xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 07/02/2013 | Blog do Crato
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VÍDEO - ÚLTIMAS NOTÍCIAS - Prefeito do Crato é escolhido um dos melhores prefeitos do Ceará pela PPE Eventos, em Fortaleza. ( 09-11-2017 ).
Estamos de volta com as transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, com alguns programas ao vivo ). Serão vários programas abordando temas diversos, como a realidade da nossa região, do Ceará e do mundo; Programas científicos, atualidade, entrevistas, e transmissão de eventos ao vivo. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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07 fevereiro 2013

Imprensa brasileira dá destaque à nova etapa do processo de beatificação da mártir Benigna


   O bispo de Crato, dom Fernando Panico participou ao vivo, nesta 4ª feira, dia 7 – diretamente de Juazeiro do Norte – do Programa “Bom Dia Ceará”, gerado pela TV verdes Mares, canal 10, a partir de Fortaleza, que alcança todo o Ceará. Ele falou sobre a aprovação dada pela Congregação para a Causa dos Santos para o início da 2ª fase do processo de beatificação da menina Benigna Cardoso da Silva. Dom Fernando gravou também entrevista para a TV Verdes Vales, de Juazeiro, além do jornal “Diário do Nordeste” e emissoras de rádio de Crato, Juazeiro do Norte e Santana do Cariri.
   Coube ao atual bispo de Crato a iniciativa de pedir ao Vaticano autorização para iniciar o processo de beatificação da jovem Benigna.
   Outros jornais brasileiros reproduziram a notícia a partir das informações fornecidas por Dom Fernando.

12 anos como bispo do sul do Ceará

Dom Fernando aparece na foto ladeado pelo prefeito de Crato, Ronaldo Gomes de Matos e a esposa deste. À Direita, o ex-prefeito de Iguatu, Agenor Neto.

   Missionário do Sagrado Coração de Jesus (MSC), Dom Fernando Panico – naturalizado brasileiro – nasceu em 01 de janeiro de 1946, em Tricase, no sul da Itália. Fez seus estudos em Roma, onde foi ordenado sacerdote no dia 31 de outubro de 1971. Em 13 de dezembro de 1974 chegou ao Brasil, como missionário no Estado do Maranhão. Lá permaneceu até 02 de junho de 1993, quando foi nomeado, pelo Papa João Paulo II, Bispo de Oeiras-Floriano, no Piauí, aonde recebeu a ordenação episcopal em 14 de agosto daquele ano.

   No dia 02 de maio de 2001, foi transferido para a Diocese de Crato como seu quinto bispo, tendo assumido sua missão pastoral em 29 de junho de 2001. Desde que aqui chegou, Dom Fernando Panico vem confirmando o seu projeto pastoral de caracterizar esta Diocese como “Romeira e Missionária”. Criou dez paróquias e ordenou quarenta e sete sacerdotes.  Criou o Curso Superior de Teologia no Seminário São José e trouxe para dirigir este educandário a Companhia dos Padres de São Sulpício (Sulpicianos) que administram apenas nove Seminários no mundo, sendo dois no Brasil (Crato e Brasília).

    Criou a Faculdade Católica do Cariri. Entregou à Ordem dos Camilianos a administração do Hospital São Francisco de Assis de Crato, que vem experimentando sucessivas melhorias no seu funcionamento. Construiu a Cúria Diocesana e a nova residência Episcopal, no bairro Granjeiro. Esta casa foi construída com dinheiro doado pela Província Italiana dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus, mas Dom Fernando fez doação da residência ao patrimônio da Diocese de Crato.  Conseguiu, junto ao Vaticano, a elevação da Igreja-Matriz de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte à condição de Basílica Menor. 

   Dom Fernando criou o Santuário Eucarístico Diocesano que funciona na igreja de São Vicente Férrer em Crato. Foi o responsável pelo início dos estudos sobre o Processo de Reabilitação do Padre Cícero Romão Batista, ora em análise na Santa Sé.  Trouxe para a Diocese as seguintes instituições religiosas: Ordem Camiliana, Companhia dos Padres de São Sulpício (Sulpicianos), Freiras Contemplativas da Ordem Fraternidade Missionária (todas as citadas para a cidade de Crato); Monjas Contemplativas da Ordem de São Bento (Beneditinas) que construíram o Mosteiro de Nossa Senhora da Vitória e as Irmãs Salesianas, que atuam na Colina do Horto (ambas para Juazeiro do Norte); Filhas de Nossa Senhora do Sagrado Coração (para Antonina do Norte); Irmãs Filhas da Imaculada Conceição de Buenos Aires (para Lavras da Mangabeira).

Premonição? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Naquela noite, inicio de dezembro de 1965, eu fui dormir pensando na viagem que faria ao Crato no dia seguinte. Um pouco de ansiedade me envolvia por completo. Primeiro pelas férias há tantos dias aguardadas. Depois pela viagem aérea que sempre me deixava um pouco tenso. Embalado por essa ânsia, adormeci e tive um sonho tão nítido quanto preocupante. Estávamos na nossa casa do São José e na sala de visitas havia um caixão de defunto. Um velório era acompanhado por muita gente do lugar. Cheio de curiosidade, olhei para ver quem era o morto. O velho Mamundo estava dentro do caixão completamente inerte. Uma tristeza invadiu minha alma, pois Mamundo era um personagem da minha infância. Ele era nosso vizinho de sítio, no São José e há muitos anos morava na nossa casa. Foi casado com uma prima de meus pais. Quando ele ficou viúvo, entrou num desespero de fazer pena, totalmente sem planos para enfrentar tamanha solidão. Meus pais convidaram Mamundo para passar alguns dias na nossa casa. E ele por lá ficou mais de trinta anos. Agora, num sonho estranho, ele jazia inerte naquele caixão. De repente uma das minhas irmãs disse: “Finalmente essa praga morreu!” Fiquei tão chocado com essa frase e mais ainda quando vi Mamundo levantar-se bruscamente do caixão e apontando o dedo para minha irmã disse: “Você está pensando que eu morri? Pois eu não morri, não! Quem vai morrer é seu pai!”

Acordei sobressaltado, olhei o relógio, três horas da madrugada. Não consegui mais dormir no restante daquela noite. Aquele sonho me deixou completamente preocupado, pois temia muito que meus pais morressem antes que eu concluísse meus estudos. A cada passagem do trem suburbano do outro lado da Ribeira, sentia-me no São José, com o tão familiar apito e o barulho dos rolantes dos trens. E um medo muito grande me encheu por completo. Aquele sonho mexeu comigo.

Durante o vôo não conseguia me livrar da preocupação que o sonho me trouxera. Bobagens, sonhos são apenas sonhos, talvez apenas projeções inconscientes dos nossos medos. Tentava desse modo me livrar daquele mau estar.
Quando o velho DC-3 pousou no Aeroporto de Fátima, de longe se avistava a pequena estação de passageiros. Tomei um susto porque não vi meu pai, que sempre costumava me esperar nessas viagens. Em seu lugar estavam dois irmãos. Mal desci do avião, perguntei a eles: “Por que papai não veio?” “Papai está doente. Apareceu um derrame abaixo das duas axilas.” Responderam. Novamente o sonho da noite anterior voltou a me incomodar.

Uma semana depois da minha chegada, um primo médico foi com meu pai ao Recife, onde na véspera do Natal daquele ano ele foi submetido a uma cirurgia para retirada dos gânglios sob suas axilas, tendo a biopsia constada que se tratava de melanoma, um dos tipos de câncer mais mortal. A previsão dos médicos era a de que ele teria no máximo três meses de sobrevida.

Meu pai viveu ainda seis meses. Durante esse tempo, ele tinha consciência do seu estado e enfrentou aqueles dias com muita serenidade e confiança, que somente a certeza dos que crêem na imortalidade da nossa alma podem ter. Nos seus últimos dias, nossa casa ficou repleta de familiares e de uma multidão de amigos, que a gente não imaginava que meu pai fosse tão querido.

Percebendo que suas forças estavam acabando, ele chamou os filhos para uma última conversa. Por ser o filho caçula, fui o último a ouvir suas palavras, quase num sussurro. Foi muita emoção! De imediato, eu não compreendi porque ele me agradeceu as alegrias que eu lhe havia proporcionado. Depois entendi que ele estava dizendo o que esperava de mim no futuro. E durante toda a minha vida, eu procurei norteá-la pelo exemplo de vida que meu pai deixou. Um homem honesto, correto, amigo de todos sem distinção e de uma postura moral irretocável. Agora, depois de quarenta e três anos daquela despedida, espero haver correspondido àquele agradecimento que, para mim foi um direcionamento para o futuro.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

O soldadinho do araripe - Por: Emerson Monteiro


A escrita busca atender aos anseios do coração, impulso que traz alegria, uma vez que fazê-lo constrói amizades no correr de palavras e pensamentos. Nesta hora, o gosto de contar requer novidades. Daí querer falar a propósito do Projeto Soldadinho do Araripe, desenvolvido no Cariri pelo casal Weber Girão e Karina Linhares, verdadeiros missionários das ciências biológicas nessa região de natureza e clima privilegiados.

De início, apenas o ícone desse pássaro soldadinho tocava minhas impressões, uma ave pequena, de penugem branca e vermelha, algo parecido com o galo-campina, guardadas as diferenças bem substanciais que só depois viria conhecer. Língua-de- tamanduá, assim denominam as populações locais, devido a sonoridade do canto. Outros chamam de galo-da-mata, ou lavadeira-da-mata.

Adiante, face às ligações com o Instituto Cultural do Cariri, sede em que eles funcionam, soube do quanto os dois cientistas estudam e divulgam mundo afora da espécie de pássaro, inclusive registrada por Weber junto à Ciência oficial, isto a nível planetário, constando dos compêndios ornitológicos de qualquer centro acadêmico.

As razões da importância dessa família de ave, cuja fêmea possuía plumagem verde oliva fechado, levaram em consideração o desempenho típico de escolher viver próximo dos mananciais de água, isto nas encostas da Chapada do Araripe dos municípios cearenses de Barbalha, Crato e Missão Velha, forte indicador, pois, da preexistência dos resquícios de floresta que formam o habitat necessário à sua preservação.

Estas características representam indicadores de conservação das fontes e da umidade das levadas, clamor da preocupação dos habitantes desse território reconhecido pela beleza das matas, no entanto sob constante ameaça predadora que pesa nos ombros da humanidade inteira em tempos pragmáticos gananciosos.

O eficiente exercício da função dessa pesquisa, no que diz respeito ao soldadinho do araripe, amplia visões a formadores de opinião e autoridades responsáveis, graças ao empenho e formação aplicados à espécie, hábitos, alimentação, rotinas, reprodução, índices, população, dentro dos métodos sistematizados aqui postos em prática desde 2005. Por conta disso, o Cariri ganha as páginas da cultura científica e recebe visitantes de outros rincões, testemunhas comprometidas perante a saúde ecológica da Terra, leitura comum de consciência universal.

Além das pesquisas que realizam com habitualidade diária, os titulares do projeto administram parcerias importantes e intercâmbio junto a agências nacionais e internacionais, divulgando resultados nas escolas e nos meios de comunicação, trabalho que executam sob os auspícios, dentre outros, da Acquasis – Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos.

Preconceito e Discriminação - Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Sabemos que o preconceito, a discriminação e o racismo existem há milhares de anos e estão interligados entre si. O dicionário de Aurélio define o preconceito como: “conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou maior conhecimento dos fatos; idéia preconcebida.” No meio em que vivemos, podemos reconhecer vários tipos de preconceito e discriminação: o social, religioso, sexual, racial e muitos outros. Quase todos os dias nos noticiários, tomamos conhecimento de denúncias de preconceito, até com agressões físicas de ordem sexual ou racial. É indigno o ser humano agir assim com o outro, levando-o a exclusão. Ninguém quer reconhecer que é preconceituoso. A arrogância do ser humano em se achar superior ao outro é imensa. Observamos que dentro de famílias que se dizem tradicionais, em uma cidade grande ou pequena, o preconceito e a discriminação são gritantes. A superioridade de certas pessoas que encaram os que têm menos dinheiro ou menos estudo com discriminação é muito triste, já que somos todos iguais diante de Deus. Isso ocorre dentro das famílias, de parentes para parentes. Pessoas que tratam os outros componentes da família, como se fossem inferiores, só porque têm menos dinheiro, ou porque não possuem um diploma de curso superior. Essas pessoas não entendem o quanto se tornam pequenas agindo assim. O que faz um ser humano importante, é o caráter, a humildade, a bondade, a simplicidade e a honestidade, entre outros valores. O nome de família não tem nenhuma importância. Já ouvi alguém afirmar que foi morar fora do Crato, quando ainda pequena, e quando voltou, a primeira pergunta que ouvia era: de que família você é?

Um humilde trabalhador honesto, mesmo que seu sobrenome não seja tão conhecido, ou não tenha um diploma universitário, tem tanto valor quanto um doutor. Grande parte das famílias que compõem a elite dominante de nossa sociedade são preconceituosas, racistas e discriminatórias. Deveriam se envergonhar de um comportamento tão impróprio para uma pessoa que se diz de família tradicional. Em Crato e em Fortaleza tenho amigos valorosos que não pertencem a famílias importantes, não têm diploma universitário, não são ricos e que dão grande exemplo de vida, com a sua dignidade, retidão, honestidade, bondade e solidariedade. Estão sempre a ajudar ao próximo, principalmente os mais necessitados. Essas pessoas fazem a diferença em um mundo tão cruel, violento e cheio de preconceito, racismo e discriminação.

No livro do Gênesis, podemos observar que o ponto alto de toda obra criadora de Deus é o sexto dia, quando Ele cria a humanidade. “E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher.” (Gn 1,27). Nesse trecho podemos entender que todos os seres humanos foram criados à imagem e semelhança de Deus. A Bíblia nos ensina que Deus nos ama a todos sem distinção. E sabemos que Ele mandou seu filho Jesus para nos salvar. E Jesus veio nos ensinar a amar e nos manda amar o nosso próximo. Mas o homem na sua prepotência e orgulho se acha melhor do que os outros. No capítulo 25 do Evangelho de Mateus, Jesus diz que tudo o que fizermos com o menor dos nossos irmãos será feito a Ele. Portanto se maltratarmos uma pessoa é a Deus que estamos maltratando.

É maravilhoso sonhar com um mundo melhor e mais humano. A vida seria mais harmoniosa se todos reconhecessem a igualdade entre as pessoas e que não existisse essa doença impregnada na sociedade que é: o preconceito, a discriminação e o racismo. Dias melhores virão, essa deve ser a nossa esperança.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

DO POSTO REGENTE AO POSTO CRATO - POR ANTONIO MORAIS


Dedicado ao Dr. Mario Correia.

Posto Regente fundado por Mário Oliveira e depois transformado em Posto Crato, em sociedade com o Audisio Brizeno, resiste até nossos dias, instalado na gloriosa Praça Siqueira Campos – Crato. O Audisio era compositor e tinha uma bronca com o Rei do Baião Luiz Gonzaga porque o entregou uma musica pronta para ser gravada, e, a letra foi modificada para agradar um fazendeiro rico de São Paulo alem do Luiz aparecer como co-autor. Estes fatos tornaram o Audisio mais raivoso do que a falta do recebimento de qualquer direito autoral. A musica dizia assim:

Meia noite o pinto pinica o galo
O galo pinica o pinto
O pinto quiri quiqui.

Meia noite, é o berrado do bode
É o roncado do porco
Que ninguém pode dormir.

Deixando de fora a bronca do Audisio, que foi um grande amigo meu, peço permissão para contar uma historinha dos tempos do Crato antigo. A vida social da cidade era bem mais movimentada. Toda sexta-feira havia baile na AABB e aos sábados no Crato Tênis Clube, alem da grande vesperal de Domingo.

Na época eram poucos os automóveis, poucas famílias dispunham desse privilegio e era costume utilizar-se dos serviços do taxista. O Audisio tinha um timbre de voz bastante assemelhado a voz feminina e era costume receber trotes de pessoas imitando sua voz nos dias em que estava de plantão no posto, o que lhe deixava puto da vida.

Um belo dia, terminada a festa da AABB, já por volta das três horas da manha, uma senhora apanhou o telefone do Bar com o Aristides e ligou para o Posto Crato e o Audisio atendeu. Veja o dialogo que ocorreu entre os dois:

Audisio: alô! Fininho danado.

A mulher respondeu: quem está falando? Com voz idêntica ao Audisio.

O Audisio fulo da vida respondeu furioso: porque você não vai imitar a puta que pariu? Desligando o telefone na cara da mulher que ficou tonta com tamanha agressividade.

13º Intereclesial das CEBs será promovido na Diocese de Crato

Cardeal Damasceno (à direita) recebe o texto-base
O presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis, recebeu, na última 4ª feira, dia 6, o texto-base do 13º Intereclesial das CEBs, que será realizado de 7 a 11 de janeiro de 2014, em Juazeiro do Norte, dentro da programação do Centenário de criação da Diocese de Crato.

Este documento foi lançado por ocasião da 4ª Reunião da Ampliada Nacional, realizada  no último dia 25 de janeiro, no Centro de Expansão Dom Vicente Matos, na cidade de Crato. O tema do 13º Intereclesial será “Justiça e Profecia a serviço da Vida” e o lema: “CEBs, romeiras do reino no campo e na cidade”.

O texto já está disponível no secretariado do 13º Intereclesial, que funciona na Cúria Diocesana de Crato. Foi lançada também a cartilha em versão popular para os círculos bíblicos e grupos de reflexão.


A menina Benigna -- por Laudícia Holanda (*)


Capelinha de Benigna - Inhumas, Santana do Cariri (CE)

   Muitas noites, eu perdi o sono pensando na história triste de Benigna. Era a história mais triste que se conhecia em Santana do Cariri, naquele tempo. Depois eu conheci outras, como a de Paizinho, o doido inofensivo que perambulava nas portas das casas, gesticulando com a cabeça.

   Mas nenhuma igual ao barbarismo do crime que abateu o ânimo dos habitantes de Santana do Cariri e dos arredores, em todo lugar onde a notícia circulou. Principalmente, porque Benigna era duplamente indefesa, naquele trágico dia. Como poderia ela, criança que era, imaginar que alguém seria capaz de tamanha ignomínia e que ela era o objeto do sórdido desejo reprimido daquele pretendente?

   Até aquela época, eu não sabia que a humanidade pode gerar seres tão disformes. As pessoas benziam-se, quando falavam no assunto; algumas faziam um gesto com os ombros e o dorso, como se uma corrente elétrica passasse por elas, simplesmente pela lembrança da morte de Benigna. Arrepiavam-se.
   A fonte para onde ela se dirigia não ficava longe de sua casa, em Inhumas, mais precisamente no (Sítio) Oiti; e o trajeto era-lhe familiar. Costumava ir lá buscar água de beber para a família, como todos do povoado costumavam. Ninguém tinha qualquer receio, porque não havia razão nenhuma para isso. Por isso Benigna estava, de todo, vulnerável.

   Benigna era órfã de pai e mãe. Maria Rosa, sua parenta, recebeu-a como filha e a criava. Era bonita a menina Benigna. Tinha dois irmãos: uma casada e um rapazinho, que vivia junto com a mesma tia. Contam que Benigna era dotada de extrema bondade. Sempre atenta para auxiliar nos afazeres domésticos. Estudiosa também.

   Estava entre os 13 e os 14 anos, quando foi assassinada. O crime foi logo descoberto e o criminoso, preso, em sua própria casa. Alguém o viu na beira do riacho lavando um facão e, quando a polícia iniciou as buscas, ele foi apanhado. Mamãe se lembra dessa versão da história. Lembra também que ela foi aluna de Madrinha Ceição que tinha por ela, um carinho especial. Dessa época criaram-se laços de nossa família com a dela. Tanto é que, após sua morte, Dona Maria Rosa deu de presente à Titia Diva o terço usado por Benigna, na sua primeira comunhão.

   Contam-se milhares conseguidos por seu intermédio. Tantas graças alcançadas por pessoas respeitáveis; pessoas que merecem todo o nosso crédito. O Padre Cristiano, logo após o acontecimento, pediu à família que lhe desse o pote de Benigna, marcado para sempre naquela última viagem. Guardou-o com zelo. Quando as chuvas não se faziam prenunciar e o povo sofria a ansiedade da espera decisiva, costumava orar. Rogava a Benigna que intercedesse a Deus pelo povo da sua terra; pelos agricultores, cujo destino se marcava pela presença, ou não, das chuvas, e colocava aquele pote sob a biqueira. Diz Mamãe que vinha chuva.

   Seus objetos pessoais hoje estão preservados numa sala especial, no Museu dos Coronéis, em Santana do Cariri. Há uma atmosfera de mistério e santidade, quando se transita naquela sala, entre as coisas que constituíam seu pequeno patrimônio. Era uma vida simples, feita de coisas simples. Aquela singeleza parece atribuir mais força à história.

   São raros os habitantes de Santana do Cariri ou das redondezas que não tenham sido marcados por essa história. E as famílias passaram a ampliar seu zelo e os cuidados com suas meninas. Quando eu saí de casa, aos quatorze anos, para vir estudar em Fortaleza, ouvi muitos conselhos calcados na experiência de Benigna. Madrinha lembrava-se dela com frequência e nos fazia recomendações.

    Cresci escutando as narrativas de episódios miraculosos atribuídos à menina Benigna, mártir na infância, em 24 de outubro de 1941. Seu corpo era um templo que ela preservou com a própria vida. Quanta coragem, dignidade e honra numa pessoa tão jovem. Por isso, cremos que Deus a recebeu em Sua Corte, como um espírito de luz.


(*) Laudícia Holanda é professora da Universidade Regional do Cariri


Vaticano aprova a abertura do processo de beatificação da mártir Benigna

A Serva de Deus Benigna Cardoso da Silva
    
O bispo de Crato, Dom Fernando Panico, recebeu no último dia 31 de janeiro correspondência do cardeal Ângelo Amato, Presidente da Congregação para a Causa dos Santos, comunicando a concessão do “Nihil Obstat”, ou seja, o “Nada Impede” para a abertura do Processo de Beatificação da menina Benigna Cardoso da Silva, assassinada em 1941 – em Santana do Cariri – por defender a sua castidade. Isso significa que a partir de agora a Diocese de Crato pode iniciar oficialmente o Processo de Beatificação daquela jovem.

      A Diocese de Crato iniciou em 2011, setenta anos após a morte de Benigna, as pesquisas para abertura do processo de beatificação da menina, que é venerada como uma santa pela população de Santana do Cariri e cidades vizinhas. É a primeira vez que a quase centenária Diocese de Crato abre um processo de beatificação, o que exige, dentre outros requisitos, um postulador para a causa. Este atua como uma espécie de advogado e investiga a vida do candidato para verificar seu testemunho de santidade. Quem vem coordenando o processo de beatificação de Benigna Cardoso da Silva é monsenhor Vitaliano Mattioli, um sacerdote da Diocese de Roma que reside na cidade de Crato.

Os próximos passos do processo

     Após o Nihil Obstat, ora concedido pelo Vaticano, Benigna Cardoso da Silva já pode receber o título de Serva de Deus. Inicia-se agora a primeira etapa do Processo de Beatificação, ou seja, quando o postulador deve investigar minuciosamente a vida do Servo de Deus. Em se tratando de um mártir – como é o caso de Benigna – devem ser estudadas as circunstâncias que envolveram sua morte para comprovar se houve realmente o martírio. Ao terminar este processo, a pessoa é considerada Venerável.

Quem foi Benigna Cardoso da Silva

   Nascida em 1928, em Santana do Cariri e lá assassinada – no dia 24 de outubro de 1941 – Benigna viveu apenas 13 anos e 9 dias e findou sua existência terrena, ferida mortalmente, vítima de uma tentativa de violência sexual, à qual resistiu bravamente, para preservar sua virgindade. Foi uma vida breve, permeada pela amizade com Jesus, vivida em meio à pobreza, orfandade, trabalhos domésticos, gestos simples e solidários. Uma verdadeira santidade leiga, na qual realizou fielmente o projeto e a Palavra do Deus Pai.

   Na simplicidade da existência de Benigna, Deus a preparava para sua santificação, com os eventos simples do meio onde vivia. E assim a chamou, talvez para servir como exemplo de uma mocinha pura e sem maldade. Como se quisesse fazer dela um modelo para as gerações futuras, as quais, em grande parte – nos dias atuais – estão imersas no indiferentismo religioso, no hedonismo, na imoralidade, na impudicícia, nas drogas e em tantos outros males presentes na sociedade hodierna.


(Fonte: Diocese de Crato)

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