, e fosse referendada pelo Sumo Pontífice, o Papa Francisco, oportuno se faz lembrar que, no decorrer de um século, quase duas centenas de livros foram escritos sobre este esse bom sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana.
     E durante estes cem anos, em meio à perplexidade de tantos devotos do Padre Cícero, foram publicados livros, artigos e reportagens, além de produzidos filmagens, vídeos e outros documentários, feitos por autores os mais diversos. A maioria desse material divulgado pelas editoras e pela mídia saiu em defesa do Padre Cícero. Outros, porém, atacavam a figura desse sacerdote, utilizando ilações subjetivas, algumas raiando o crime da calúnia.
        Quantas injustiças foram planejadas, produzidas e divulgadas contra o Padre Cícero! Quantos autores não respeitaram o direito inalienável à boa fama e a imagem pessoal ilibada que qualquer pessoa desfruta sobre a projeção de sua personalidade, física ou moral, perante a sociedade. Quantos danos, infortúnios e maledicências foram assacados contra a memória desse virtuoso sacerdote. E o pior, isso aconteceu quando o Padre Cícero já não estava mais entre nós para poder defender-se ou para repor a verdade dos fatos.
         Indiferentes a tudo isso, milhares de romeiros – verdadeiras multidões, calculadas em cerca de dois milhões de fiéis, que anualmente visitam Juazeiro do Norte – continuaram a beber na fonte cristalina da espiritualidade do Padre Cícero os ensinamentos que os ajudaram a serem bons cristãos.
Pelo testemunho perene dos romeiros e romeiras na Terra Sagrada do Juazeiro do Norte, não era possível acreditar que Padre Cícero fosse o “heresiarca sinistro” que Euclides da Cunha descrevia no seu livro “Os Sertões”. O Padim Ciço tem algo de muito especial para ser objeto da devoção de milhões de pessoas que veem a Juazeiro para “visita-lo”.
E o Papa Francisco veio reconhecer e abençoar este fenômeno da fé dos pobres.  Quando a Congregação para a Doutrina da Fé escreveu ao Bispo de Crato, em 2001, pedindo que se abrissem os arquivos da Cúria para novos estudos sobre a história do Padre Cícero, descobriu-se muitas peças que faltavam ao quebra cabeça. E com elas, com os documentos todos (mais de três mil) pode-se “montar” uma história que nos diz que o verdadeiro Padre Cícero é aquele que os seus devotos sempre nos contaram que era.
Este livro é a mais nova publicação escrita a partir dessa nova imagem do Padre Cícero que os documentos, recolhidos pela Comissão de Estudos, mostraram ao Vaticano. A autora é a Irmã Anne Dumoulin, nascida na Bélgica, conhecida popularmente como Irmã Annette. Uma religiosa pertencente à Ordem das Cônegas de Santo Agostinho e que há mais de quarenta anos presta relevantes serviços aos romeiros do Conselheiro do Sertão. Este novo livro– "Padre Cícero, santo dos pobres, santo da Igreja– Revisões históricas e reconciliação”” – que tenho a honra de prefaciar, atendendo ao honroso pedido da Autora, minha colaboradora leal na causa das Romarias e amiga fiel, vem se somar às outras boas obras já publicadas sobre o Patriarca de Juazeiro.
Ir. Annette, ao recuperar toda a história sobre o Pe. Cícero, nos mostra que aquilo que está escrito na mensagem do Papa Francisco, pelo Cardeal Secretário de Estado, Card. Pietro Parolin, foi escrito tendo em vista a fé do romeiro e da romeira, para incentivar a Pastoral das Romarias em Juazeiro: Padre Cícero, modelo da Nova Evangelização; Pe. Cícero exemplo de fidelidade à Igreja; Padre Cícero modelo e testemunho para os sacerdotes, etc.
O livro da Irmã Annette, está dividido em três partes e uma conclusão. Na primeira parte, que ela denominou “Padre Cícero: Meu ponto de vista”, consta 12 capítulos resgatando informações históricas, sociológicas e antropológicas do Vale do Cariri, além de dados biográficos do Padre Cícero. Fala sobre a família dele, a infância e juventude, estudos filosóficos e teológicos, primeiros tempos como sacerdote, o imbróglio do chamado “Milagre de Juazeiro”, com todas as implicações, punições e sofrimentos que decorreram na vida deste sacerdote, por conta daquele episódio. Fala, ainda, da participação do Pe. Cícero na política e seus últimos anos de vida.
             Já na segunda parte, Irmã Annette aborda o “Padre Cícero: do ponto de vista dele” (ou seja, do próprio sacerdote). Utiliza para tanto a análise de escritos da lavra do Padre Cícero, feitos em diversas datas e em circunstâncias diversas.  A terceira parte do livro em tela é denominada: “Padre Cícero: o ponto de vista do Papa Francisco”. Por fim ela encerra com a “Conclusão: Padre Cícero... e quem é ele?”. Irmã Annette sintetiza todo o capítulo nas linhas inicias. A conferir. “Abrir o “livro da vida” do Padre Cícero é entrar no mistério da aventura mística de um Nordestino do interior do Ceará que tomou a sério o chamado do Sagrado Coração de Jesus, recebido em sonho: “Você, Cícero, tome conta deles”“! E ele fez “opção pelos pobres”! Consagrou sua vida aos pobres”.
          É verdade! Padre Cícero dedicou toda a sua existência ao amor pelo povo simples, às pessoas sem estudo e sem instrução religiosa, aos deserdados da sorte, aos injustiçados, às vítimas das secas e das doenças, aos que não tinham a quem recorrer neste vale de lágrimas. Ele foi, enfim, um Bom Pastor, que se apiedou dos excluídos da sociedade de então. E para eles viveu, sofreu e por esse mesmo povo foi imortalizado no coração dos seus afilhados.
O Padre Cícero que a Irmã Annette mostra, é o resultado de mais de 40 anos de pesquisa, mas não só, também de orações junto aos romeiros, de cantos com os romeiros, de horas e horas de escuta das histórias desse povo fiel e devoto a este Padre Cícero que percorreu o caminho da sua vida em plena união com Jesus Cristo.
Digitus Dei est hic!
Assim D. Joaquim José Vieira, o 2º. Bispo do Ceará, desejava afirmar sobre os fenômenos extraordinários de sangramento da hóstia que aconteceram em Juazeiro do Norte, a partir de 1889, na boca da Beata Maria de Araújo. E para afirmar isso, que “O dedo de Deus está aqui”, ele queria provas. Como muito bem relata a Ir. Annette neste livro, por mais provas que os padres da comissão de inquérito, instituída por ele, apresentassem, D. Joaquim não ficava satisfeito. Nada o convencia da veracidade dos fatos. Ao contrário, conseguiu depoimentos que ratificavam a sua primeira declaração, escrita antes de qualquer investigação: “não é e não pode ser o sangue de Cristo”, o que sai da hóstia consagrada. No que foi seguido pelos Cardeais do Santo Ofício já que as informações quem lhes mandava era o Bispo do Ceará: os fenômenos são “vãos e supersticiosos”, uma forma mais delicada de dizer o que D. Joaquim dizia em alto e bom som: esse fenômeno é uma fraude!
Portanto, D. Joaquim nunca se permitiu dizer: Digitus Dei est hic!
Mas agora, Ir. Annette nos mostra uma outra possibilidade de saber se ali, naquele ambiente, especialmente com o Padre Cícero, há o dedo de Deus. Ela chama de sinais de Deus na vida do Padre Cícero Romão Batista... De uma maneira quase lúdica, vai nos conduzindo pelo caminho “pedregoso, cheio de obstáculos, de curvas, de desafios, de sofrimentos e também de alegrias” percorrido por ele e identificando esses sinais. Vai nos mostrando que Padre Cícero nessa caminhada “não perdeu a fé, a paz e a confiança na Providência do Pai e no auxílio fiel da Mãe das Dores.”
Ao escrever estas linhas já como bispo emérito de Crato, manifesto toda a minha gratidão e alegria pelo bom trabalho que, por vontade de Deus, e para fazer justiça aos romeiros e romeiras do Pe. Cícero, a Irmã Annette, Irmã Teresa, Mons. Murilo, Maria do Carmo Forte e tantos outros colaboradores (as), pesquisadores, religiosos (as) e leigos (as, romeiros e romeiras, realizamos honestamente nesta nossa Diocese, para a maior glória de Deus e o bem da Igreja.
Enfim, dever cumprido: somos  responsáveis pela mudança radical da relação da Santa Sé com Padre Cícero. “Digitus Dei hic est!” -  Aqui está o dedo de Deus! O Dedo de Deus está na história da Terra da Mãe das Dores, no Juazeiro do Padre Cícero e da Beata Maria de Araújo e dos romeiros e romeiras!
Parabenizo Irmã Annette por este seu novo livro. E almejo a esta obra uma ampla divulgação, uma excelente aceitação entre o Povo de Deus que habita a generosa nação brasileira.
  Dom Fernando Panico, MSC
     Bispo Emérito de Crato


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[i] A carta da Congregação para a Doutrina da Fé, a mim dirigida, com data de 27 de outubro de 2014, tem Protocolo Nº 319/14-48388.  Lá consta textualmente: “OMNES: Si ritene opportuna una qualche forma de “riconciliazione stórica”, che, tenendo conto di tutti gli aspetti della vicenda umana e sacerdotale del P. Cícero, metta in luce anche i lati positivi della sua figura.
Il Santo Padre Francesco, durante l’Udienza del 5 settembre 2014 há approvato le suddette decisioni e há chiesto che sai preparato um Messagio da parte di um organismo della Santa Sede, indirizzato ao fedeli di codesta diocese (...)
Tradução livre” do texto acima:
"TODOS (os integrantes que analisaram na Sagrada Congregação da Fé o pedido da Diocese de Crato) acham oportuna alguma forma de “reconciliação histórica”, que, considerando todos os aspectos da vida humana e sacerdotal do Padre Cícero, venha lançar luz também sobre os aspectos positivos de sua pessoa (do Pe. Cícero).
O Papa Francisco, durante a audiência de 05 de setembro de 2014 aprovou estas decisões (da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé) e recomendou a redação de uma mensagem preparada por um organismo da Santa Sé, dirigida aos fiéis desta diocese (...)”

16 julho 2017

Humildes reflexões sobre a conjuntura política do Brasil – por Armando Lopes Rafael (*)



   O domingo amanheceu com um sol convidativo a curtir o dia, portanto propício a algumas reflexões. 16 de julho é o dia consagrado a Nossa Senhora do Carmo. Desde a juventude recebi das mãos de um sacerdote o Escapulário do Carmo. E o conservo no pescoço há 49 anos.
    Mas o que queria mesmo era externar algumas reflexões, oriundas da enxurrada de mensagens recebidas no Whats App, desde que Lula foi condenado – pelo juiz Sérgio Moro – a nove anos e meio de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Petistas raivosos postam mensagens afirmando que Lula foi condenado sem provas. Também o goleiro Bruno foi condenado sem provas, pois o cadáver de Elisa Samudio jamais apareceu. E nunca vi cena de solidariedade ao goleiro condenado sem prova.
   O que restou para a esquerda brasileira foi improvisar uma solenidade de apoio ao ex-presidente. A atmosfera do ambiente mais parecia um velório. Basta olhar a expressão dos olhos melosos do deputado José Nobre Guimarães.
   Aliás, a condenação de Lula, por Sérgio Moro, deixou uma grande lição para esta república caótica. Ninguém está mais acima da lei mesmo com o Brasil em frangalhos. Acabou o tempo em que os poderosos não enfrentavam a Justiça. Restou a Lula apenas fingir que é vítima, encenando uma comédia de perseguido político que não vai levar a nada. Lula não é mais aquele líder que a maioria dos brasileiros achava que ele era. “Deu xabu”, como se dizia antigamente.
   Alegam os seguidores de Lula – ainda no Whats App – que a troca de parlamentares na Comissão de Constituição e Justiça–CCJ, da Câmara Federal, para rejeitar a abertura de processo contra o Presidente da República é uma manobra ilegal. Não tenho simpatias por Michel Temer, mas – infelizmente ou felizmente – não há nenhuma ilegalidade nisso, como definiu amplamente o Supremo Tribunal Federal em recursos feitos nos governos Lula/Dilma.
     Também não entendo porque atacam tanto Michel Temer se ele é oriundo da chapa que elegeu Dilma Rousseff, em duas eleições. Ora, quem votou em Dilma automaticamente votou em Temer. Tinha até a foto dele na urna eletrônica quando a opção era votar em Dilma. Eu, por exemplo, nunca votei em Temer porque nunca votei em Dilma. Como bem afirmou um leitor de um jornal de São Paulo: “Os esquerdistas que hoje apedrejam Temer sãos os que, usando as mesmas pedras, ajudaram a pavimentar o descaminho dos 13 anos da roubalheira petista”.
       No mais, os episódios da semana apenas ratificam uma verdade que a maioria finge não ver: a República Federativa do Brasil chegou ao fundo do poço.
(*) Armando Lopes Rafael, historiador.

15 julho 2017

Uma novidade hoteleira - Por: Emerson Monteiro

Dia 08 deste mês, julho de 2017, em Crato, foi inaugurado o Brisa Hotel, estabelecimento idealizado por Fernando Lacerda, comerciante bem sucedido no ramo de combustíveis. Dias antes, estivemos em visita às dependências do novo edifício, que dispõe de 56 apartamentos dotados de amplo conforto, com estrutura atual e bem planejada.

Nisto, a região do Cariri passa a dispor de mais este empreendimento próprio a receber nossos visitantes, localizado na Rua Ministro João Gonçalves, transversal da Avenida Dom Francisco de Assis Pires, imediações da Estação Rodoviária, de lado com o Posto Avenida, no Bairro São Miguel.

Há tempos que se sabe ser o turismo a principal vocação regional. A decantada indústria sem chaminés, qual dizem os técnicos, que indicam o Cariri qual pouso dos muitos turistas que vêm conhecer o micro clima privilegiado graças à natureza de vale diferenciado e fértil, verdadeiro oásis dentro do semiárido nordestino onde se localiza.

Dentre os atrativos deste lugar merece consideração o turismo ecológico, de que demonstra indiscutível vocação, vistas as encostas e a Chapada do Araripe; seus geossítios, que documentam a paleontologia do Período Cretáceo das eras geológicas, reconhecidos mundialmente; um passado das lutas históricas bem demonstradas pelo acervo dos museus aqui existentes; o artesanato típico; e também pelo intenso referencial da religiosidade popular proveniente do mito de padre Cícero Romão Batista, o santo do povo do Nordeste.

Assim, qualquer iniciativa dirigida a receber com esmero todos que venham conhecer as tradições e riquezas deste lugar mágico merecem bons investimentos e realizações.

Inaugurado no período da ExpoCrato deste ano, o Brisa Hotel vem somar novos índices favoráveis aos que ora dispomos em face do crescimento caririense, hoje considerada uma das regiões que mais apresentam desenvolvimento diante do crescimento do interior, no Brasil.

Regina - Por: Emerson Monteiro

Fui vê-la duas vezes, na casa de uma prima onde residia em Crato, à Rua Getúlio Vargas. Da primeira vez, levava comigo encomenda do padre Vieira, uma carta. Ele dissera no telefone que eu deveria conhecer Regina, e que mandava essa carta aos meus cuidados para que fosse procurá-la.

Recolhida a cadeira tipo preguiçosa, estatura mirrada, retorcida no próprio espinhaço, de cabeça pendente, sem o domínio das pernas, quase nula dos braços, resistia viva há mais de quarenta anos, sob o auxílio de parentes. Filha de mãe pobre habitante das margens do Rio Grangeiro, perto da cidade, imediações da atual Ponte das Piabas. Sua mãe namorara incerto homem casado, chegando a engravidar, motivo da vergonha dos pais, que só aceitaram a criança pela rara beleza de fora dotada, trazendo alegria aos quantos desfrutavam do seu convívio. Próximo dali morava uma vizinha que possuía uma neta não tão esperta e cativante, o que lhe deixava triste.

Certa tarde, enquanto a mãe de Regina fora à bênção na Sé Catedral, a avó, levando consigo Regina ainda de berço, desceu ao rio para buscar umas roupas estendidas. Durante alguns momentos, a menina ficara apenas sob os cuidados da vizinha que lá também se achava na ocasião, porém esse tempo foi o suficiente para ela aplicar, com um porrete de madeira que usado para bater a roupa, golpes vigorosos dirigidos nas costas do bebê, à altura da espinha dorsal.

Ouvidos os gritos, apressada, a avó retornou sem nada considerar de anormal. A mulher disfarçara o crime. Nos dias posteriores, arrumou seus pertences e logo mudou de endereço. Quando os familiares de Regina perceberam o que acontecera, seria tarde demais; na ação perversa, a vizinha inutilizara quase por completo aquela criança.

Alguns anos transcorridos, num dia de feira, as duas avós ainda trocaram opiniões sobre o ocorrido daquela tarde. Os argumentos da vizinha invejosa demonstraram completa inocência, pois ignorava tudo sobre a perversidade.

Daí, Regina cresceu doente, prostrara-se como a conheci. Segundo ela, tempos depois, já na idade adulta, uma madrugada, sem saber da morte daquela senhora, acordou vendo intensa luz dentro do quarto em que dormia. No clarão, acompanhado de forte ventania, divisou nítida a figura de uma freira, de rosto ameno, sorriso nos lábios. Ela, então, perguntou a Regina se poderia perdoar a quem tão cedo lhe prejudicar, roubando-lhe a saúde e os seus movimentos. Pensou um pouco, avaliou tudo, o passado difícil, sua história, lembrou-se de sua mãe, dos avós desaparecidos, e de Deus. Não viu por que guardar mágoa, rancor, nem sede de vingança.

- Perdôo, sim – foi o que respondeu.

Daí, num crescendo intenso, principiou a ouvir longe uma voz sofrida que pedia: - Regina, me perdoa? E a voz veio se aproximando a repetir o pedido: - Me perdoa? A cada repetição, ela ia respondendo: - Perdôo... Perdôo... Perdôo...

A voz aproximou-se mais e ouviu alguém abrir o portão de ferro do jardim, chegando junto da porta da frente, refazendo o peditório, silenciando no instante em que caiu em prantos. De novo tudo voltou a ficar calmo e o silêncio reinou pela madrugada.

Eu, atencioso, só escutava a narrativa. O tempo passara e me despedi emocionado. Fiquei de voltar outra vez, houvesse oportunidade.

Naquela que seria a minha terceira visita, me vi surpreendido com a notícia de que fazia um mês que Regina deixara este mundo. Deste modo, além das lembranças do seu aspecto de pessoa sofrida e conformada, dela tudo o que guardei deixo aqui contado nestas palavras escritas.  

Um fato pouco conhecido da história do Brasil

Um grupo de brasileiros acompanhou voluntariamente a Família Imperial ao exílio


Após o golpe de 15 de novembro de 1889, que implantou a República no Brasil contra a vontade popular, a Família Imperial Brasileira foi forçosamente exilada. A bordo do vapor Alagoas, que levou o Imperador Dom Pedro II e sua Família para a Europa, seguiram também outras personalidades, que decidiram se auto-exilar, por amizade e respeito ao Soberano deposto.
Foram o Conde de Mota Maia, médico da Casa Imperial e amigo pessoal do Imperador; o Barão e a Baronesa de Loreto, esta última, Dona Maria Amanda Lustosa Paranaguá Dória, amiga de infância da Princesa Imperial Dona Isabel; o Barão e a Baronesa de Muritiba, que foram, respectivamente, o último Procurador do Império e Dama do Paço Imperial; e o engenheiro negro e abolicionista André Rebouças, que teve seus estudos pagos pelo Imperador e com quem o Soberano passava horas conversando.
Esses “exilados voluntários”, junto a outros brasileiros que chegaram depois, e outros que já se encontravam na Europa, formavam uma espécie de Corte Imperial informal no exílio. Outros tantos monarquistas fiéis, que permaneceram no Brasil, serviam como canal de comunicação entre a Família Imperial e os brasileiros, como os membros do Diretório Monárquico do Brasil, organizado, em 1890, pelo Visconde de Ouro Preto, último Presidente do Conselho de Ministros do Império.
A “Lei do Banimento” (Decreto número 78-A, de 21-12-1889), que proibia os membros da Família Imperial de retornarem ao Brasil, foi revogada em 1920, pelo então Presidente da República, Dr. Epitácio Pessoa (Decreto número 4.120, de 3-9-1920). Entretanto, devido a dificuldades da ordem prática, causadas justamente por esse banimento injusto – se não inconstitucional, e que foi o mais longo exílio político da história do Brasil –, a Família Imperial permaneceu vivendo em situação de exílio até 1945.
Foto: Dona Maria José Velho de Avelar Vieira Tosta, Baronesa de Muritiba (sentada), junto ao Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, então Chefe da Casa Imperial do Brasil, sua mãe, a Princesa Imperial Viúva do Brasil, Dona Maria Pia de Bourbon-Sicílias de Orleans e Bragança, e irmãos, o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Luiz Gastão de Orleans e Bragança, e a Princesa Dona Pia Maria de Orleans e Bragança, em foto tirada em Cannes, França, no ano de 1927.

Postado originalmente no Facebook do Pro Monarquia

14 julho 2017

Correios lançam Emissão Postal Especial sobre três aves brasileiras (por Armando Lopes Rafael)

Postagem  dedicada a  Emerson Monteiro, 
autor  do texto:  "A leveza  dos  Pássaros", 
publicado, neste Blog, nesta 6ª feira, dia 14.

Nesta emissão dos Correios  foram contemplados o Soldadinho-do-Araripe, Pararu-Espelho e Rolinha-do-Planalto. 
Eis o que foi escrito no edital de lançamento desses selos sobre a ave símbolo da Chapada do Araripe:

Soldadinho-do-Araripe (Antilophia bokermanni)

É um passarinho exclusivo do Brasil, encontrado somente no sul do estado do Ceará, nos municípios de Barbalha, Crato e Missão Velha. Descoberto em 1996 e apresentado para a comunidade dois anos depois, é uma das aves mais ameaçadas do mundo. Vive em uma área muito pequena de mata úmida na encosta nordeste da Chapada do Araripe que está sob constante pressão de desmatamento, o que junto com o número reduzido de indivíduos conhecidos, o levou a ser categorizado como Criticamente em Perigo de Extinção.
De exuberante beleza, o macho é branco com a cauda e as penas de voo pretas, e com o topete e o alto da cabeça até o meio do dorso, vermelho. A fêmea, em contrapartida, possui o corpo todo esverdeado, com o ventre um pouco mais claro. Com aproximadamente 15 centímetros de comprimento e pesando cerca de 20 gramas, vive em altitudes entre 670 e 910 metros. Alimenta-se principalmente de frutos, mas pode também ingerir pequenos insetos. É uma espécie extremamente dependente de florestas com córregos perenes, isto é, riachos cuja água não desaparece nos períodos de estiagem, uma vez que seus ninhos são construídos suspensos sobre os cursos de água. Como suporte para os ninhos, as fêmeas, responsáveis por construí-los sozinhas, utilizam uma variedade de onze diferentes espécies de árvores, sendo que também se alimentam dos frutos da maioria delas.
Os ninhos são encontrados de novembro a março e geralmente cada casal tem dois filhotes por vez. Após saírem dos ovos, os filhotes de ambos os sexos são semelhantes à fêmea e permanecem no ninho durante duas semanas. Os filhotes vivem com os pais por cerca de dois anos, quando os machos começam a mudar suas penas para a plumagem adulta e são expulsos para então se distanciar e demarcar seu próprio território.
Assim como os outros representantes de sua família, os Piprídeos, o Soldadinho-do-araripe é uma espécie territorialista, o que quer dizer que marca e defende o território dos potenciais invasores, cantando e eventualmente agredindo o intruso com bicadas. Nunca são vistos em bandos.





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