xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 04/09/2013 | Blog do Crato
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04 setembro 2013

Costumes - Por: Emerson Monteiro


As dificuldades de transporte sempre acompanharam o ser homem nas fases da História. Exemplo disso, quando não havia os meios atuais de estradas e seus idolatrados veículos automotivos, deslocar os doentes no sertão exigia esforços inestimáveis.

A solução encontrada tantas vezes era estender uma rede em uma madeira bruta e distribuir o peso nos ombros de valentes carregadores, perfazendo a pé longas distâncias na busca do socorro médico, sendo também essa a modalidade usada para remeter os falecidos ao pouso derradeiro. Nos caminhos, quem encontrava um carreto sombrio daquele tipo logo queria, de curiosidade, saber o que conduziam seus portadores:

- É vivo ou é morto? - perguntavam de costume onde fossem passando com a maca, o que acanhava os vivos que tivessem de utilizar o tipo de ambulância do passado, pondo-os numa situação vexatória.

Sobre tais situações indesejáveis, o Padre Neri Feitosa, em seu livro Usos e Costumes de 50 Anos Atrás, conta que o Seu Pedro de Brito, varão residente no Quebra, sítio do distrito de Ponta da Serra, em Crato, quando adoeceu e teve que ser trazido às pressas para se tratar na sede do município, se viu nessa condição de enfrentar tal embaraço, estendido numa rede levada  no ombro à busca da cura. Em princípio, reagiu de não querer acordo. Preferia se acomodar nos matos a defrontar os agoureiros do percurso. E o doente, por nada deste mundo, queria ir na rede, com receio da pergunta costumeira - afirma o sacerdote em seu livro. No entanto, dada a persistência continuada dos familiares em cuidar da saúde do ente querido, o sertanejo aceitou fazer a viagem. Justificados zelos, porém dito e feito, pouco demorou lhe acontecer o que temia. Envolto nos lençóis da jornada a caminho da cidade, conduzido nos ombros de dois caboclos fortes, na estrada, certo instante escutou, contrariado, a temida pergunta de algum observador:

- É vivo ou é morto?

Sem esperar a resposta dos carregadores, o enfermo afastou as bordas da tipóia improvisada, botou a cabeça para fora e, de pescoço esticado, ainda resmungando:  Eu não disse, eu não disse!, de logo revidou:

- É vivo, seu filho da puta!

Por: Emerson Monteiro
Foto: Divulgação


MEROS RESPINGOS DE TINTA. Por Dartagnan da Silva Zanela


Escrevinhação n. 1037, redigida entre os dias 22 de agosto de 2013, dia de São Filipe Benício e da Virgem Maria Rainha, e 26 de agosto de 2013, dia de São Zeferino.

1. A companhia dum analfabeto nato, duma pessoa ágrafa, é muitíssimo mais edificante que a dum analfabeto diplomado, independente do grau de seu rolinho de papel sujo. Este tipo presunçoso, que tanto abunda nestas plagas, conhece as letras, mas não lhes dá o devido valor, desdenha o seu cultivo e, por isso mesmo, não as ama.

2. Palavras! Houve um tempo em que acreditei em palavras humanas. Houve um tempo em que acreditei nas promessas humanas dum mundo melhor possível. Tolo eu era. Esse era o tempo da idade das bestiais utopias rubras. Eram os dias das estultices juvenis, tempo esse em que acreditamo-nos senhores do futuro sem ao menos termos lutado pelo presente a partir da conquista do que nos fora legado pelo passado. Época em que almejamos corrigir o mundo sem ao menos ter tentado nos corrigir. Tempo sombrio esse que, graças ao bom Deus, passou, mas que, em muitas almas, continua a fazer-se presente com as mesmas palavras ocas e vazias dos tempos das estultices pueris.

3. A realidade presente em uma palavra não é desvendada através das páginas dum dicionário, mas sim, por meio das laudas dos atos e gestos humanos. Quando as letras encontram-se perdidas flutuando nos ares pútridos de lábios cínicos os gestos destroem todo o sentido originário que há na palavra dita pela alma sebosa. Ora, não é raro vermos esses seres carcomidos em sua soberba falarem que amam ao mesmo tempo em que seus gestos revelam o total desprezo pelo ser amado. É freqüente testemunharmos gestos de magistral ingratidão em contraste aberrante com a palavra gratidão, mesmo que essa seja dita com todos os tons melosos e entonações chorosas imagináveis. E, num contraste destes, não há como falar em valores, visto que, neste cenário, eles também foram desdenhados, para não dizer excluídos.

4. O posar de coitado é um sinal clarividente de deficiência de caráter. Não me refiro as desvalidos, obviamente. Aliás, estes se recusam a fazer-se de coitados e, na verdade, dão-nos preciosas lições de grandeza através da maneira corajosa com que eles enfrentam os descaminhos da vida. Refiro-me sim àqueles tipinhos que, de fato, a vida lhes sorriu, e muito, mas que se imaginam merecedores de muito mais e, por isso, veem-se como vítimas injustiçadas do destino. Que dó! Nada constroem porque não ganham tanto quanto acham que mereçam. Em fim, sempre se sentem muito acima do que a vida lhes oferta porque nunca estiveram à altura duma vida humana digna deste nome. No fundo, esse tipo de gente não passa dum Raskolnikov piorado.

5. Às vezes fico cá com meus botões a indagar sobre os limites que separam a cegueira estulta da estupidez cinicamente dissimilada. Muitas vezes testemunho certos fatos que, confesso, varam de longe qualquer explicação minimamente razoável. Não consigo crer que certos indivíduos não sejam capazes de ver e compreender a gravidade, e mesmo a crueldade, de seus atos. Muitos fatos não podem ser explicados como sendo uma amostragem de estultice pura e simples. É canalhice da brava! Não podemos nos esquecer jamais que o pior biltre é aquele que se faz de coitadinho, chorando rios de lágrimas [de crocodilo]. E assim ele atua para melhor galgar as simpatias de novos, ou velhos, otários que se compadeçam com sua vileza disfarçada sob uma pútrida túnica duma enjoativa melancolia. Sim senhor! Há muitos desta fauna neste mundo, mas a quantidade de trouxas é bem maior para garantir a perpetuação da dita espécie parasitária.

Pax et bonum
Finte:
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