xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 03/01/2010 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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03 janeiro 2010

Livro sobre o Padre Cícero está entre os mais vendidos no Brasil – por Armando Rafael




A biografia Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão, de Lira Neto, subiu três posições na lista estendida dos livros mais vendidos no país, na categoria não-ficção, segundo a Veja. Na semana passada, estava em 15º lugar. Agora, aparece em 12º.
A primeira edição deste livro foi esgotada em duas semanas.
Fonte: Veja

França quer vender milhões de vacinas da nova gripe


Das 94 milhões de doses, 300 mil já foram vendidas para o Qatar. Outros 2 milhões de doses devem ser vendidos ao Egito. A França quer vender milhões de vacinas contra o vírus A (H1N1), causador da nova gripe, depois de ter encomendado mais doses do que efetivamente precisará, afirmaram autoridades no domingo. O ministro da Saúde disse em comunicado que comprou 94 milhões de vacinas individuais a um custo de 869 milhões de euros, achando que todos precisariam de duas doses para imunização.

Médicos agora dizem que um dose é suficiente, o que significa que a França, com população de cerca de 65 milhões de habitantes, tem uma enorme superoferta da vacina, da qual quer se livrar. O ministério confirmou notícia publicada no jornal "Le Parisien" neste domingo (3) de que já vendeu 300 mil doses para o Qatar e que deve vender mais 2 milhões ao Egito.

"Estamos em contato com outros países, como Ucrânia e o México", afirmou o ministério, sem citar valores. Segundo o "Le Parisien", a França pretende cobrar o preço que pagou --entre 6,25 euros e 10 euros, dependendo do produto. A França comprou vacinas do Sanofi-Pasteur, uma unidade do Sanofi-Aventis, GlaxoSmithKline, Novartis and Baxter International. Cerca de 5 milhões de pessoas já foram vacinadas contra a nova gripe na França, segundo autoridades. A gripe matou 198 pessoas no país, segundo dados divulgados no dia 29 de dezembro, mas médicos disseram que novas infecções caíram fortemente nas últimas semanas.

Da Reuters

Brasil vai sediar conferência ambiental em 2012

Encontro vai acontecer no Rio 20 anos depois da Eco-92. O Brasil vai sediar em 2012 a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, já batizada de Rio+20, em referência a Eco-92, realizada no Rio de Janeiro, cidade que deve receber novamente o evento.

A conferência foi aprovada em dezembro pela Assembléia Geral das Nações Unidas. O encontro havia sido proposto em 2007 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ideia é avaliar e renovar os compromissos com o desenvolvimento sustentável assumidos pelos líderes mundiais na Eco-92. A Rio+20 também discutirá a contribuição da economia verde para o desenvolvimento sustentável e a eliminação da pobreza. Outro tema na pauta da conferência será o debate sobre a estrutura de governança internacional na área do desenvolvimento sustentável. O modelo de consenso, que só permite decisões com a aprovação de todos os países, foi questionado na 15ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, que terminou sem acordo por divergências entre os países ricos e em desenvolvimento sobre as ações necessárias para enfrentar o aquecimento global.

Da Agência Brasil

"Avatar" quebra recorde e chega a US$ 352 milhões de bilheteria


"Avatar" esmagou seus rivais no final de semana do Ano Novo na América do Norte, e deve superar "Batman - O Cavaleiro das Trevas" como a segunda maior bilheteria de todos os tempos, conforme dados divulgados neste domingo.

O épico de ficção científica em 3D de James Cameron arrecadou US$ 68,3 milhões (R$ 119 milhões) entre sexta-feira e domingo, marcando um recorde para um filme em seu terceiro fim de semana em cartaz, informou a distribuidora 20th Century Fox. O marco anterior tinha sido US$ 45 milhões, fixado por "Homem Aranha", em 2002. Depois de 17 dias nos cinemas dos EUA e Canadá, "Avatar" acumula US$ 352,1 milhões (R$ 613 milhões) nas bilheterias e está em 15º lugar entre todos os filmes em matéria de vendas de ingressos. A Fox, pertencente à News Corporation, previu que o filme teria bilheteria total na casa dos US$ 500 milhões (R$ 870,6 milhões).

O drama "Titanic", dirigido por James Cameron em 1997, o maior sucesso comercial de todos os tempos do cinema, sem contabilizar a inflação, vendeu US$ 601 milhões (R$ 1,046 bilhão), seguido por "Cavaleiro das Trevas," de 2008, com US$ 533 milhões (R$ 928 milhões). O terceiro lugar hoje é de "Star Wars", com US$ 461 milhões (R$ 802,7 milhões) de bilheteria norte-americana. "Isto ('Avatar') é como um trem de carga que saiu de controle", disse Bert Livingston, executivo de distribuição da Fox. "Não para de avançar." É possível que "Avatar" ameace a primazia do próprio "Titanic". Quando se contabiliza a inflação dos preços de ingressos, segundo a empresa de rastreamento de bilheterias Box Office Mojo, "Titanic" vendeu US$ 241 milhões em 17 dias.

"Avatar" é a história de um ex-fuzileiro naval inválido que é mandado desde a Terra para infiltrar uma raça de aliens azuis de três metros de altura, para persuadi-los a deixar que a empresa para a qual trabalha garimpe os recursos naturais de seu planeta. Consta que é o filme mais caro já produzido, com orçamento de pelo menos US$ 300 milhões.

da Reuters, em Los Angeles

O nascimento dos humanos - Por: Luiz Domingos de Luna*


O cheiro dos seres humanos é algo muito forte, via de regra, usamos os nossos sentidos como janelas para o mundo exterior, de fato, a silhueta do homo sapiens corrobora para a exteriorização do nosso ser, nós somos meros captadores e consumidores de meio externo, há sempre um preocupação exagerada com a exterioridade, até parece que esta preocupação está timbrada no nosso DNA, em prosseguimento, as formas sociais vão desenhando o espaço pensamental de cada um, vivemos numa eterna fábrica de seres humanos, ou desumanos, pois o circulo cultural permeado em cada um tem um potencial modificador, capaz inclusive, de mascarar o direcionamento biológico.

O Contrato Social é a base, ou motor primeiro, para a harmonia do homem no espaço tempo vez que, um contrato obsoleto cria masmorras para sociedade, ou presilhas inoportunas, que inviabilizam a harmonia na floresta humana.

O Nascimento pleno do ser humano surge quando ele é capaz de colocar a sua objetiva para o seu interior, observar que o disforme social, é uma coletânea dos disformes individuais que, a elasticidade do tempo, esta geléia vai ganhando corpo, solidez e unicidade. É este monstro que assusta a sociedade e a coletividade humana como um todo.

Falta ao ser humano o pigmento radioativo do bem comum em todas as suas dimensões, desde o menor tecido sociológico ao maior.

Enquanto não existir um contrato social que dê a legitimidade, a legalidade das forças internas presente em cada um para a disposição da aptidão do estar sempre a serviço do bem comum, por que no final das contas somos a massa humana planetária em movimento num carrossel giratório na roldana deste tapete tortuoso – todo planeta sofre, se abala e chora.

(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora -CE

Caim


03/01/2010 - 10h00

José Saramago revê o Velho Testamento sob ótica irônica e ferina em "Caim"

MARTA BARBOSA

Colaboração para o UOL


Em "A Viagem do Elefante", lançado em 2008, José Saramago já demonstrou estar em ótima forma literária, após superar uma doença respiratória gravíssima e ser desacreditado por médicos e leitores. Agora, com "Caim" (lançamento da Companhia das Letras), o escritor português prova ser capaz de manter o ritmo. Em que pesem as comparações com "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", considerada uma de suas obras primordiais, "Caim" acrescenta muito à biografia do vencedor do Nobel de Literatura de 1998.

Comparar o novo livro de Saramago com "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" é natural. Nos dois trabalhos, o autor português dá sua interpretação da Bíblia. Primeiro, foi o Novo Testamento. Agora, é sobre o Antigo Testamento que Saramago exercita as possibilidades narrativas. Reconta, ao seu modo irônico e com um requintado humor, histórias que vão do jardim do Éden ao episódio do dilúvio.
Começa com a expulsão de Adão e Eva do paraíso. E desde já fica claro que o Deus de Saramago não é nenhum velhinho benevolente a passar a mão carinhosa na cabeça de seus filhos. Ao contrário, o que se vê é um Deus teimoso, cheio de caprichos e disposto a qualquer absurdo como prova de fé e obediência de suas criaturas.
Caim, o primogênito de Adão e Eva que matou o irmão Abel, é o personagem central da trama. O assassinato do irmão é o ponto de partida desse anti-herói que, com boa retórica e uma capacidade de interpretar os fatos que muito se aproxima do próprio Saramago, consegue que o todo-poderoso reconheça sua parcela de responsabilidade no impulso que o levou a matar Abel.
Diante do corpo ensanguentado e coberto de moscas de Abel, Caim e Deus travam uma disputa verbal deliciosa de se testemunhar. E assim segue ao longo de todo livro: criador e criatura em pé de guerra, numa peleja em que o que está em jogo é nada menos que a humanidade.
"Matei abel porque não podia matar-te a ti, pela intenção estás morto", diz Caim, ao que responde Deus: "Compreendo o que queres dizer, mas a morte está vedada aos deuses". Numa espécie de acordo de recompensa e castigo, Caim é marcado na testa e condenado a andar "errante e perdido pelo mundo" até o fim de seus dias - o que não será logo, já que aquela marca é o sinal de que ninguém o poderá matar.
Ali começa a longa jornada de Caim, que passa do presente ao futuro, testemunha fatos que ainda vão acontecer, volta ao passado e garante um tempo literário ágil e moderno. Sua primeira parada (também a mais longa e marcante de sua interminável trajetória) é na terra de nod, uma cidade em construção. Ali, Caim vira pisador de barro, é elevado a porteiro do quarto da dona que governa tudo aquilo e acaba como amante da dona do lugar, Lilith.
Mas, como é seu destino, Lilith fica para trás, e Caim retoma sua interminável viagem como testemunha das obras e do poder sufocante de Deus. Vê a destruição de Sodoma e Gomorra, o assalto a Jericó, conhece Abraão a quem Deus ordena o sacrifício do próprio filho, participa da construção da arca que salvará a humanidade do dilúvio, junto a Noé e sua família.
Dotado de um sombrio pessimismo de quem é condenado a ver o inenarrável, Caim encontra uma maneira de punir a divindade que odeia. Aproveita um descuido de confiança do dono do mundo e se vinga à altura daquele que, só por ser Deus, governa "a vida íntima dos seus crentes, estabelecendo regras, proibições, interditos e outras patranhas do mesmo calibre".
NarrativaComo já de costume, Saramago surpreende em "Caim" com sua prosa moderna, musical, quase sem pontos finais. Os nomes próprios não têm iniciais maiúsculas, e os diálogos estão separados por vírgulas - o intervalo breve que garante agilidade ao texto.
Mas o que fica mesmo de "Caim", e faz a gente ler economizando as páginas, com vontade que não chegue a número 172, é a incrível capacidade de Saramago de fazer de uma velha uma nova história. De recontar com encanto o que todo mundo já conhece, mas de outro jeito. Sem perder, claro, sua cruel veia irônica, nem seu talento de expressar com humor negro uma realidade.
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"CAIM"

Autor: José Saramago

Editora: Companhia das Letras

172 páginas

Preço sugerido: R$ 36,00

Folia de Reis encena temas medievais nas ruas do Cariri - Reportagem: Antonio Vicelmo


Reisado do Mestre Aldenir é considerado um dos mais originais folguedos folclóricos mantidos atualmente. As apresentações acontecem à medida que o grupo de Reisado chega à casa onde existe um presépio montado. De origem portuguesa, Aldenir Aguiar é o mestre do Reisado que mantém o controle sobre os guerreiros brincantes. O reisado tem personagens variados que rememoram trechos do nascimento do Menino Deus. Toda a encenação é marcada pelo aspecto religioso, mesmo que a plateia esteja alheia a isto.

Até o dia 6 de janeiro, quando comemora-se o Dia de Reis, serão realizadas apresentações de reisados no Cariri

Crato. As imagens coloridas do Reisado estão de volta aos terreiros das casas simples do sertão. De repente, guerreiros com danças e roupas medievais levam para as ruas a encenação dos romances de cavalaria, dos duelos sagrados entre mouros, cristãos e judeus, um espetáculo de arte e beleza que migrou da Península Ibérica para os palcos de chão batido do Cariri. É a Folia de Reis ou Reisado, um dos mais originais folguedos folclóricos mantidos atualmente.

À frente da caravana de guerreiros destaca-se o mestre Aldenir que, de espada em punho, comanda o exército de defensores do Menino Jesus contra a fúria dos soldados do Rei Herodes. Como herói dos filmes de espadachins, o mestre parte para a luta. Os gestos milenares, na interpretação do cineasta Rosemberg Cariry, perfuram os nossos corações pequenos.

Mestre Aldenir, segundo Cariry, não é apenas um mestre de Reisado, "é um príncipe, um fidalgo, de sangue real, reencarnado de dom Sebastião, o jovem rei que, segundo a mitologia portuguesa, perde sua vida em batalha". Ainda hoje, o sebastianismo sobrevive no imaginário popular, revivido pelo Mestre Aldenir que, na vida real, é também um fidalgo de tradicional família caririense.

Alto, magro, olhos azuis e educado, Aldenir Aguiar Callou perdeu no decorrer dos anos, o sobrenome Callou, de origem portuguesa, mas não perdeu a fidalguia. No comando de seus guerreiros ele se transmuda em rei. O mestre e o contramestre são as figuras mais importantes do Reisado e usam fitas cruzadas no peito, capas de renda e ombreiras para diferenciarem-se dos demais foliões.

O mestre é o regente do espetáculo. Utilizando apitos, gestos e ordens, comanda a entrada e saída de peças e o andamento das execuções musicais. A indumentária é adornada com muitos espelhinhos, bordados dourados e flores artificiais, de onde pendem fitas compridas de várias cores; saiote de cetim ou cetineta de cores vivas, até a altura dos joelhos, enfeitado com gregas e galões, tendo por baixo saia branca, com babados, blusa, peitoral, capa e meias vermelhas.

Como o próprio nome indica, o mestre ou embaixador tem que saber os versos tradicionais e também saber como improvisar outros, além de ser o responsável pelo grupo e pela maior parte das decisões, já que é um líder. Quando chega a uma casa onde está montado o presépio, é obrigatória a cantoria da anunciação do nascimento de Jesus, frente à representação popular da cena bíblica. Depois de "feita a obrigação", isto é, cantados os versos de fundo religioso, o mestre pode começar a improvisar, sobre temas sagrados ou não. Aldenir assume de corpo e alma o comando do Reisado.

No meio dos guerreiros ele se transforma em menino. Fora da ribalta sertaneja, o mestre lamenta a falta de apoio para manter o grupo. Os cachês, de R$ 200, em média, por apresentação, para dividir com 20 brincantes, não são suficientes para manter os integrantes, que são geralmente trabalhadores rurais, operários e estudantes. Muitas vezes, ele retira do salário que o Estado lhe paga como Mestre da Cultura parte do dinheiro para comprar as roupas.

Mestre Aldenir mantém três grupos folclóricos: o infantil, o de homens adultos e o feminino e masculino. Assim, fica mais fácil formar um grupo para apresentações não programadas. Fica mais fácil também, segundo o mestre, fazer a substituição. Ele justifica que a maioria dos brincantes estuda e trabalha. Ele diz que geralmente as mulheres, quando completam 15 anos, são as que mais desistem de brincar o Reisado.

MAIS INFORMAÇÕES
Casa do Folclore
R. Antonio Edson Gomes de Melo, 202 - Crato
(88) 3523.3583

Enquete
Participação

"O reisado é minha vida. Sinto-me muito feliz em poder participar do grupo sob o comando do Mestre Aldenir"
Lane Érica Gonçalves
Estudante
14 anos

"Quando eu crescer, eu também quero ser igual ao Mestre Aldenir, quero ser Mestre de Reisado no Cariri."
Tales da Silva Moreira
Estudante
7 anos


"A burrinha é meu companheiro de brincadeira no Reisado. Sempre gosto de participar da festa. É cultura."
Alana da Silva Santos
Estudante
9 anos

HISTÓRIA RELIGIOSA
Brincantes fazem reverência a sábios

Crato No Interior, o Reisado é uma dança do período natalino em comemoração ao nascimento do Menino Jesus e em homenagem aos Reis Magos: Gaspar, Melchior e Baltazar, que levaram ouro, incenso e mirra, que representam as três dimensões de Cristo (realeza, divindade e humanidade). O ponto alto da festa é o dia 6 de janeiro que, segundo a tradição católica, marca o dia para a veneração aos Reis Magos. Nesta data encerram-se os festejos natalícios, quando são desarmados presépios e as palhas queimadas.

Mestre Aldenir garante que as cinzas das palhas da lapinha são medicinais. O chá de cinzas é indicado no tratamento das dores de barriga, estômago e cabeça. "Eu mesmo já fiquei bom de uma dor de dente", afirma. "Afinal, aquelas folhas protegeram o Menino Deus".

Festa colorida

A característica principal do reisado está no uso de muitos adereços, trajes com cores quentes e chapéus ricamente enfeitados com fitas coloridas e espelhinhos. É composto de quatro a seis mascarados que dão vida, hilaridade e rebuliço à brincadeira. Eles também devem proteger o Menino Jesus e confundir os soldados de Herodes.

Acrobatas e declamadores representam os soldados perseguidores do Menino. O Reisado tem ainda rei, mestre-sala, alferes, a burrinha, o boi, o jaraguá, a arara, o caipora, a ema, entre outros personagens que podem aparecer, dependendo da região em que esta festa é realizada. Uma orquestra de violão, banjos, zabumba, triângulo, pandeiros, maracás e sanfonas animam os brincantes. Seus acordes servem de orientação às vozes e ordenam a evolução do espetáculo.

Solista e coro

A história narrada por intermédio de cantos é contada por um solista e um coro responde a ele uníssono por repetidas vezes. Os cânticos de chegada e de despedida são os mais belos da música folclórica nordestina.

Mas é na zona rural que o Reisado aflora em sua forma mais pura. Os brincantes batem de porta em porta brindando os amigos com sua energia e contagiante alegria, além do espetáculo que se constitui de uma peça teatral cantada, com entremeios cômicos. Depois, os integrantes do Reisado, em uma onda desordenada, vão espraiando-se pelas ruas. Versões mais modernizadas do evento acrescentam novas figuras ao seu culto secular. Reza um costume que, no Dia de Reis, deve-se escrever o nome dos três Reis Magos em um pedaço de papel branco e colocá-lo na porta de entrada da casa, para que haja durante todo ano, fartura, saúde e felicidade. O Dia de Reis também é conhecido como o Dia de Gratidão.

Uma das atrações do Reisado são os Mateus, espécies de palhaços, ou bobos da corte. As suas "momices" e caricaturas têm a intenção representativa de desviar a atenção dos soldados do rei Herodes da pessoa do Menino Jesus. Movimentam-se livremente. A presença deles tem fundo religioso: a conversão dos soldados de Herodes, o que, aliás, é comum nas Folias de Reis de outras regiões. Entretanto, ocorre a despeito da conscientização do aspecto religioso.

ORIGEM
Festa do Sol marca início do folguedo

Crato A Folia do Reisado tem sua origem primária na Festa do Sol Invencível, comemorada pelos romanos e depois adotada pelos egípcios. A festa romana era comemorada em 25 de dezembro (calendário gregoriano) e a egípcia em 6 de janeiro. No século III, ficou estabelecido que dia 25 de dezembro se festejaria o nascimento de Cristo e 6 de janeiro, Dia dos Reis.

O Reisado chegou ao Brasil por meio dos colonizadores portugueses, que ainda conservam a tradição em suas pequenas aldeias, celebrando o nascimento do Menino Jesus. Em Portugal é conhecido como Reisada ou Reseiro.

No Brasil, a festa é uma espécie de revista popular, recheada de histórias folclóricas, mas sua essência continua a mesma, com uma mistura de temas sacros e profanos. O Reisado é formado por um grupo de músicos, cantores e dançarinos que percorrem as ruas das cidades e até propriedades rurais, de porta em porta, anunciando a chegada do Messias.

Antônio Vicelmo
Repórter do Jornal Diário do Nordeste
Colaborador do Blog do Crato e Chapada do Araripe OnLine


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