xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 13/12/2014 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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13 dezembro 2014

110 anos do nascimento de Martins Filho

O próximo dia 22 de dezembro vai assinalar 110 anos do nascimento de Martins Filho, um dos grandes nomes que marcaram a história do Ceará. Martins Filho bebeu suas primeiras águas no âmbito da cultura nesta Mui Nobre e Heráldica Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara! Depois tornou-se Cidadão do Mundo. Mas nunca esqueceu a Princesa do Cariri. O Blog do Crato antecipa sua homenagem a Martins Filho, publicando para tanto um texto produzido pelo notável escritor Dimas Macêdo. A conferir.

Filho de Antônio Martins de Jesus e Antônia Leite Martins, Antônio Martins Filho nasceu, como registra no primeiro volume de suas memórias, no sítio Santa Teresa, localizado às margens do Rio Salamanca, em terras do Cariri cearense, aos 22 de dezembro de 1904.  Seus primeiros estudos foram feitos no Colégio da Pro¬fessora Ida Bilhar, continuando os na Escola dos Empregados do Comércio da cidade do Crato. Na infância, enfrentou os de¬safios da pobreza e as limitações do meio em que viveu, dotan¬do, porém, o seu espírito de uma determinação que o levou a vencer, pelo trabalho, as maiores adversidades, destacando se, entre elas, a de concretizar e dirigir a Univer¬sidade Federal do Ceará, da qual foi o pri¬meiro Reitor.
   Ligando se à vida do comércio desde a meninice, transfe¬riu se para o Maranhão e depois para o Piauí, concluindo em Teresina os preparatórios, prestando exame no Liceu Piauiense e ingressando na Faculdade de Direito do Piauí, na qual se bacharelou em Ciências Jurídicas e Sociais, em 1937. Regressando ao Ceará, seria durante algum tempo advo¬gado e professor do Liceu do Ceará, apaixonando se, na época, pelo universo editorial, habilidade que o seduzi¬ria pelo resto da vida, sagrando o como o maior editor cearense, o que pode ser testemunhado pela presteza e competência com que dirigiu o programa editorial da Casa de José de Alencar, com centenas de livros publicados, especialmente durante a década de 1990.
   O Magnífico Antônio Martins Filho, bacharel e doutor em Direito, foi professor catedrático da Faculdade de Direito da UFC e da Faculdade de Ciências Econômicas da mesma Universidade. Ainda jovem, havia sido professor e diretor do Ginásio Caxiense, no Maranhão, onde desenvolveu atividades empresariais e jurídicas das mais relevantes, entre elas, destacando-se a condição de Juiz de Direito da Comarca de Caxias. Vocacionado, igualmente, para o magistério, em Forta¬leza foi professor e diretor da Escola de Comércio Padre Champagnat; professor da Faculdade Católica de Filosofia do Ceará, presi¬dente da Fundação Educacional do Ceará e Reitor Pro Tempore da UECE.
   Membro do Conselho Federal de Educação e do Conselho Universitário da Universidade de Fortaleza, o Dr. Antônio Martins Filho, após a sua exitosa trajetória acadêmica, tornar-se-ia Reitor Agregado da UFC e conselheiro para assuntos educativos e culturais da Federa¬ção das Faculdades Celso Lisboa, do Rio de Janeiro, e das Facul¬dades Camilo Castelo Branco, de São Paulo.     Assessor Especial para Assuntos Educativos e Culturais da UNIFOR, no Brasil e no exterior, pertenceu o professor Martins Filho a inúmeras associações científicas e culturais, dentre elas, o Instituto do Ceará, do qual foi presidente e também Presidente de Honra. Presidiu à Academia Cearense de Letras, passando em seguida para a condição de Presidente de Honra dessa importante entidade.
     Sócio titular do Instituto de Cultura Hispânica de Madri e da Sociedade Francesa de Direito Aeronáutico, o escritor Antônio Martins Filho foi ainda integrante da Sociedade Brasileira de Direito Aeronáutico e da Sociedade Capistrano de Abreu, do Rio de Janeiro, tendo viajado em missão oficial a vários países, onde recebeu condecorações e títulos honoríficos que muito engrandecem a sua trajetória.  Entre as distinções que lhe foram outorgadas, cumpre destacar as seguintes: Professor Honoris Causa da Universidade Federal de Santa Maria (RS) e da Universidade Estácio de Sá (RJ) e Doutor Honoris Causa destas instituições: Faculdade Católica de Filosofia do Ceará, Faculdades Camilo Castelo Branco (SP), Universidade de Fortaleza, Universidade Estadual do Ceará, Universidade Federal da Bahia, Universidade Regional do Cariri e Universidade Federal do Piauí, sendo ainda Professor Emérito da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Nossa Senhora do Patrocínio, de Itu, São Paulo.
    São inúmeras as medalhas recebidas por Antônio Martins Filho. Entre elas, ponho em relevo estas que passo a enumerar: Medalha do Pacificador do Exército Brasileiro; Medalha do Mérito Santos Dumont, do Ministério da Aeronáutica; Medalhas da Abolição e Justiniano de Serpa, do Governo do Ceará; Medalha do Mérito Universitário da Universidade Federal do Rio Grande do Norte; Medalha Cidade de Fortaleza, da Câmara Municipal dessa edilidade; e Meda¬lha Rui Barbosa, da Casa de Rui Barbosa (Rio de Janeiro).  Igualmente lhe foram conferidas: a Ordem do Mérito Naval e a Ordem do Mérito Nacional da Educação; o Gran Colar do Mérito Educacional e a Ordem Nacional do Mérito Educativo; a Ordem do Mérito da República Federal alemã e a Ordem do Mérito do Gover¬no da Itália. Em Toledo, na Espanha, foi feito Cavalheiro da Or¬dem de Corpus Christi e, em França, recebeu a Ordem das Pal-mas Acadêmicas, valendo ainda men¬cionar o título de Personalidade do Povo, que lhe foi outorgado pelo jornal O Povo, em 1991.
     São muitas os seus livros e opúsculos,  destacando-se entre eles: Exortação aos Moços (1938); O Ceará (1939), de parceria com Raimundo Girão; O Cariri: Subsídios para a História Sul Cearense (1940); Noções de Economia Política (1942); Disciplina Jurídica do Espaço Aéreo (1944); As Lutas da Independência (1945); Da Liquidez do Título de Crédito na Falência (1945); Relações Profissionais (1946); Operosidade Excepcional de Eusébio de Sousa (1947); Uma Universidade para o Ceará (1949); Limitações da Responsabilidade do Comerciante Individual (1950); Da Definição do Conceito de Empresa para Ampliação do Direito Comercial (1954); Autonomia das Universidades Federais (1961); O Universal pelo Regional (1965); Rui, o Artista (1973); A Universidade no Brasil (1973); O Domínio do Espaço Aéreo (1973); A Presença da Poesia no Mundo dos Negócios (1978); O Outro Lado da História (1983); Reflexões Sobre Augusto dos Anjos (1987); UFC & BNB: Educação para o Desenvolvimento (1990); Memórias: Menoridade (1991); Dolor Barreira em Três Dimensões (1993); Memórias: Maioridade - 1º tomo (1993); Memórias: Maioridade - 2º tomo (1994); História Abreviada da UFC (1996) e Memórias: Maturidade (1997).
  Como pode ser facilmente observado, o doutor Antônio Martins Filho foi um escritor bastante operoso, tendo sido aclamado pela crítica o nosso maior memorialista. E quem chegou a esses altiplanos, deixa-nos a certeza de que o lado proveitoso da vida é a luta pelo semelhante e o triunfo sobre as coisas mundanas, em favor da lógica do espírito e da construção de um mundo melhor.
Texto de Dimas Macêdo
Postado por Armando Lopes Rafael

Grandes nomes da cultura no Cariri

 Relembrando Joaryvar Macedo – por  Dimas Macedo
Entre os primeiros livros de Joaryvar Macedo, tenho preferência por um deles: Fagundes Varela e Outros Rabiscos (Crato, Empresa Gráfica Ltda, 1978). Trata-se da sua primeira reunião de escritos literários, e aí encontrará o leitor alguns perfis de escritores que exerceram, sobre ele, no início da sua formação, uma influência memorável.   Nesse seu conjunto de ensaios, além do perfil de Fagundes Varela, destaca-se uma síntese da sua monografia de pós-graduação, na Universidade Católica de Salvador, sobre a obra de Irineu Pinheiro e seu significado para a historiografia cearense.
 Nesse historiador caririense, descobriu Joaryvar Macedo a metodologia e os aportes da nova historiografia, sendo Irineu Pinheiro, indiscutivelmente, o seu grande Mestre na área da pesquisa histórica regional. Como poeta, Joaryvar Macedo foi um grande nostálgico e um apologista do sentimentalismo romântico vinculado à tradição literária, porém nenhum escritor brasileiro do passado exerceu tanta sedução sobre ele quanto o autor de “Cântico do Calvário”.  
Quem leu os seus sonetos à antiga, recolhidos no livro de estreia – Caderno de Loucuras (Crato, Empresa Gráfica Ltda, 1965) –, deve ter percebido porque Fagundes Varela passou a ser o poeta preferido de Joaryvar Macedo, que pranteou, como poucos poetas que conheço, a sua emoção de místico e de esteta e a sua solidão amorosa.
    Fagundes Varela, contudo, não foi o único escritor da fase romântica a despertar a curiosidade de Joaryvar Macedo. José de Alencar também chamou à sua atenção, como ficaria patente, seis anos depois, quando o autor de Os Augustos publicou – O Talento Poético de Alencar e Outros Estudos (Fortaleza,1984).  Em Fagundes Varela e Outros Rabiscos, Joaryvar apresenta o primeiro desdobramento das suas pesquisas sobre a produção literária do seu pai, o grande poeta popular lavrense, Antônio Lobo de Macedo, atribuindo-me um papel relevante no processo de resgate da obra desse cordelista.
    Dissertando sobre a obra do poeta juazeirense, Manuel Ludgero, Joaryvar revela-nos os primórdios da literatura caririense, mostrando-nos as raízes da sua formação e a ressonância da poesia de Ludgero na vida social daquela comunidade, nos albores do século dezenove.  Ao lado dos poetas Lobo Manso e Manuel Ludgero, Joaryvar Macedo põe em relevo, nesse seu livro, a poesia de Maria Arnaldina de Alencar, natural de Araripe, a qual cantou as belezas do Cariri cearense como poucos escritores dessa região. 
    Outro capítulo que ponho em destaque nesta resenha, é aquele relativo à contribuição de Soriano Albuquerque para a cultura e as letras caririenses, no qual o autor mostra-nos a sua erudição e o seu talento de pesquisador e sociólogo, ao examinar a obra daquele que é considerado o Pioneiro da Sociologia do Brasil.
   O ensaio dedicado ao médico e jornalista Otacílio Macedo constitui o mais refinado entre os textos que compõe esse pequeno livro. Otacílio Macedo, enquanto jornalista, destacou-se pela sua entrevista com o Rei do Cangaço, porem antes desse texto de Joaryvar, poucos conheciam a sua dimensão intelectual e a sua cultura científica.
   Pesquisador literatura cearense, e não apenas da cultura da sua região, no capítulo final do seu livro, Joaryvar revela-nos a autoria de uma das letras mais conhecidas do nosso cancioneiro: “A Pequenina Cruz do Teu Rosário”, atribuindo-a ao poeta Fernando Weyne, com argumentos e verificação apodítica que chamam de plano a atenção.
 Publicado após o seu triunfo de genealogista, em meados da década de 1970, esse conjunto de ensaios de Joaryvar Macedo, sempre me tocou de uma forma muito especial. Poucos perceberam, na época, que o autor de Império do Bacamarte (1990) havia mudado de tom, e que ali estava nascendo um dos maiores ensaístas do Ceará.
   Fagundes Varela e Outros Rabiscos (1978), ao lado das coletâneas: O Talento Poético de Alencar e Outros Estudos (1984) e Na Esfera das Letras (2010), compõe o terceto de livros literários de maior destaque de autoria de Joaryvar Macedo.
   É livro, portanto, que merece reedição e que precisa ser conhecido pelas novas gerações, especialmente pelos que pensam que Joaryvar Macedo foi apenas um historiador, e esquecem que ele foi um dos nossos melhores escritores e o genealogista nordestino de maior destaque em todo o Brasil.
Texto de Dimas Macedo
Postado por Armando Lopes Rafael
                                                                                

Fim da impunidade? Líder do PMDB na Câmara apoia nova CPI da Petrobras

Um dia após Aécio defender a instalação em 2015 de nova comissão parlamentar para investigar a estatal, o candidato à presidência da Câmara Eduardo Cunha (RJ) diz que ela é inevitável
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), candidato à presidência da Câmara dos Deputados para o biênio 2015-2016, afirmou ontem, durante encontro em Belo Horizonte com deputados mineiros, que considera inevitável a instalação no ano que vem de uma nova comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para investigar irregularidades na Petrobras. Líder do partido na Câmara, Cunha avaliou que, a partir do momento em que os deputados e senadores tiverem acesso a todas as delações premiadas e depoimentos de envolvidos no esquema de corrupção da estatal, será preciso continuar as investigações.
 “Como eu sempre disse sobre a CPMI, no momento em que houve delações premiadas, essa comissão morreu. Eu mesmo, como membro, a abandonei. Porque não tem mais nada a se fazer. Você vai investigar algo que não conhece? Só depois de conhecer as delações premiadas você retomaria o conceito de ter uma comissão para investigar, já que mudou completamente o curso. Conhecidas as delações, acho inevitável ter outra comissão”, afirmou o candidato, acrescentando que a instalação da nova comissão dependerá apenas dos parlamentares: “A CPMI é automática, não depende do presidente da Câmara, mas de um terço dos senadores e um terço dos deputados”.
(Fonte: "Estado de Minas")
                                                     

Operação Lava Jato: Gerente da Petrobras alertou Graça sobre desvios — e foi afastada


 Graça Foster, presidente da Petrobras
A gerente de Abastecimento da estatal, Venina Velosa da Fonseca, percebeu em 2008 irregularidades nos contratos; desde então, tentou alertar a empresa, mas foi ignorada
Os diretores da Petrobras tanto da gestão de José Sérgio Gabrielli quanto de Graça Foster foram alertados por uma gerente sobre as irregularidades em contratos firmados pela estatal com prestadoras de serviço, segundo reportagem do jornal Valor Econômico publicada nesta sexta-feira. Venina Velosa da Fonseca era gerente da diretoria de Abastecimento comandada por Paulo Roberto Costa e começou a suspeitar de superfaturamento nos idos de 2008. Desde que começou a fazer alertas e a juntar documentos, foi expatriada para a Ásia e, mais recentemente, afastada do cargo juntamente com os funcionários suspeitos de envolvimento na Operação Lava Jato. Em e-mail a Graça, a gerente relata que chegou a ser ameaçada com uma arma e que suas filhas também corriam perigo.
Venina, que é geóloga na estatal desde a década de 1990, começou a suspeitar que havia problemas quando percebeu que os gastos com pequenos contratos de prestação de serviços avançaram de 39 milhões para 133 milhões de reais em 2008, sem razão aparente. Em sua apuração interna, a gerente detectou que a estatal estava pagando por serviços de comunicação que sequer estavam sendo prestados. Sua primeira atitude foi informar Paulo Roberto Costa, seu superior direto, e pedir mais rigor na fiscalização dos contratos. Costa, relata Venina, apontou para o retrato de Lula em sua sala e perguntou" você quer derrubar todo mundo?". A gerente então encaminhou as denúncias ao presidente Gabrielli que, após auditoria interna, acabou demitindo o diretor de comunicação, Geovanne de Morais.
A gerente prosseguiu com suas investigações e apurou o que viria a ser um braço do esquema de desvio de dinheiro e cartel de empreiteiras mostrados hoje pela Lava Jato. Em e-mail a Graça, que ainda era diretora de Gás e Energia, a funcionária aponta irregularidades em contratos bilionários referentes a Abreu e Lima, além de questionar o fato de acordos de tão alto valor serem firmados com dispensa de licitação. Em retorno, obteve o silêncio de Graça.
O desgaste interno fez com que Venina fosse transferida para o escritório da Petrobras em Cingapura, em 2009, onde ela foi afastada da área operacional e direcionada a um curso de especialização. Em 2011, já de volta ao Brasil, voltou a escrever para Graça, a quem confidenciou que sentia vergonha de trabalhar na empresa. "Diretores passam a se intitular e a agir como deuses e a tratar pessoas como animais", escreveu. Em 2012, depois de ficar cinco meses no Rio de Janeiro sem qualquer atribuição, voltou a Cingapura ao escritório da estatal. Foi então que levantou novas suspeitas de superfaturamento de compra de combustível que a Petrobras fazia no país asiático. Venina informou a sede sobre suas descobertas, mas novamente foi ignorada.
De volta ao Brasil em 2014, a gerente fez uma apresentação sobre as irregularidades apuradas na Ásia e sugeriu a criação de uma área de controle interno para conter perdas nos escritórios internacionais, mas nada foi feito. Em 19 de novembro, Venina foi afastada da empresa juntamente com outros funcionários suspeitos de envolvimento na Lava Jato. Ficou sabendo sobre seu afastamento por meio da imprensa. No dia seguinte, escreveu um e-mail à presidente da estatal. "Desde 2008, minha vida se tornou um inferno. (...) Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas. Levei o assunto às autoridades competentes da empresa, inclusive Jurídico e Auditoria, o que foi em vão. (...) Voltei a me opor ao esquema que parecia existir no projeto Rnest. Novamente fui exposta a todo tipo de assédio. Ao deixar a função, fui expatriada e o diretor hoje preso levantou um brinde, apesar de dizer ser pena não poder me exilar por toda a vida".
Em nota, a Petrobras informou que aprimorou processos de compra e venda de combustível em seus escritórios internacionais e que, em auditoria, não encontrou "nenhuma não conformidade" nas operações entre 2012 e 2014. Sobre Abreu e Lima (Rnest), a empresa afirma que realizou apurações e enviou relatório aos órgãos de controle e autoridades competentes. A empresa não se posicionou sobre a razão do afastamento da funcionária.

Em VEJA desta semana: Propina entregue em domicílio

As revelações do homem que entregava dinheiro desviado da Petrobras na casa de deputados, senadores, governadores, ministros e até na sede nacional do PT
Money delivery: Acompanhado de seus advogados, Rafael Ângulo Lopez negocia um acordo de delação premiada com a Justiça. Durante anos, ele distribuiu dinheiro desviado da Petrobras a “clientes” famosos  do esquema de corrupção (Jefferson Coppola/VEJA)
Depois de tantas revelações sobre engenharias corruptas complexas de sobrepreços, aditivos, aceleração de obras e manobras cambiais engenhosas, a Operação Lava-Jato produziu agora uma história simples e de fácil entendimento. Ela se refere ao que ocorre na etapa final do esquema de corrupção, quando dinheiro vivo é entregue em domicílio aos participantes. Durante quase uma década, Rafael Ângulo Lopez, esse senhor de cabelos grisalhos e aparência frágil da fotografia acima, executou esse trabalho. Ele era o distribuidor da propina que a quadrilha desviou dos cofres da Petrobras. Era o responsável pelo atendimento das demandas financeiras de clientes especiais, como deputados, senadores, governadores e ministros. Braço-direito do doleiro Alberto Youssef, o caixa da organização, Rafael era “o homem das boas notícias”. Ele passou os últimos anos cruzando o país de Norte a Sul em vôos comerciais com fortunas em cédulas amarradas ao próprio corpo sem nunca ter sido apanhado. Em cada cidade, um ou mais destinatários desse Papai Noel da corrupção o aguardavam ansiosamente.
Os vôos da alegria sempre começavam em São Paulo, onde funcionava o escritório central do grupo. As entregas de dinheiro em domicílio eram feitas em endereços elegantes de figurões de Brasília, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Maceió, São Luís. Eventualmente ele levava remessas para destinatários no Peru, na Bolívia e no Panamá. Discreto, falando só o estritamente necessário ao telefone, não deixou pistas de suas atividades em mensagens ou diálogos eletrônicos. Isso o manteve distante dos olhos e ouvidos da Polícia Federal nas primeiras etapas da operação Lava-Jato. Graças à dupla cidadania — espanhola e brasileira —, Rafael usava o passaporte europeu e ar naturalmente formal para transitar pelos aeroportos sem despertar suspeitas. Ele cumpria suas missões mais delicadas com praticamente todo o corpo coberto por camadas de notas fixadas com fita adesiva e filme plástico, daqueles usados para embalar alimentos. A muamba, segundo ele disse à polícia, era mais fácil e confortável de ser acomodada nas pernas. Quando os volumes era muito altos, Rafael contava com a ajuda de dois ou três comparsas.
A rotina do trabalho permitiu que o entregador soubesse mais do que o recomendável sobre a vida paralela e criminosa de seus clientes famosos, o que pode ser prenúncio de um grande pesadelo. É que Rafael tinha uma outra característica que poucos sabiam: a organização. Ele anotava e guardava comprovantes de todas as suas operações clandestinas. É considerado, por isso, uma testemunha capaz de ajudar a fisgar em definitivo alguns figurões envolvidos no escândalo da Petrobras. VEJA apurou que o entregador já se ofereceu para fazer um acordo de delação premiada, a exemplo do seu ex-patrão.
Veja dois dos destinatários da proprina que Rafael Ângulo Lopez transportava.


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