xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 08/06/2014 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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08 junho 2014

Notícias do fim-de-semana (Armando Lopes Rafael)


Crato vai ter réplica de capela portuguesa

O governador Cid Gomes, após participar da solenidade de coroação da imagem de Nossa Senhora de Fátima, na última 5ª feira, em Crato, anunciou que vai construir próximo ao monumento – no bairro Barro Branco –  uma réplica da Capelinha das Aparições, existente em Fátima, Portugal. Esta notícia foi recebida com júbilo pela população católica do Crajubar. A capelinha original das Aparições de Portugal (ver foto ao lado) foi construída no exato local onde Nossa Senhora de Fátima apareceu aos três pastorinhos, em 1917, em Portugal.

Faltou planejamento

E por falar na coroação da imagem de Nossa Senhora de Fátima (foto à direita, de autoria de Patrícia Silva), a Prefeitura de Crato – para variar –não fez nenhum planejamento para aquela solenidade. O resultado foi o que sei viu. Cerca de 6 mil pessoas e 1.500 carros estavam naquele evento. E muita gente voltou do meio do caminho, sem assistir à solenidade, pois não tinha mais onde estacionar carros. A Prefeitura deveria ter providenciado um trator para limpar o mato dos terrenos próximos, e destinar a área limpa para estacionamento. Por outro lado, no  final do acesso ao local onde foi construído o monumento não existe, sequer, calçamento de pedra tosca. Quando será que Crato vai ter sua Secretaria de Turismo?

Vila da Música -- Serão iniciadas na próxima semana as obras de construção da Vila da Música do Belmonte, (foto da maquete ao lado) uma iniciativa do Governo do Estado do Ceará. Localizada naquele aprazível subúrbio de Crato, a Vila da Música visa dar melhores condições de funcionamento para a Sociedade Lírica do Belmonte (Solibel), que mantém escola para ensino de  ensina música clássica e popular a filhos de agricultores no sopé da Chapada do Araripe. As construções previstas para a Vila da Musica terão área total de 1.750m². Nelas funcionarão o auditório, biblioteca, salas de aula (de grupo e individuais), estúdio, setor administrativo, refeitório, cozinha, despensa, vestiários banheiros, laboratório de informática, oficina de instrumentos, quadra poliesportiva e estacionamento. Como se vê a semente plantada por monsenhor Ágio Moreira virou uma grande árvore que engrandece o Crato e o Cariri.

E haja festa!

O calendário das comemorações pelo centenário de criação da Diocese de Crato tem importante evento marcado para o próximo dia 24 de junho.  Trata-se das solenidades de Bênção Abacial da primeira abadessa (superiora religiosa) da recém-criada Abadia de Nossa Senhora da Vitória – das monjas beneditinas de Juazeiro do Norte – e da consagração da nova e ampla capela construída anexa àquela abadia (foto da capela em primeiro plano, anexo à Abadia). Ambas as solenidades serão presididas por Dom Fernando Panico. Este receberá, naquela ocasião, uma homenagem das monjas beneditinas pelo décimo terceiro aniversário de sua posse como bispo diocesano de Crato, fato acontecido em 29 de junho de 2001.

Tomou doril

Estamos em junho, o 6º mês do ano. E até agora nem notícia do prometido retorno do sistema de estacionamento de veículos no centro de Crato, conhecido como Zona Azul.  A suspensão da Zona Azul, que funcionou até o início de 2014 foi uma dos maiores retrocessos dos muitos que vêm acontecendo nesta cidade.  Em meio à buraqueira, que domina as ruas centrais, estacionar um veículo no centro da cidade tornou-se uma empreitada penosa e difícil.  Bote retrocesso nisso!

Revista do Centenário

Está marcado para o próximo dia 22 de agosto (data da abertura da festa de Nossa Senhora da Penha, Rainha e Padroeira do Crato e da Diocese), o lançamento da Revista do Centenário, comemorativa aos cem anos de criação da Diocese de Crato. Matérias diversas, artigos e fotos históricas estarão presentes nas páginas dessa revista que está sendo editada em Fortaleza.

Cadê Gabriella?

Por onde anda a restauradora italiana Gabriella Federico (foto ao lado), que residiu algum tempo na cidade de Crato? Ao tempo que aqui morou, Gabriella colaborou – e muito – para a preservação do nosso pequeno patrimônio artístico-histórico-religioso. Não só de Crato, mas de várias cidades do Cariri. Segundo me informa Olga Paiva, ex-superintendente do Iphan no Ceará, Gabriella Federico está hoje morando em Roma, onde prossegue com seu trabalho de restauração de obras de arte, dando sua parcela dentro daquela máxima do escritor russo Dostoievsky: “A beleza salvará o mundo”.

Brejo Santo ganha santuário

Mais uma exitosa iniciativa do dinâmico pároco de Brejo Santo, monsenhor Dermival de Anchieta Gondim. Em setembro próximo será entregue à população daquela cidade o Santuário da Mãe Rainha Três Vezes Admirável. Uma grande e bonita construção edifício que se constitui na maior igreja católica daquele progressista município caririense. Uma grande festa está sendo preparada para a solenidade de sagração litúrgica do santuário da Mãe Rainha, evento inserido na programação comemorativa ao Centenário de Criação da Diocese de Crato.

Presente de Bento XVI

Em 19 de junho de 2012, o bispo de Crato, Dom Fernando Panico, comunicou ao então Papa Bento XVI, o projeto de comemoração – entre outubro de 2013 e outubro de 2014 – do centenário de criação da Diocese de Crato. Semana passada, entre surpreso e emocionado, Dom Fernando recebeu um pacote do Vaticano, no qual veio um cálice (foto abaixo)  de celebração de missa e uma casula  (foto à esquerda), que vem a ser uma vestimenta usada pelos celebrantes nas celebrações litúrgicas. O cálice e a casula pertenceram ao atual Papa-emérito Bento XVI e por ele foram presenteadas à Diocese de Crato.
(fotos: Patrícia Silva)

No mais


O desejo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se cumpriu nesta sexta-feira, a menos de uma semana da abertura da Copa do Mundo na cidade de São Paulo: sem metrô e com trânsito caótico, paulistano pode usar jumento para ver os jogos da seleção. No último dia 16 de maio, o petista afirmou ser "babaquice" a preocupação de oferecer metrô para o torcedor chegar aos estádios. "Nós nunca tivemos problemas em andar a pé. Vai a pé, vai descalço, vai de bicicleta, vai de jumento, vai de qualquer coisa", disse Lula.


Curtas 

Circo ou hospício? – Faltam 5 (cinco dias)  para a Copa do Mundo. E na cidade da abertura (São Paulo) prossegue a greve do metrô, com ameaça agora de greve geral.  Ou seja, se cobrir vira circo, se cercar vira hospício. Pobre Brasil!

Padrão Brasil – Nas 12 cidades que sediam os jogos da Copa do Mundo  a bandidagem continua agindo à solta! Os turistas que se cuidem, pois a população brasileira, há muito tempo, está perdida no mato sem cachorro...

Agora só vale notícias de futebol – O general  Golberi do Couto e Silva gostava de dizer que a opinião pública brasileira só guardava a memória de  uma notícia  durante 15 dias. E isso, se não for época de Copa do mundo ou carnaval.

Pois é –  Por isso foi pouco divulgado o levantamento feito pelo Pew Research Center, um dos mais sérios e prestigiados institutos de pesquisa dos EUA, que vem fazendo este trabalho desde 2010, em 82 países do mundo. E o que esse levantamento concluiu do Brasil?

Lá vai o resultado –  86% dos brasileiros desaprovam o fraco combate feito à corrupção, 85% estão insatisfeitos com a situação de insegurança pública, 85% repudiam o serviço de saúde, 76% desaprovam o sistema de transportes, 71% não concordam com a política externa, 71% acham ruim a educação, 67% estão contra as preparações para a Copa do Mundo, 65% revoltam-se com a pobreza e 63% estão em desacordo com a situação da economia.

Moral da pesquisa – Se isso foi divulgado  às vésperas de novo pleito eleitoral, pode aguardar que vem chumbo grosso por aí. Apesar de o clima ser voltado, nestes dias, unicamente para a Copa do Mundo...


Noites de lua cheia - Por; Emerson Monteiro

Passar o tempo neste apartamento de livros, quadros e fotografias me deixa precisando de repouso. Os discos, bons companheiros antigos, se transformaram em trecos repetitivos, lineares e aborrecidos.

- Vida de cidade grande. CIDADE GRANDE, argumentos anêmicos. Razões do passado, quando plástico era elemento curioso, como espelhos e fitas coloridas dos portugueses aos índios.

Hoje, tudo ficou diferente, perdido que está o sonho da combinação artificial das cores. Aquilo de se ser um pouco de humano - de necessitar da natureza - não mais pode ter compensação nas noitadas em frente aos vídeos, jogos de futebol e cinema. Quer-se viver de verdade. Viver de verdade (engraçado, não fosse trágico). Hora de decisão. Onde sobra querer demorar um pouco mais.

É noite de lua cheia. (- Mas hoje não é quarto crescente?).

Pouco importa a lua. Vivemos o expediente. Quinze para as quatro, esquina da Piedade amanhã. Viver. Vegetar. Utopia em antítese. O regresso; a síntese.

As mariposas nunca mais procuraram a luz. Luz artificial industrial. Noites de cidade. As noites de apartamento. Ausência de vida pelo ar. Um cheiro de incenso envelhecido, de mofo. Vidas artificiosas nos jornais, nas revistas. Sonhos andam escassos, esgotados pelos desanos (anos de desenganos). Ausência completa de neologismo. Um mundo de silogismo e sofismas. Saudades amarelecidas, nos varais em volta.

Como dizem os que quebraram a cara: - Do erro nasce a coerência do certo através da dor.

De uma falha burocrática, a máquina tomou o lugar do Homem, dono do Planeta, na ordem natural das coisas. Alguns sacrificaram todos. Cidades em volta das fábricas. Cidades em tudo. Monstros de ferro e fogo. A própria brutalidade envidraçada.

Assim, muitos anos. Assim, em volta espiralada. Sofisticação universal de centros cercados de substâncias apodrecidas. Noites de floresta. O mundo fantasioso dos ancestrais. As histórias de Bradbury. Vida marciana. A beleza em tudo. O amor. A consciência. A justiça. A igualdade. O sonho. A liberdade. A vida. O trabalho. A honestidade. O equilíbrio. O frio. O quente. O açúcar. O sal. O som. As flores. As árvores. A criação. Deus.

A raça se levanta devagar. Levagar. O ovo. O novo. Tempo transcorrendo no vento e uma sensação de calor. Uns descem, outros sobem a Avenida Sete, às 9h de um sábado de primavera, no fervor do comércio. O Sol. A procura do não se sabe o quê. Do não se sabe onde. Preço químico dos acrílicos bocejantes nas encostas dos morros. O rapa expulsou os hippies. Salvador do turismo, como meretriz sorridente, segue pras bandas da Praça da Sé pela Rua Chile. Cheiro baiano de África, de Continente Negro. A manhã - a manha... amores de dendê - de onda do mar - de areia branca - das madrugadas de Itapuã - de sabor de sal na pele o dia todo.

Uma noite a mais pela frente. A Lua crescendo. Os discos nem sempre silenciam. Mesmo porque (de que adiantaria?) carros cobririam o silêncio. Apartamento é como caixa de som, tem vibração, tem de tudo.

Texto escrito em 28.10.76, com pequenas modificações.

O Nosso Sansão - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

No Sítio Pau Seco, aí pelo final dos anos quarenta e nas décadas seguintes, surgiu um homem extraordinário. Era conhecido por Zé Moreira e tido por muitas pessoas como um novo Sansão, posto que dotado de uma força descomunal. Filho de um humilde leiteiro, Zé Moreira trabalhava no Engenho do Pau Seco. Era uma verdadeira máquina! Imaginem que ele alimentava a caldeira do engenho, tirando água de um cacimbão, através de um balde atado a uma corda, que era puxada manualmente por ele. Essa operação se repetia várias vezes ao dia. Em seguida, ele transportava essa água para uma pequena caixa d’água que abastecia a caldeira do motor do engenho. Para isso, utilizava-se de seis latas, dessas usadas como vasilhame de querosene, cada uma com capacidade estimada de uns 20 litros. As latas eram presas por uma corda a uma pequena travessa de madeira, denominada pelos rurícolas de galão e suspensas sobre o pescoço do Moreira, três latas de cada lado do seu corpo. Um trabalho desses já era demais para um homem normal. Porém Zé Moreira, além disso, tratava do gado leiteiro, ajudava a tirar o leite pela manhã, preparava a ração das vacas e bezerros e abastecia de água os serviços domésticos da casa grande. Tamanha atividade física exigia uma boa alimentação. Lembro-me que o almoço do Zé Moreira não cabia num prato comum. Assim sendo, ele comia numa bacia de folha-de-flandres quase do mesmo tamanho daquelas bacias brancas para o asseio das mãos, ainda existentes nas salas de jantar das casas do nosso sertão. Desnecessário afirmar que esta refeição, realizada três vezes ao dia, era composta de arroz, feijão, carne, farinha de milho e pequi, tudo dosado numa boa quantidade.

Até hoje se mantém gravada na minha memória uma incrível cena que presenciei. No lusco-fusco de um final de tarde de outubro, uma grande boiada passava pela estrada do Pau Seco em direção ao Juazeiro. Um dos vaqueiros parou, disse ao meu pai a quem pertencia aquele gado e pediu pousada por aquela noite. Imediatamente obteve autorização para que a boiada fosse colocada na bagaceira do engenho, junto com outros animais que ali passavam a noite bebericando tiborna e comendo bagaço de cana ainda verde e palhas da cana. No dia seguinte, acordei mais ou menos às cinco horas da manhã, com a voz do meu pai perguntando por que o engenho ainda estava parado àquela hora. Os trabalhadores responderam que havia um touro brabo no meio do gado, botando todo mundo para correr. Naturalmente, aquele boi ficara bêbado por exceder-se na tiborna, um rescaldo da destilação do alambique, que deixa enfurecido qualquer animal que não tinha o hábito de bebê-la com a mesma freqüência dos bois acostumados na bagaceira do engenho. Levantei-me a tempo de ver o touro escavando o chão, formando em torno dele uma enorme nuvem de poeira escura. Os próprios vaqueiros que conduziam a boiada sentiam-se desencorajados para prender aquele valente boi. Quando Zé Moreira avistou aquela cena, ignorando os protestos dos seus companheiros de trabalho, que temiam por sua sorte, entrou firme na bagaceira e esperou o boi partir para cima dele. Com a rapidez de um praticante de luta livre segurou os chifres daquele touro enfurecido e deu um giro de aproximadamente 90° na cabeça do paquiderme. A fera caiu de uma vez só, provocando um surdo ruído ao bater com o corpo no chão. Um choque de cinqüenta arrobas contra o solo seco. Os vaqueiros depressa se encheram de coragem e laçaram o boi. Ajudados pelo Sansão do Cariri conduziram-no para o meio da boiada que esperava no caminho, um pouco mais adiante.
  
A família do Zé Moreira era composta por uma mulher cega e dois de seus cinco filhos também cegos. A cegueira não impedia sua mulher de fazer os serviços domésticos, além de realizar pequenos consertos de costura. Era admirável como ela conseguia enfiar a linha pelo buraquinho estreito da agulha. Não sei se devido a esse infortúnio, Zé Moreira gostava de beber uma “branquinha” e espairecer um pouco nos seus dias de folga. Então, largava-se para o Crato ou Juazeiro, onde quer que houvesse um forrobodó. Certa vez estava num “samba” que se realizava próximo à estação ferroviária do Juazeiro. Convidou uma jovem para dançar e ela respondeu que não dançava com velhos. O sangue juntamente com a cachaça subiu-lhe à cabeça. Segurou a moça pelo vestido, à altura dos seios e deu um forte sacolejo para o alto, fazendo com que a jovem subisse alguns centímetros acima do nível do mar, de modo que, o seu vestido ficou preso nas mãos do Zé Moreira. O tempo fechou nesse “samba” e o sarrafo comeu solto. Era Zé Moreira contra uns dez homens que não conseguiram domá-lo. Dois policiais que estavam na estação, viram a confusão, rapidamente chegaram ao local da festa e agarraram nosso Sansão. E ele, com a serenidade que lhe era peculiar, começou a pedir calma aos dois policiais, enquanto apertava o braço de cada um deles com tanta força, que eles o soltaram; desistiram de prendê-lo e saíram imediatamente do local. A coisa serenou e o Moreira pedia que o tocador voltasse com a música. De repente, chegou um caminhão carregado de policiais. Era demais! O nosso herói vendo que seria preso e espancado por aquele batalhão, correu pela linha do trem em busca do São José. A polícia seguiu em seu encalce até a saída do Juazeiro. Quando Zé Moreira ia chegando próximo do São José, extenuado pela correria de mais de seis quilômetros, e ainda meio zonzo da bebedeira, tropeçou num dormente da ferrovia, caiu e exclamou como se reconhecesse uma derrota: “filhos de uma égua, ainda vêem atrás de mim esse tempo todo!”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Vida de Gado: brasileiros estão voltados a partir de agora só para a Copa do Mundo? diretor do Datafolha diz que não.


Análise: Tensão política causada pela Copa é inédita e terá reflexos – por Mauro Paulino (Diretor Geral do Datafolha)
O Brasil não para durante a Copa do Mundo e o eleitor, mesmo quando empolgado ou decepcionado com a seleção brasileira, continua atento aos fatos que definem suas opções políticas. Os que imaginam brasileiros hipnotizados, sem pensar em outra coisa, esquecem que em quatro das cinco eleições disputadas em anos de Mundial houve calor eleitoral enquanto imperava o clima de Copa do Mundo.
Essas mudanças refletiram reações dos eleitores a fatos políticos e econômicos ocorridos paralelamente às atuações da seleção. Desta vez, organizada pelo Brasil, a Copa se entrelaça com a conjuntura, potencializando a possibilidade de influenciar o processo eleitoral.
O balanço que os brasileiros farão da organização do evento, da reação dos governos aos prováveis protestos e mesmo do empenho dos jogadores reserva uma tensão política inexistente nas disputas anteriores. Cresce nas redes sociais, habitat da classe média descontente, a discussão sobre a conveniência ou não de torcer pela seleção brasileira. É um debate que lembra o ocorrido em 1970, quando a disputa coincidiu não com eleições, mas com o período mais duro da ditadura militar.
Hoje, o Brasil não está para samba, especialmente segundo os que integram a classe média urbana tradicional, com seu poder de influência e reverberação. Estes, juntamente com os visitantes estrangeiros, são os que lotarão os estádios, prontos para reagir às eventuais desorganizações, à Fifa e à presença de políticos de qualquer nível e sigla. O hino será belo, mas as vaias surgirão a qualquer descuido e poderão ecoar até outubro, para todos os lados.
(Folha de S.Paulo)
Enquanto isso: para dirigentes da Fifa, País não está pronto para Copa
A manutenção da paralisação do metrô em São Paulo, a possibilidade de uma greve geral, manifestações e a situação dos estádios deixam membros da Fifa em estado de alerta total e cartolas já declararam: o Brasil não está pronto e a Fifa jamais poderá permitir uma nova Copa do Mundo nesta situação. Oficialmente, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, garante que "está tudo sob controle". Mas a reportagem falou com vários dos principais dirigentes da Fifa, sob condição de anonimato, e os comentários são radicalmente diferentes da versão oficial, enquanto nos bastidores a entidade exige garantias do governo de que a Copa poderá ocorrer numa situação ideal.
A Fifa fechou uma estratégia para abandonar qualquer discurso alarmista sobre a preparação do Brasil, na esperança de gerar nos torcedores um ambiente de festa e de Copa. Não por acaso, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, apelou para que o País apresentasse um "ambiente de samba". Mas o discurso cuidadosamente montado contrasta com a realidade das reuniões e os comentários dos dirigentes do futebol mundial.
"Essa situação está revelando que o Brasil não estava pronto. O que estamos vendo é inaceitável", disse um membro do Comitê Executivo da Fifa, na condição de não ter sua identidade revelada. "Teremos de repensar tudo para os próximos anos. Não se pode dar a Copa a um país que, no fundo, tem outras prioridades e não tem condições de dar condições mínimas nem de segurança", insistiu. Um dirigente europeu também constatou: "A situação é muito, muito ruim. Sabíamos que as condições não eram ideais, mas acho que poucos tinham a dimensão dos problemas".
(“Jornal do Commercio”, Recife,08-06-2014)

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