xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 21/06/2010 | Blog do Crato
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VÍDEO - ÚLTIMAS NOTÍCIAS - Prefeito do Crato é escolhido um dos melhores prefeitos do Ceará pela PPE Eventos, em Fortaleza. ( 09-11-2017 ).
Estamos de volta com as transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, com alguns programas ao vivo ). Serão vários programas abordando temas diversos, como a realidade da nossa região, do Ceará e do mundo; Programas científicos, atualidade, entrevistas, e transmissão de eventos ao vivo. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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21 junho 2010

A Santa de Inhumas -- por Armando Lopes Rafael


Inhumas é um povoado de Santana do Cariri, localizado a 2 km do centro da cidade. Lá ocorre um fenômeno da religiosidade popular, muito comum no hinterland nordestino. A memória de uma jovem, de nome Benigna, é alvo de veneração pelo povo simples de Inhumas.
Curioso em conhecer esta história ouvi de um habitante daquela localidade que Inhumas foi palco, há quase 70 anos, de uma tragédia. A adolescente Benigna Cardoso, nascida naquele povoado em 15 de outubro de 1928, levava uma vida igual às demais mocinhas da zona rural naqueles recuados tempos. Fazia as tarefas de casa e era encarregada, também, do abastecimento de água da família que a criava, pois era órfã.
Para tanto se deslocava, todos os dias, até um riacho distante da sua casa e trazia num pote de barro a água necessária ao consumo do dia. Sua formosura atraiu a atenção de um jovem de sua idade, Raul Alves de Oliveira, também residente em Inhumas. Mas Benigna nunca alimentou a expectativa do namoro pretendido por Raul.
No dia 24 de outubro de 1941, nove dias após completar treze anos de idade, Benigna iniciou cedo seus afazeres domésticos. Depois colocou o pesado pote na cabeça e, enfrentando o sol causticante, tomou o caminho da fonte de água. Antes de atingir o local, numa curva da estrada, apareceu de repente Raul que lhe fez propostas amorosas recusadas de forma categórica por Benigna. Tresloucado, Raul sacou de uma faca que trazia e golpeou por três vezes o corpo franzino da mocinha. Um dos golpes quase decepou a cabeça de Benigna, tamanha a fúria que dominava o homicida.
O fato chocou a todos. Depois da morte da jovem começaram as romarias ao local onde ela foi assassinada. Até hoje, muitas pessoas da redondeza de Inhumas fazem promessas rogativas à alma de Benigna. Até pessoas ilustres nascidas em Santana do Cariri – muitas residentes em outras regiões do Brasil – recorrem à intercessão da jovenzinha para obter graças.
Um modesto marco, encimado por uma pequena cruz, recebe muitos ex-votos dessas graças alcançadas. O povo de Inhumas se refere à Benigna como “A santa mártir”. Seria bom que a Prefeitura de Santana do Cariri mandasse construir no local uma capela ampla para abrigar os que ali vão rezar, acender velas e deixarem ex-votos pelas graças alcançadas por intercessão de Benigna Cardoso.

Escrito e postado por Armando Lopes Rafael

Frei Carlos Maria de Ferrara, esse esquecido -- por Armando Lopes Rafael


Hoje esta cidade comemorou mais um aniversário de sua elevação à categoria de Vila Real do Crato, fato ocorrido em 21 de junho de 1764. A data nos serve, também, para refletir sobre o esquecimento a que foi relegada a memória de Frei Carlos Maria de Ferrara, o fundador desta cidade.
Tirando uma minúscula placa existente numa coluna da Praça da Sé (que de tão diminuta não chama a atenção de ninguém) não encontramos mais nada a lembrar Frei Carlos Ferrara na cidade por ele fundada. Este frade viveu cerca de dez anos (1740-1750) aqui. Nascido de família abastada da cidade de Ferrara, Itália, ainda jovem, Carlos decidiu contribuir com a obra de Deus em terras inóspitas e longínquas do continente americano. Veio parar no Brasil.
Chegando a Recife foi enviado para evangelizar tribos indígenas, entregues ao paganismo e à barbárie, no Vale do Cariri. Frei Carlos Maria foi um novo Anchieta. Vestia hábitos velhos e remendados; passou fome e sentiu frio, padeceu de doenças e enfrentou um mundo atrasado e isolado dos centros mais civilizados.
Na sua rotina diária celebrou – quantas vezes – o Santo Sacrifício da Missa; pregou a Boa Nova, batizou e legitimou uniões entre homens e mulheres, nestes confins distantes cerca de 600 km do litoral, numa época que não existiam estradas nem comunicações de qualquer espécie.
Fundou a Missão do Brejo do Miranda, origem da atual cidade de Crato. E ergueu, no centro da Missão, uma humilde capelinha de taipa coberta com folhas de palmeiras. O pobre e rústico santuário foi dedicado, de maneira especial, a Nossa Senhora da Penha, a São Fidelis de Sigmaringa e à Santíssima Trindade. Em volta da capelinha, ficavam as palhoças dos índios. Estes, além de cuidarem das plantações rudimentares, recebiam os incipientes ensinamentos da fé católica, ministrados por Frei Carlos. Aos poucos, nas imediações da Missão, elementos brancos foram construindo suas casas. Era o início da atual cidade do Crato. Não padece dúvidas de que o fundador do Crato foi frei Carlos Maria de Ferrara.
É esta a mais bela página da história cratense.
E, no entanto, nenhuma medida foi tomada pelo poder público para homenagear, nesta cidade de Crato, Frei Carlos Maria de Ferrara. Sequer existe aqui um beco com o nome dele.
Lugar ingrato para com seus benfeitores, esta cidade de Crato...

Escrito e postado por Armando Lopes Rafael

PROGRAMAÇÃO DO ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA


Dia 22 (terça – feira) - CRATO E NOVA OLINDA
08:00 – 12:00 Oficinas na URCA
08:00 Saída do Crato para Nova Olinda
09:00 Fundação Casa Grande em Nova Olinda
09:30 Apresentação dos Meninos da Casa Grande
Local: Teatro Violeta Arraes (Nova Olinda):
10:00-12:00 – Mesa Redonda: Arqueologia: potencialidades e dificuldades no Ceará e no Nordeste.
- Profa. Ms. Rosiane Limaverde (Fundação Casa Grande do Homem Cariri)
- Dra. Jacionira Coelho Silva- Sub-Coordenadora do Programa de Pós graduação em Arqueologia da Universidade Federal do Piauí
13:00 – Retorno ao Crato
16:00-17:00 Assembleia da ANPUH
19:00 – 21:30 – Mini-cursos (Crato)

Realização: ANPUH - Associação Nacional de Professores de História (Secção Ceará) e Universidade Regional do Cariri
Apoio: Prefeituras de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha

CRATO:FELIZ ANIVERSÁRIO PRINCESA DO kARIRI-Por Wilson Bernardo.

O CRATO é uma terra mágica e abençoada pelos deuses da chapada do Kariri. O Crato completa mais de dois Séculos e meios de existência, tradição e luta de um povo otimista e guerreiro.Só quem nasce no Crato, convive e conhece, sabe o quanto é prazeroso ser filho dessa terrinha de doce de buriti, água benditas pelo sabor da natureza mãe, uma chapada encantada pela diversidade de ESPÉCIES E NATIVISMO. Quem chega ao Crato, pela primeira vez se encanta, principalmente pela cordialidade de seu povo, e esse clima de felicidade aos cantos de pássaros silvestres e de sua água doce de encantos, que a muitos cativam, e sempre retornam a essa cidade abençoada sim, pelo divino espírito santo.

Pavilhão das Bandeiras
O discurso inflamado de patriotismo, a uma terra agraciada pelo otimismo

Muitas crianças,em uma manhã de pura festa cívica

Samuel Araripe e Mônica França Araripe
Raimundo Bezerra Filho e Daniele Bezerra
O prefeito entrega solenemente, nova vestimenta à guarda municipal
D. Panico, Bispo do Crato e da Diocese em momento de descontração.

As crianças fizeram a festa e foram,as personalidades mais importante dos festejos
Exercito Brasileiro em continência ao momento cívico
O hino do Crato é de encher os olhos e maravilhar os ouvidos
As famílias se reuniram na Praça da Sé em sinal de confiança a grande administração do Prefeito eleito o melhor do estado do Ceará Samuel Araripe.


Wilson Bernardo (Texto & Fotografia)

XII ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA DO CEARÁ. Por: João Paulo Fernandes

Teve início na manhã de ontem (20), na Universidade Regional do Cariri, o XII ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA DO CEARÁ - HISTÓRIA: POLÍTICAS PÚBLICAS E PRÁTICAS CULTURAIS. O evento está sendo organizado pela atual diretoria da ANPUH Ceará em parceria com o Departamento de História da Universidade Regional do Cariri - URCA.O encontro acontecerá entre os dias 21 e 25 de Junho de 2010, nas cidades do Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Nova Olinda e Assaré. Segue a programação de hoje:

Dia 21 (segunda-feira) - JUAZEIRO

08:00-09:00 Cerimônia de abertura - AUDITÓRIO DO CÍRCULO OPERÁRIO DE JUAZEIRO DO NORTE-CE
09:00–11:00 Conferencia: A regulamentação do profissional de História e os desafios da ANPUH .
Prof. Dr. Durval Muniz (Presidente da ANPUH)
11:00-12:00 Show de abertura

14:00-17:00 – Visitas aos pontos de referência da religiosidade popular em Juazeiro: Museu do Padre Cícero, Horto e Basílica de N. S. das Dores.

17:00 -18:00 Fórum de graduação - SALA 1

18:00 – Retorno ao Crato


Crato:

19:30 - 21:30
Mesa Redonda 1 - SALÃO DE ATOS

Museus e historiadores: espaços possíveis e necessários no Ceará e no Nordeste
- Profa. Manuelina Duarte (UFG) – coordenadora
- Prof.Ms. João Paulo Vieira (projeto Historiando)
- Profa. Ms. Cristina Holanda (Museu do Ceará)
- Jorge Macário (Museu do Crato)

Mesa redonda 2 –SALA DE VÍDEO

Arquivos públicos e privados no Ceará e no Nordeste: experiências e necessidades.
- Profa.ms. Josinete (URCA) – coordenadora
- Diretor do Arquivo Público do Estado do Ceará
- Aristides de Arruda Camargo (diretor do Arquivo Público de Farias Brito)
- Representante do Departamento Histórico Diocesano Padre Antônio Gomes de Araújo.

Outras informações no site da ANPUH Ceará. Clique aqui

Sociedade Violenta – Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

A cidade de Fortaleza quanto mais cresce, mais violenta se torna. O medo toma conta das pessoas, principalmente quando o fato ocorre num lugar bem próximo de nós. Choca muito mais! Há alguns dias, na missa, o padre estava convocando a comunidade paroquial da Piedade para se reunir na praça que se localiza de frente para a igreja. Todos de branco, para rezarem pela paz, pois na semana passada, nessa mesma praça, um jovem foi baleado. Segundo depoimentos de pessoas que moram no bairro, foi vingança de um componente de outra gangue, porque esse jovem tinha atirado nele, no mesmo local, sem, contudo acertar.

São tantos problemas dessa nossa sociedade violenta: drogas, que é o mais grave dos problemas, desamor, exclusão social, famílias destruídas, violência doméstica, materialismo, acumulação de riquezas, falta de fé e muitos outros fatores que causam toda essa violência no mundo.

Antes a violência era mais nas grandes metrópoles. Entretanto hoje está impregnada até nas cidades pequenas. É um problema que atinge a todos nós. E cada um pode fazer a sua parte para reverter esse quadro. O Estado faz a dele, que é procurando diminuir as desigualdades sociais, dando melhores condições de vida para a população gerando empregos, combatendo as drogas, saúde, educação, moradia e tudo que for preciso para as pessoas viverem com dignidade.

Alguns grupos trabalham para promover a paz, na recuperação de drogados, como o “Desafio Jovem”, a “Comunidade Shalon” e outros. Tem grupos que atuam resgatando a dignidade dos moradores de rua, como “A Toca de Assis.” Tanto os grupos católicos, como os evangélicos ou de outras religiões desenvolvem ações sociais no combate a violência, e isso é que faz a diferença. São nesses atos de solidariedade que sentimos a presença de Deus impulsionando as pessoas a não cruzarem os braços diante dos problemas do mundo.

Na Paróquia da Piedade existe um grupo da Renovação Carismática da Igreja Católica, a “Comunidade Missionária Dom Bosco”, que faz um trabalho de prevenção às drogas, congregando muitos jovens. Estes participam de ministérios de música, de danças, peças teatrais e formação bíblica. Através dessas atividades eles ocupam o tempo, se evangelizam e divulgam o evangelho para outros jovens. Dessa forma eles não têm contato com drogas, nem bebida, nem qualquer vício. Outro trabalho bonito dessa paróquia, é o “Projeto Dom Bosco”, que se dedica às crianças carentes dando alimentação, reforço escolar, recreação, formação e evangelização.

O padre da Piedade tem razão em querer rezar pela paz, pois toda a mensagem e prática de Jesus são de amor e paz. Todos juntos devemos pedir a Deus pela paz, por essa sociedade que está muito afastada do Plano de Deus, que é um projeto onde existe amor, solidariedade, paz, fraternidade e justiça social.

A comunidade em que ocorreu esse fato ficou com medo. Essa situação levou o padre a tomar essa atitude de juntos rezarem pela paz. Foi um ato louvável, mas além dessas iniciativas outras devem ser tomadas por cada um de nós, para que o mundo tenha paz. Paz que não é somente a ausência de guerra, mas, sobretudo a presença do amor. Se no mundo as pessoas quisessem praticar mais a mensagem de Jesus, tudo seria melhor, pois o amor de Deus gera vida para todos. Imagine um mundo em que não exista guerra, nem fome, nem brigas, nem agressões a natureza. Um mundo onde possamos ter convivência fraterna, respeito, partilha e amor. Será Utopia? Podemos até imaginar que pelo menos poderia diminuir a violência se todos se unissem com essa finalidade.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

GeoPark Araripe - Novo Parceiro Cariri Cangaço Por: Manoel Severo


Nova parceria foi firmada entre instituições; diante da realização do Cariri Cangaço 2010. Na última semana estiveram reunidos os organizadores do evento com a Diretoria do Geopark Araripe , na ocasião foi firmada a parceria entre o primeiro e único Geopark das Americas, com o Cariri Cangaço. A reunião contou com as presenças do Curador do Cariri Cangaço; Manoel Severo, da Secretária de Cultura de Crato; Danielle Esmeraldo e dos representates do Geopark; professor Patrício Melo e Professor Idalécio de Freitas.

Para o Coordenador Geral do Geopark, professor Patrício Melo "é de suma importância o Geopark está unido ao Cariri Cangaço, não poderia está fora de jeito nenhum, vamos entrar com força total". Já para o Curador do evento, Manoel Severo " ter o Geopark como um de nossos parceiros tem um significado muito importante; todo o Cariri Cangaço acontece nos municípios contemplados pelos sítios paleontológicos, um Patrimônio da Humanidade, bem aqui no seio de nosso cariri. Estaremos recebendo pesquisadores e estudantes de todos os lugares do país, assim, apresentar o Geopark será uma grande satisfação e honra para o Cariri Cangaço".

O Cariri Cangaço é uma promoção da Cariri do Brasil, uma realização das prefeituras municipais de Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha e Aurora, URCA/PROEX e ainda o apoio da SBEC, do ICC, do Centro Pró Memória, do ICVC, da Fundação Memorial Padre Cícero, do Blog do Crato, da Associação de Cordelista de Crato, do Ponto de Cultura Lira Nordestina, do SEBRAE, do SESC e do Centro Cultural Banco do Nordeste, Grupo Empresarial Guanabara, Revista Nordeste VinteUM e agora GeoPark Araripe.

O evento tem seu início marcado para o próximo dia 17 de agosto na cidade de Barbalha, se estendendo até o dia 22 com encerramento marcado para a cidade de Juazeiro do Norte, mantendo ainda, intensa agenda de atividades nas cidades de Crato, Porteiras, Aurora e Missão Velha.

Por: Manoel Severo


Torcendo com o Inimigo – por Carlos Eduardo Esmeraldo

Futebol sempre desperta paixões. Desde 1958, quando o Brasil conquistou sua primeira Copa do Mundo, eu comecei a me interessar por esse esporte. A partir daí, acompanhava os jogos do Rio, São Paulo e Bahia pelas rádios. E imaginava o futebol deles como uma coisa irreal, sobrenatural até, bem diferente do que eu costumava ver no nosso campo do Esporte, na Rua Carolina Sucupira. Até os lances exibidos pelo Canal 100 no Cine-Moderno e Cassino nos davam a impressão de algo extraordinário.

Em 1964, em Salvador, o Ceará foi jogar contra o Bahia. Eu e meus primos resolvemos ir ao estádio e torcer pelo Ceará. Era a primeira vez que eu iria ver um jogo de futebol num grande estádio. A Fonte Nova me impressionou. Por fora se via apenas um muro bastante alto. Mas quando entramos, verificamos que estávamos na encosta de um alto e o campo de jogo era em baixo, circundado por uma enorme escadaria em forma de ferradura. Escolhemos um lugar onde havia sombra. Era no meio da torcida do Bahia. Quando nosso grupo se acomodou, imediatamente ouvimos um torcedor baiano gritar: “Esses bichos aí têm caras de cearenses e vão sair daqui debaixo de porrada.” Então um dos primos acalmou os baianos, dizendo que também torcíamos pelo Bahia e que não éramos cearenses coisa nenhuma. Uns dez minutos depois de iniciado o jogo, o Ceará já perdia por dois a zero, e com o coração dilacerado, tivemos de pular a cada gol dos baianos. Para mim, aquele jogo foi decepcionante. Não via nada diferente do joguinho que o nosso Anduiá, Enoque, Bebeto e Doce de Leite faziam pela seleção do Crato no campo do Esporte.

As nossas ações no meio da torcida baiana foram muito divertidas, apesar de sofridas. No segundo tempo, o Ceará voltou bem melhor e dominava claramente o jogo. Eu estava ao lado de um baiano e lhe disse: “O nosso time está muito acovardado, acho que eu vou torcer pelo Ceará!” “E eu também!” Respondeu o baiano, sem muita convicção. Nesse momento, Gildo marca um belo gol para o Ceará. Um dos primos pulou para comemorar, quando eu o puxei pelo braço sufocando o seu grito de “gôôôôl... que começava a dar. Então, ele se lembrou de onde estava e das promessas dos baianos. Depois da minha advertência, balançou os braços para o alto, em sinal de protesto e lavando a alma soltou um sonoro palavrão que substituiu o grito de “gôôô... para o pôôôô....a.”

Depois dessa, esperei nunca mais ir ver jogo no meio das torcidas adversárias. Mas passados quinze anos, eu e Magali chegamos ao Rio de Janeiro, num sábado à noite. Na recepção do hotel, um carioca muito animado, nos disse: “Amanhã tem Flamengo e Vasco no Maracanã. Se quiserem ir, temos os ingressos e ônibus na porta do hotel”. Recusei, pois gostaria de passar a manhã visitando os pontos turísticos do Rio. Fomos ao Maracanã num taxi e chegamos quase na hora do jogo, compramos ingresso para as cadeiras. Não havia mais nenhum lugar disponível. Ficamos nos degraus, onde já havia muita gente acomodada. Na cadeira ao lado, um senhor, educadamente, cedeu seu lugar a Magali e, sentou-se no cimento da escadaria ao meu lado. Era um torcedor do Flamengo. No meu imaginário de vascaíno, jamais poderia esperar uma atitude tão educada quanto aquela partindo de um torcedor do “urubu”. Olhei ao redor e só via torcedores com a camisa rubro-negra. Época do Zico, e um monte de estrelas que faziam do Flamengo um time invencível. Com poucos minutos de jogo, o Flamengo fez três gols e eu sofria com a derrota do meu Vasco, abraçando o amigo flamenguista, a cada gol. Era uma espinhada muito profunda no meu coração vascaíno. No segundo tempo, ocorreu o mesmo daquele jogo da Bahia. O Vasco começou a reagir, fez um e dois gols e estava já para empatar, quando o Flamengo fez o quarto gol. Eu fazia tudo para não desgostar aquele novo amigo carioca e flamenguista. Quando o jogo terminou, eu o abracei e agradeci. E ele, muito brincalhão, como todo carioca, disse: “É, mas eu notei que você é vascaíno. Se eu tivesse adivinhado antes, não teria dado meu lugar à sua mulher.”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

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