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VÍDEO - CONVERSA FRANCA - MENSAGEM DE ANO NOVO - Dihelson Mendonça ( 01-01-2018 ).
Estamos de volta com as transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, com alguns programas ao vivo ). Serão vários programas abordando temas diversos, como a realidade da nossa região, do Ceará e do mundo; Programas científicos, atualidade, entrevistas, e transmissão de eventos ao vivo. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



21 fevereiro 2018

Nesses dias nublados - Por: Emerson Monteiro

Em que até os pensamentos parecem nadar nas águas das chuvas persistentes e dos pássaros que cantam mais de frio do que do calor da calma, quando a gente busca nos sonhos recentes o nexo dos efeitos em volta. Há sempre isso de um lado bom no roteiro dos contos. Enquanto na tela principal transcorria o filme, logo ali de junto o making off revelava a real felicidade na forma de crescimento do quanto valiam os séculos do sem fim. Independente, pois, dessa casca fosca de fora, um sorriso aberto da natureza deslizava no peito dos amores e avisava que de amor ninguém morre, livre quem vive e resiste ao território das memórias, pousos definitivos da humana consciência.

Nessa vontade presente e o caderno das gerações que ferve de furor ao doce das melodias no coração nas pessoas, debaixo de toda história cinza, virão sonhos de noites anteriores, que resistem ao vento das sortes.

Nas espécies, o desejo de continuar perenes nalgum universo paralelo. A folhagem das matas crescerá aqui comigo, enquanto revejo o crescimento das matas lá na serra. Passavam anos seguidos durante a estiagem prolongada e só agora esta força de esperança se derrama fiel ao longo das estradas.

Enfim o instinto das estações que resolve alimentar o sentido que dormira durante décadas, porquanto seria de ser o que jamais existiu no gosto das criaturas humanas. Deixavam acontecer ao sabor dos desleixos o agir no hábito das destruições necessárias. Porém o poder só apenas, calado, degustava as páginas do tempo nas malhas de Si mesmo, Ser magistral das criações geniais. Foram e serão horas de aprendizado neste mar dos desafios. Guardar consigo o gesto puro de alegrar os quadros das manhãs do Paraíso e de novo significar certeza de verdades eternas. Nisso, deixar fluir o verbo da Criação nas formas que chegava quentinho o pão nas padarias já de portas abertas e nas notas soltas dos jornais da verdade plena de tudo enquanto...

A morte do Imperador Dom Pedro II

Enquanto o governo francês preparava as homenagens, a representação diplomática do Brasil tentava convencer o governo francês a não as fazer, rogando que a bandeira e os símbolos Imperiais não fossem expostos
  Em 05 de dezembro de 1891, em Paris, capital da França – no Hotel Bedford, falecia o magnânimo Dom Pedro II. Em um suspiro final disse:
     ––"Que Deus conceda-me estes últimos desejos - paz e prosperidade para o Brasil..."
    A princesa Isabel solenemente beijou as mãos de seu pai, e, depois disso, todos os presentes beijaram sua mão, reconhecendo-a como a Imperatriz do Brasil.
    Dom Pedro II foi vestido com o uniforme de Almirante e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas do Brasil. Em seu peito foram colocados a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul, a Ordem do Tosão de Ouro, Ordem da Rosa e um crucifixo enviado pelo Papa Leão XIII. Duas bandeiras imperiais cobriam suas pernas.
    Devido a um pedido feito por Dom Pedro II ("É o solo do meu país, eu desejo para ser colocado no meu caixão caso eu morra longe da minha pátria."), um pacote contendo terra de todas as províncias do Brasil foi colocado dentro do esquife e livros foram colocados sob sua cabeça.
     Mais de 2 mil telegramas e 200 coroas de flores foram enviadas à Família Imperial. O presidente francês Sardi Carnot, em viagem pelo Sul daquele país, enviou todos os membros do Governo para prestarem homenagens ao imperador brasileiro. A Princesa Isabel desejava realizar uma cerimônia discreta, mas acabou por aceitar o pedido do governo francês de realizar um funeral de Estado.
    Enquanto o governo francês preparava as homenagens, a representação diplomática do Brasil tentava convencer o governo francês a não as fazer, rogando que a bandeira e os símbolos Imperiais não fossem expostos. De nada adiantou os protestos, a República Francesa prestou honras grandiosas de Chefe de Estado a Dom Pedro II.
     No dia 09, apesar da chuva incessante e do vento frio, 300.000 pessoas ocuparam a Praça de La Madeleine. A formação militar francesa, composta por 80.000 homens, todos em uniforme de gala, prestou honras post mortem ao Imperador Brasileiro. Os cavalos, os tambores das bandas de música e as bandeiras traziam tarjas de luto. Estava presente às exéquias a realeza europeia, o governo Francês, representantes da América, Europa, Ásia e África, além da intelectualidade da época.
     Só o Embaixador do Brasil (ó decepção) estava ausente. O esquife seguiu para Portugal onde recebeu honras de Estado, e foi enterrado no Panteão dos Bragança.
Fonte: Face book “Cavaleiros de Petrópolis.
 
 Atual jazigo do Imperador Dom Pedro I, localizado ao lado direito 
        da Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis (RJ)


PERSONALIDADE - Valdemir Correia - Uma história de vida dedicada ao progresso - Por: Dihelson Mendonça



Raras pessoas passam pela terra e conseguem imprimir no tempo ( Que é o guardião de todos os tesouros ), a marca de sua personalidade e do seu trabalho. Raros são aqueles que têm oportunidade de saírem também de uma origem humilde e galgar todos os degraus que levam a se tornarem reconhecidos pelo muito que têm feito pelo seu povo. Um destes raros exemplos é o Cratense Valdemir Correia de Sousa, que em seus quase 80 anos de existência, quase a totalidade dos quais tem sido dedicada ao diuturno trabalho que deu respeito a seu nome e a suas empresas. Seria praticamente desnecessário ilustrar neste pequeno artigo os inúmeros benefícios que Valdemir tem prestado à cidade do Crato e ao Cariri nos últimos 70 anos, sendo um dos maiores, creio, a quantidade imensa de pessoas que conquistou e ajudou em seus primeiros trabalhos, suas primeiras esperanças de dias melhores trabalhando para ele, que diferentemente da maioria dos empresários do Brasil, nunca visou apenas o próprio ganho pessoal, mas viu mais além, a oportunidade de também ajudar seus semelhantes, transformando seus funcionários em parceiros e amigos, na construção do progresso e do bem-comum. 

Poderia se aposentar e deixar-se ir tranquilamente para o repouso que os justos merecem, mas este homem de ferro parece desafiar o tempo e não querer desistir daquilo que o criador o investiu com um dos maiores talentos que um ser humano pode receber, que é o de conquistar amigos. E assim, ainda hoje, todos os dias, este sai da sua residência no Grangeiro, em Crato, e vai pontualmente trabalhar às 08 da manhã, para apenas sair nas primeiras horas da noite, tendo deixado esse legado de trabalho e dedicação aos seus inúmeros filhos.


Merecedor de muitas honrarias, mas para se falar a verdade, o nobre amigo Valdemir Correia não tem recebido muitas em vida quanto deveria. Alavancador do progresso e um crítico ferrenho dos modelos econômicos gananciosos atuais, Valdemir também nunca deixou de participar da vida pública do Crato e do Cariri, sempre na ativa, escrevendo as suas crônicas, tantas, que dariam para registrá-las em um livro, acrescentadas da sua linda história de vida. Os seus recentes escritos mostram sempre um cidadão preocupado com o futuro da nossa cidade, com o futuro do Cariri e com as novas tendências, e nesse mundo tecnológico e globalizado, suas palavras nítidas tem sido ecoadas pelos jovens através das redes sociais, das quais também faz parte como assíduo colaborador e comentarista, tendo seus escritos já influenciado uma gama enorme de jovens que buscam o seu saber e as trilhas do sucesso.

Não bastasse tanta dedicação ao trabalho e a constante preocupação com nosso tempo, Valdemir tem procurado abraçar as bandeiras das grandes causas. Foi a primeira voz que se levantou e "cantou a bola" para que o atual Governador do Estado, Camilo Santana incorporasse o prédio do SESI, que estava abandonado, à URCA, há 2 ou 3 anos, quando sequer se falava no assunto. Este repórter foi, inclusive contactado em primeira-mão, para que se fizesse uma campanha sobre esse tema ( E o fizemos ), e sobre a reforma da ExpoCrato, coisa que está a acontecer enquanto este artigo é escrito. 


Vemos por conseguinte, que em muitos aspectos da vida moderna e patrocinando grandes causas e projetos, Valdemir merece muito mais do que aquilo que tem sido dado, e aqui não me refiro a dinheiro, poder político ( Que ele tem verdadeira ojeriza ), mas um reconhecimento maior por parte da nossa comunidade, pelos inúmeros serviços prestados.

Que a câmara de vereadores, que o poder público municipal ou Estadual possam reconhecer a grandeza de pessoas da estirpe de um Valdemir Correia e de tantos outros, por sinal, que dedicaram sua vida para que hoje, o Cariri tenha o desenvolvimento que possui. Pessoas que já foram para o repouso eterno sem o devido reconhecimento. Que possamos ressaltar esses outros também. Esses é que são os verdadeiros "Heróis" do Brasil, aqueles que mudam o curso da história com a própria história das suas vidas, de seu trabalho digno, e do seu altruísmo, em ajudar aqueles que verdadeiramente precisam, e saber apoiar as grandes causas. 

Para arrematar, trago aos nossos leitores, um fato interessante: Segundo várias entrevistas de pessoas bastante idosas, ( Muito mais que o nosso querido Valdemir, é claro ), foi feita uma estatística nos Estados Unidos, além de entrevistas, a fim de se saber qual seriam os maiores valores considerados por essas: TODAS as pessoas, por muitos anos sendo entrevistadas, milhares delas, ao leito derradeiro afirmaram que os maiores valores da vida foram: A família que possuíram, os inúmeras amizades, amigos que conquistaram nessa vida, e as inúmeras recordações. Histórias e mais histórias que levariam décadas para serem contadas. Jamais mencionaram conquistas materiais, dinheiro, poder ou fama, mas amigos e memórias, porque ao fim de tudo, é isso que resta a cada ser humano.

E colocando sob essa perspectiva, o nosso grande Valdemir Correia, certamente que é um vencedor em todos os sentidos, não porque tenha construído um grande patrimônio financeiro, até porque nada dessa vida se leva, mas exatamente pela família que teve, pelos milhares de amigos que soube conquistar, e pelas inúmeras memórias, Ah! grandes memórias, estórias que qualquer dia a própria história contará.

Salve, grande vencedor e amigo Valdemir Correia de Sousa !
Que continue sendo apenas o que você sempre foi nesses 80 anos: Um homem bom, uma pessoa de fibra, um homem profundamente íntegro.

Por: Dihelson Mendonça
Para os leitores do BLOG DO CRATO




20 fevereiro 2018

A primeira parceria de Caetano Veloso



Por Carlos Rafael Dias
Especial para o Blog do Crato


O Crato já foi descrito pelo teatrólogo carioca Paschoal Carlos Magno como uma das mais belas cidades do Brasil. Mas não é só pela sua beleza física que o Crato e por extensão o Cariri cearense é festejado e divulgado. O Crato é também reconhecido por ser terra de mulheres e homens notáveis, sejam naturais ou adotivos. São inúmeros os exemplos de cratenses ilustres, que não vamos nominar por mera questão de espaço e tempo. Mas, para resumir a importância do Crato basta lembrar o epíteto de Capital da Cultura com o qual a cidade é cultuada no imaginário regional. O imponente título justifica-se não somente pela tradição que a cidade tem no campo da educação e das letras, mas também pelas grandes quantidade e qualidade de artistas que brotam por estas bandas, tal como pequi na serra.
Para cratenses ufanistas como eu, essas informações já não causam mais tanta surpresa. Acostumamo-nos a enxergar o Crato como uma cidade naturalmente importante e bela, como que vocacionada a ocupar sem muito alarde um lugar de destaque no cenário nacional. Mas, vez por outra, somos surpreendidos por revelações que merecem ser espalhadas ao vento.
A última surpresa que tive veio da biografia do cantor e compositor baiano Caetano Veloso, de autoria de Carlos Eduardo Drummond e Marcio Nolasco. Nela, os biógrafos do renomado tropicalista contam um fato no mínimo interessante: a primeira parceria de Caetano Veloso foi com um cratense. Eis como essa passagem é narrada:

Depois de se formar professora em 1955, Mabel passou a lecionar em casa. Nas horas vagas, Caetano assistia às aulas da irmã e quase sempre decorava as capas dos cadernos com desenhos caprichados. Além disso, aproveitava para instigar a criatividade da irmã com suas ideias.
“Em maio, no dia das mães, Mabel decidiu fazer uma festa diferente. Ensaiou uma coreografia com as crianças e preparou uma delas para recitar um poema que versava sobre “sonho”, do cearense Martins d'Alvarez. Caetano observou o ensaio quieto, matutando em segredo o plano que ele revelaria apenas no final. Por que o poema não poderia ser cantado em vez de recitado? E ainda se ofereceu para fazer a música. [...]
“No dia marcado, tudo estava pronto e bem ensaiado. Caetano, ansioso, sentou na fila do gargarejo para curtir o momento. No final do número, as mães dos alunos [...] adoraram
.”

Antes de prosseguir, é mister esclarecer dois pormenores: esta parceria de Caetano Veloso nunca foi registrada em disco e o seu parceiro, o poeta Martins D’Alvarez, é barbalhense de berço. Porém, Martins D’Alvarez é tão cratense quanto barbalhense, visto que é dele a autoria da letra do hino do Crato, uma das mais belas composições que já ouvi e cantei. Não precisa de atestado de naturalidade nem de título de cidadania quem traduz uma cidade com versos maravilhosamente fortes como “Flor da terra do sol / Ó berço esplêndido / Dos guerreiros da Tribo Cariri / Sou teu filho e ao teu calor / Cresci, amei, sonhei, vivi. Além do mais, Martins D’Alvarez viveu toda a sua infância e adolescência no Crato, onde cursou todo o ensino inicial. Certo que depois virou um cidadão-sem-fronteiras, morando em Fortaleza, onde se formou dentista pela Faculdade de Farmácia e Odontologia do Ceará, e depois no Rio de Janeiro, onde foi professor do Colégio Pedro II e catedrático da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No entanto, foi como poeta que ele se tornou conhecido, a ponto de hoje figurar, como uma importante referência, na memória de um dos mais renomados compositores da música popular brasileira.
E isso não aconteceu à toa. Para os místicos, como eu, tudo tem uma causa plausível. Assim como também para o psiquiatra suíço Karl Gustav Jung, que até desenvolveu uma teoria a respeito, a Sincronicidade. Para ele os acontecimentos se relacionam não por relação causal e, sim, por relação de significado. Desta forma, é necessário que consideremos os eventos de forma sincrônica, como fatores que conspiram para um determinado e sublime fim.
Já o físico austríaco Fritjof Capra, no seu livro O tao da física, fala de uma experiência que teve à beira-mar, em um fim de tarde de verão, quando percebeu o desenvolvimento de todo o meio ambiente em volta como se estivesse numa gigantesca dança cósmica: areia, rochas, águas e ar que lhe rodeavam, feitas de moléculas e átomos vibrantes, interagiam, em um balé de criação e destruição. Capra, com as lentes da física quântica, revela a sincronicidade que rege a vida, onde matéria e energia complementam-se e as partes do todo interagem, criando e destruindo ao mesmo tempo, ritmicamente. Na lente do misticismo, seria uma espécie de um grand pas de deux dançado por Brahma e Shiva, deuses da trimúrti hindu, que representam, respectivamente, a criação e a destruição do universo.
Toda essa teoria, por sua vez, pode ser resumida em um provérbio popular que virou verso de um sambinha que ouvi quando criança no Festival da Canção do Cariri e que nunca mais esqueci: até as pedras se encontram.
O “encontro” de Caetano Veloso e Martins D’Alvarez pode ser tratado como um exemplo típico de sincronicidade. E desse “encontro” toda uma trajetória excepcional foi gestada. Caetano Veloso que há cinquenta anos é tido como um gênio da música brasileira foi iniciado no mundo mágico da composição pelos versos de um poeta que bebeu a água que jorra da chapada do Araripe e comeu rapadura feita nos engenhos do Vale do Cariri. E isto foi tão marcante na dança cósmica universal que até hoje reverbera, possibilitando novas criações recicladas do húmus do que um dia já foi verde e vivo.
E assim segue a vida, levando de roldão a humanidade. Ou seria o contrário: a humanidade caminha, levando de roldão a vida?
Não importa. Como cantou “o velho compositor baiano”: tudo é perigoso, tudo é divino maravilhoso.

Um amor a mais - Por: Emerson Monteiro

E acordar na velha estação em que aguardam o comboio da sequência natural do que existe e existirá para sempre. Sacos de dormir espalhados pelo chão frio do alpendre imenso. Pessoas e olhos ainda entumecidos se olham quais ouvissem pela primeira vez a chuva fina que cai na serra em volta. Crianças andrajosas. Malas. Caixas e flores. Armamentos. Instrumentos musicais silenciosos. Nuvens. Muitas nuvens escuras a circular em volta de tudo, tais bichos de estimação dos futuros passageiros da nave que lá vem do espaço sideral distante. E todos brincam naquela praia no mar da certeza bem certa.

Bom, a notícia percorreu as consciências dos viajantes. Sabem por demais que serão recolhidos através da bólide gigante que percorre o Infinito desde o nascer das primeiras horas. Ninguém restara abandonado pelas estradas do tempo. À medida dos elementos, as escolhas da vontade serão traduzidas agora ao poder do Mistério Tenebroso e revertidas em resultados no palco principal das histórias individuais. Espécie de julgamento de si mesmos que trataram de promover naquilo que praticaram, pesos atômicos espirituais, a cada um conforme o merecimento. Sabem disso à fartura. Nunca enganaram à própria consciência. Receberão, daqui a pouco, o soldo que lhes competirá.

E eles entreolham a massa de corpos, luzes em potencial, na grandeza de que jamais passarão impunes do mal e do bem que praticaram na balança do barco em vieram até aqui. Enquanto isso, a nave percorre o espaço na velocidade da luz. Chegará infalivelmente na ocasião prevista na ordem dos traços largados ao acaso que nem existe, pois do mínimo ao máximo há um só sentido absoluto nas lendas em que habitaram desde as cavernas.

Dentro dos corações sabem disso. Apenas agora esperam chegar os enormes vagões que os recolherão de portões abertos. Cobertos da fuligem das eras em que viveram, aceitarão o preço da liberdade, espécies de alimárias da Natureza mãe. Filhos do Pai Eterno, sabem, portanto, que amar é ser assim. Aceitar o momento de existir quando ninguém viveu abandonado hora nenhuma durante o caminho que restou nas outras madrugadas, porquanto somos dotados de gosto na escolha do destino, isto que significará a sorte de sonhos que alimentávamos todo momento à busca dos resultados definitivos.

Para matar cidades vizinhas de inveja: só no Parque das Timbaúbas, Prefeito de Juazeiro está plantando duas mil árvores

Fonte: Blog Portal do Juazeiro
    O Parque Ecológico das Timbaúbas irá ganhar o plantio de 2 mil mudas entre espécies nativas, frutíferas e de sombreamento. Atualmente o espaço, com cerca de 70 hectares, passa por limpeza, com o cuidado de proteger os recursos ambientais, levando em consideração a conservação do seu ecossistema e biodiversidade.
   Em algumas áreas, onde já aconteceu limpeza, já foram plantadas mudas de ipês, limoeiros, entre outras. O principal objetivo, segundo o secretário de meio ambiente e serviços públicos, Luiz Ivan Bezerra, é a conservação do parque. “Estamos aproveitando essa quadra invernosa para fazer o plantio das 2 mil mudas frutíferas e de sombreamento”, afirmou.

Revitalização

    Os serviços vêm sendo realizado sob orientação das equipes técnicas da Semasp, da Autarquia Municipal de Meio Ambiente (AMAJU), e da Secretaria de Agricultura. O parque, que será revitalizado, está em processo licitatório por meio do Governo do Estado do Ceará.
    O projeto, criado pela Secretária de Infraestrutura e arquiteta, Gizele Menezes, prevê instalação de pórtico de entrada com guarita, a criação de um calçadão, bem como a recuperação da praça já existente e da edificação, também existente, onde atualmente funciona a Secretaria de Meio Ambiente e Serviços Públicos (SEMASP).
     A proposta também dispõe da criação de uma pista de cooper e outra de passeio para a população que frequenta o local. Dois playgrounds, um para crianças de 1 a 7 anos e outro para aquelas que tiverem de 8 a 12 anos. Haverá a criação de duas academias, banheiros públicos, recuperação e instalação de iluminação no local.
Foto: Hélio Filho (ASCOM/PMJN )

19 fevereiro 2018

O mito da liberdade - Por: Emerson Monteiro

Disto nasceria a ilusão dos desacertos de quando achamos tudo poder fazer e não ter a quem responder por isso. Agir ao sabor dos impulsos, dos instintos, daí produzir os achaques de vidas inteiras, seguidos de remorsos inconsoláveis e dores as mais atrozes. Afrontar leis da natureza virgem quais feras perdidas nos desalentos amargos da violência e prostrar o senso da responsabilidade em jogar lá longe o gosto de viver com arte e sabedoria.

São esses nós, os humanos, que pisamos este chão das almas em viagem infinita. Eles, nós, que sujeitamos o amor da perfeição ao desvalor dos caprichos imediatos. Nós, eles, os párias da ingratidão, que abandonamos os braços dos perdidos nos destinos e chances de regressar aqui noutras vidas talvez bem melhores, através do princípio da reencarnação. Animais ensinados nos hábitos selvagens dos antigos salteadores da floresta e formadores de bandos agressivos, torpes suicidas da sorte.

No entanto há de achar logo ali imensa na maravilha de Deus em nós, seres espirituais que já somos. Juntar as luzes das experiências em construir futuro promissor, brilhante. Artesões dessa harmonia de sábios em evolução, e nisso abraçar de bom grado a justiça do equilíbrio em querer a si o que que aos demais, a reciprocidade da quietude na felicidade. Reunir momentos bons e deles retirar a alegria dos dias abertos aos sonhos da Paz. Sorrir o riso dos santos e adorar céus de esperança naquilo que produzir dos melhores tratados sociais de viver em sociedade.

Isto, o mito da liberdade em plena flor das manhãs de primavera. Nossas ações positivas que falam alto das sementes boas que plantarmos no coração das outras pessoas. Cabe, entretanto, aos planos superiores, o julgamento dos que falharem, e nunca a nós próprios. Existem patamares além das únicas atitudes desesperadas dos insolentes. Liberdade de ser bom e agir quais ensinam os mestres de maior Consciência.

19 de fevereiro: Há 135 morria o Servo de Deus Padre Ibiapina – por José Luís Lira (*)

 José Antônio Maria Ibiapina, nasceu em Sobral, em 5 de agosto de 1806 e faleceu no município de Solânea (PB), em 19 de fevereiro de 1883. Há 135 anos, portanto,  retornava à Casa do Pai o Servo de Deus Padre Ibiapina
      Homem culto, filho de Francisco Miguel Pereira e Teresa Maria, formou-se em Direito, tendo sido professor de Direito na Faculdade de Direito então de Olinda, hoje em Recife, na qual compôs a primeira turma de bacharéis e por sua notabilidade foi convidado a ser professor, tendo se destacado, também, como grande advogado. Ocupou cargos na magistratura e na Câmara dos Deputados.      Depois, decepcionado com muitas injustiças e por questões pessoais, abandonou a vida civil para seguir o sacerdócio.
      Aos 47 anos, iniciou uma obra missionária, percorrendo a região Nordeste em missões evangelizadoras, erguendo inúmeras casas de caridade, igrejas, capelas, cemitérios, cacimbas d'água, açudes. Ensinou técnicas agrícolas aos sertanejos, atuação que inspirou no Nordeste o Padre Cícero e Antônio Conselheiro, e defendeu os direitos dos trabalhadores rurais.
      O zelo apostólico do Padre José Antônio Pereira Ibiapina, no percurso do século XIX, no interior do Nordeste brasileiro, deixou marcas significativas, não apenas na organização posterior da Igreja, mas, sobretudo, na vida das pequenas comunidades desta região.
       Nertan Macedo, jornalista-pesquisador sério da história sertaneja cearense, afirma que Conselheiro, possivelmente teve oportunidade de participar das pregações do Padre Ibiapina na região de Ipu, Ceará, quando ali morou e que certamente teve forte influência deste deste missionário. Para reforçar sua tese afirma que o tratamento de "meu Pai" e a saudação "Louvado seja N. S. Jesus Cristo" adotada por Conselheiro e seus seguidores, foram copiadas da prática ibiapiniana.
       Antônio Bezerra comentou, ao visitar uma Casa de Caridade, um ano após a morte do Padre: “... homem prodigioso, que trocara a toga de magistrado, honrada sempre com as glórias de seu trabalho superior, pelas vestes de sacerdote desconhecido e ignorado... cuja vida fora constante exemplo de santidade e heroísmo”. Gilberto Freire assim descreveu sua ação: “Sozinho e em luta áspera com obstáculos de toda a espécie, Ibiapina levantou nos sertões do Nordeste, entre mandacarus e chique-chiques, uma admirável organização cristã de assistência social ao sertanejo, de educação doméstica e industrial da mulher do interior, de amparo a órfãos e a doentes, de combate às secas...”
Oração pela beatificação e canonização do Padre Ibiapina
      Eterno Pai, Vós sois o amor e a misericórdia. Somente Vós conheceis tudo o que se passa em nós. Vide, pois em meu socorro na necessidade que me aflige. Neste momento, eu me dirijo a Vós, lembrando a pessoa tão amada do Padre Ibiapina. Ele foi fiel discípulo do Vosso Filho Jesus e cheio dos dons do Espírito Santo. Foi devoto sacerdote, incansável, missionário e sábio conselheiro da Igreja, sobretudo, no serviço dos padres e necessitados do Nordeste do Brasil. Por isso, pela sua intercessão, concedei-me, ó Pai, a graça de que especialmente necessito e agora vos apresento... E como sinal da santidade evangélica deste Vosso Servo, concedei, ó Pai da eterna glória, ao nosso companheiro de fadigas, o Padre Ibiapina, a honra dos altares em Vossa Santa Igreja. Que a Virgem Maria, a quem ele tanto amou, na terra, seja a nossa advogada, no céu! Agradecidos queremos nos unir ao Padre Ibiapina e com ele sempre vos louvar, ó Trindade Santíssima, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai... (Com aprovação eclesiástica)

 (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com vários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


   

Memorial da Imagem e do Som do Cariri registra:

109 anos de nascimento do poeta-maior Patativa do Assaré
Por Jackson Bantim (Diretor-Fundador do Memorial da Imagem e do Som do Cariri Luiz Gonzaga de Oliveira)

Um dos maiores privilégios que tenho, ao longo de uma já longa existência, foi ter conhecido, convivido e privado da amizade de Patativa do Assaré, um dos maiores poetas da língua portuguesa e, quiçá, do mundo.
Um pouco dessa amizade, que tanto me enche de orgulho, estar registrado no vídeo “Depoimento de uma amizade: de Patativa do Assaré à Jackon Bantim (Bola)”, que realizei como uma prova da grande estima e admiração que tenho ao poeta-maior e, notadamente, como uma forma de gratidão pela sua amizade.
Se já bastaria ter conhecido a imortal obra poética de Patativa, um verdadeiro tesouro de sabedoria e sensibilidade, imagina, então, ter conhecido e convivido, desde os anos 1970 até o seu falecimento, em 2002, com a sua pessoa de infindáveis virtudes humanas. Patativa foi um verdadeiro cavalheiro, no sentido mais clássico e profundo do termo, e, consequentemente, um amigo leal, generoso e de uma afeição incomum. Isso sem falar, no deleite que foi compartilhar um pouco de sua intimidade familiar, conhecendo sua dileta esposa, dona Belinha, seus filhos e filhas.
Inesquecíveis e providenciais foram os dias em que me abalei do Crato até Assaré, inicialmente para a Serra de Santana e depois para a casa perto da Igreja-Matriz, onde o poeta passou os seus últimos anos. Foram momentos de grandes e sábias lições que tomei com o poeta-mestre, pérolas de vida que até hoje me são válidas.
Próximo de completar mais um aniversário de nascimento de Patativa, que transcorrerá no próximo dia 5 de março, faço a primeira de muitas homenagens devidas, compartilhando com os leitores do conceituado Blog do Crato este pequeno, mas valioso documentário que deixou registrado um lampejo do que foi uma amizade entre duas pessoas que se irmanaram pela identificação recíproca, pela vida, pela arte.  Para assistir ao documentário, basta clicar no link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=_4u0vRHNFV8

Parabéns, meu amigo Patativa.

17 fevereiro 2018

Patrimônio Histórico: No Crato sobrou muito pouco a ser preservado

Fonte: Diário do Nordeste, 17/18-02-2018.
     A situação mais grave de conservação está no Crato, onde boa parte do patrimônio já foi destruída ou transformada. Os que resistem não têm nenhum tipo de amparo, nem mesmo de Lei Municipal, que assegure sua preservação. No entanto, ainda há três patrimônios materiais tombados: A Casa de Câmara e Cadeia, o Largo da RFFSA e o Sítio Caldeirão da Santa Cruz do Deserto. "Aqui se destrói do dia para noite porque não tem ninguém para defender", lamenta o arquiteto Waldemar Farias.
     Ele acrescenta que até os prédios de meados do século XX, de pouco mais de 60 anos, também já foram destruídos. Ou seja, o Crato sempre se renova. Algumas fachadas têm resquícios do Século XIX, mas são poucos. A Igreja Católica é quem mais preserva. Longe da parte urbana, algumas fazendas antigas e capelinhas sobrevivem ao tempo. "Para tombar, primeiro, a população precisa querer. Um povo sem passado, não tem presente e não tem futuro", provoca.
      Até os prédios tombados enfrentam dificuldades. Para Waldemar, o Largo da RFFSA, antiga estação da Rede de Viação Cearense, tem estado muito ociosa. "O prédio da sala de embarque está parado", acredita. Nos outros dois prédios funcionam a Secretaria de Cultura, uma Biblioteca Pública e um auditório.
     Enquanto a Casa de Câmara e Cadeia, construída em 1877 e pertencente à Prefeitura, enfrenta sérios problemas em sua estrutura. No térreo, funciona o Museu Histórico e, no andar de cima, onde tinha o Museu de Artes, está destruído. O piso foi retirado para uma reforma, há mais de 10 anos, mas que teve que ser paralisada. Hoje, corre risco de desabamento. Na parte de baixo, o forro de uma das salas cedeu com as chuvas.
     Desde 1940, o local já era estudado pelo Iphan porque apresenta peculiaridades, como a enxovia em forma de abóbada, onde ficavam os presos mais perigosos. No andar de cima, funcionaram as primeiras sedes da Câmara Municipal e a Prefeitura.
     Segundo o secretário de Cultura de Crato, Wilton Dedê, a Casa de Câmara e Cadeia tinha um processo de reforma de gestões passadas que foi necessário encerrar, refazer a prestação de contas e devolver o dinheiro. No entanto, ele garante que a Prefeitura já está pleiteando uma nova emenda para reconstruir. "O museu sofreu o início de uma reforma, aí teve que destruir uma parte. Daí, parou. Destruíram a parte de cima. A parte de baixo passa por manutenção física, troca de forro, instalação elétrica, parede", explica.
     O titular da Pasta conta que há mais de um ano vem tentando resolver os problemas burocráticos do processo anterior e iniciar uma nova reforma. Além disso, fez um levantamento pessoal de 80 prédios no Crato com apoio de professores da Urca, atendendo uma solicitação do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) sobre o andamento dos tombamentos.
     "Há uma pretensão de fazer um estudo histórico. Uma lei pode ser um incentivo para o proprietário manter. Hoje, não temos diálogo com proprietários. Mas já temos projeto para levarem alunos para dentro do Museu e vamos implantar alguns projetos lá. Preservar os prédios é importante, porque só planeja seu futuro se souber o seu passado. Destruir a memória é impedir de pensar seu futuro", conclui Wilton Dedê.

A visão interior - Por: Emerson Monteiro

Desde antes, bem antes, que os humanos buscam a certeza da fé inquestionável, a transformar isto na força maior do Universo. Eles batem nas tantas portas que nunca abrem, e ainda assim persistem no dever soberano de continuar, conquanto muitos reconheçam as limitações diante do tempo e firmam seus propósitos de, um dia menos dia, revelar em si o mistério da Eternidade consciente. Lendas existem, religiões, filosofias, no entanto o sonho principal significará uma firmeza nas constatações e um mergulho definitivo na virtude plena da imortalidade.

Nesse território interno do ser que habitamos e somos, acontecem as grandes aventuras da Consciência, no patamar de dentro das criaturas humanas. Face à subjetividade, isto é, à versão bem pessoal das descobertas intransferíveis, quem de si revelar a verdade tremenda dessa busca de resposta quase nada significará em dizer os demais não viverem a experiência singular da transcendência. Isto sobremodo representa a visão interior, dado essencial das conclusões individuais.

Durante toda trajetória de vida o fator preponderante representa, pois, oferecer a si os motivos da certeza do eterno em suas experiências particulares. São inúmeras as possibilidades, entretanto raros humanos demonstram conhecer em espécie a solução do tal enigma raiz e a justificativa de superar o que seria estação final do percurso vida. Somos quais viajores das estrelas, porém na galáxia do ser íntimo em que exercemos o papel desbravador da consciência.

Horas em conta aplicamos bem nisto, de equacionar o mistério das dúvidas em prol da certeza das certezas, o que acalmará e justificará tudo quanto aqui vivermos. Aguçar, todavia, os olhos da alma na gente apresenta fase que pede empenho, renúncia e desejo pleno. Nessa jornada pelas vidas impera, por isso, a causa fundamental de todo o conhecimento. Através do mecanismo da espécie que ensaiamos advirá, nalgum momento das felicidades, o acerto final e êxito inquestionável de tudo quanto há e em todos os sentidos. Isto por si só resume e esclarece as infinitas práticas e os elementos universais da Civilização.

A primeira paróquia criada no Cariri (por Armando Lopes Rafael)

     Muitos pensam que a primeira paróquia criada no Vale do Cariri foi a de Nossa Senhora da Penha de Crato, fato ocorrido em 1768. Entretanto, em 28 de janeiro de 1748 – vinte anos antes da ereção da paróquia de Crato – foi criada a Freguesia dos Cariris Novos (hoje cidade de Missão Velha), tendo como padroeira Nossa Senhora da Luz (foto acima).
      Em 1759, o acanhado templo que abrigava a única igreja-matriz do sul do Ceará, a Paróquia dos  Cariris Novos, estava arruinado. O seu vigário, padre Manoel dos Prazeres de Sousa Magalhães, obteve então a autorização do bispo de Olinda, Dom Francisco Xavier Aranha, para erguer uma nova igreja em Missão Velha. Mas, fato curioso, a paróquia teria um novo padroeiro:  São José. E assim aconteceu.  Desconhecem-se as razões que motivaram a troca de Nossa Senhora da Luz por São José, como patrono da primeira paróquia do Cariri.
      Restou para a história este fato: Nossa Senhora da Luz, em passado remoto, foi a primeira padroeira oficial das terras caririenses. Infelizmente, nos dias atuais, nada mais resta para lembrar aquela antiga devoção, hoje totalmente desconhecida pelas novas gerações missãovelhenses. Para saber algo sobre a devoção a Nossa Senhora da Luz,  damos a palavra ao historiador Murilo Zampieri.
“Foi em Portugal, no decorrer do século XV, que a devoção a Nossa Senhora da Luz floresceu e, dali, veio para o Brasil. Pedro Martins, simples agricultor da pequena vila portuguesa de Carnide, levava uma existência tranquila com sua esposa. Mas eram turbulentos os tempos em que viviam. As crônicas não relatam exatamente como, mas ele teve o infortúnio de cair prisioneiro dos mouros da África. Do ambiente de afeto de sua família, caiu na desgraçada condição de escravo, sujeito a um regime sem compaixão de trabalhos pesados, sob clima atroz e, sobretudo, privado por completo do conforto da religião cristã. Passavam-se os anos, e nenhuma esperança humana restava ao infeliz cativo. Vendo-se de tal modo desamparado pelos homens, Pedro Martins se voltou então, com mais intensidade do que nunca, para Deus.
  “Numa noite, isolado em sua cela, resolveu rezar com mais fervor e fé. Após horas de oração, vencido pelo sono, adormeceu. Então lhe apareceu em sonho uma Senhora cheia de luz, a qual lhe prometeu voltar mais vezes para consolá-lo e, após sua última visita, fazê-lo voltar para Carnide. Acrescentou que, lá chegando, ele deveria procurar algo que pertencia a Ela e fora escondido perto de uma fonte. Deu-lhe também a incumbência de ali edificar uma capela, cuja localização exata Ela lhe indicaria por meio de uma luz.
   “Trinta noites consecutivas passou ele consolado pela própria Mãe de Deus! As dores sofridas durante o dia se desvaneciam pela luz e a suavidade das horas passadas aos pés de Maria. No entanto, ele continuava cativo. Ao despertar da trigésima noite, oh surpresa! De modo milagroso e inesperado, estava ele de volta em sua boa aldeia. Tomado de emoção, encontrou-se com os seus entes amados, os quais muito se admiravam por vê-lo salvo.
   “Mas ele não se esqueceu do pedido da Virgem, e logo se pôs a procurar aquilo que, segundo a indicação d’Ela, tinha sido escondido “perto de uma fonte”. Na verdade, num local chamado Fonte do Machado, há tempos uma luz misteriosa andava aparecendo, e de toda parte vinha gente curiosa para ver tal fenômeno. Decidiu então Pedro ir à noite, acompanhado de um primo, para ali fazer a busca. Realmente, ao chegar à fonte avistaram uma luz a se mover diante deles. Seguiram-na até um matagal, e ela parou sobre umas pedras. Eles não pensaram duas vezes. Retiraram as pedras e com encanto se depararam com uma lindíssima imagem de Nossa Senhora. A notícia dessa milagrosa descoberta correu por todo o país, e naquele mesmo ano – 1463 – deu-se início à construção de uma capela, conforme fora ordenado pela Santíssima Virgem. Anos mais tarde, ela seria substituída por uma magnífica igreja.
    “Atravessando os mares, a devoção a Nossa Senhora da Luz estendeu-se pelo mundo inteiro, frutificando também no Brasil”.
        Essa devoção a Nossa Senhora da Luz floresceu – por pouco tempo no Cariri –  em 1748, com a criação da Freguesia de Nossa Senhora da Luz dos Cariris Novos, a qual, em 1760, receberia a nova denominação de Paróquia de  São José dos Cariris Novos.

16 fevereiro 2018

Propina financiava até IPVA e conta de luz de Gleisi Hoffmann, diz delator

Reportagem de VEJA conta as revelações do advogado Marcelo Maran, que confessou ter controlado as contas da senadora
Fonte: VEJA desta semana, Por Hugo Marques
Prontuário - A senadora, prestes a ser julgada: o dinheiro da corrupção pagava até conserto de liquidificador
     Em depoimento inédito colhido pela Procuradoria-Geral da República, o advogado Marcelo Maran detalhou como dinheiro desviado dos cofres públicos financiou, além das campanhas eleitorais de Gleisi Hoffmann, o conforto da senadora e de sua família.
      Segundo Maran, despesas comezinhas da atual presidente do PT e do marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, eram bancadas por uma conta-propina abastecida, na ponta, pelo dinheiro do contribuinte. Os gastos incluíam gasolina, taxas de IPVA, conta de luz, condomínio, conserto de liquidificador, brinquedos para seus filhos e pequenos luxos, como motorista particular – informações que ela nega.
        Mais detalhes você encontrará na edição de VEJA que hoje chega às bancas.

Historiador missãovelhense lançará livro sobre sua cidade – por Armando Lopes Rafael


    Meu velho e estimado amigo João Bosco André, telefonou-me para comunicar o lançamento de um livro de sua autoria: Documentos para a história de Missão Velha. O evento de lançamento ocorrerá no próximo dia 17 de março, daqui a um mês, às 19:00h, na Câmara Municipal de Missão Velha. Certamente a escolha do local recaiu para homenagear o Poder Legislativo de Missão Velha, já que João Bosco André foi vereador na sua terra natal.
    João Bosco André é um guerreiro!
   Várias virtudes ornam a personalidade dele: cidadão exemplar, católico autêntico, devotado ao estudo da história de Missão Velha, pesquisador paciente e figura de destaque na comunidade onde vive.
    Conheci-o na época do Plebiscito de 1993, evento que movimentou a opinião pública brasileira. As novas gerações não sabem, mas constou na vigente Constituição de 1988, que as autoridades republicanas deveriam cumprir – depois de cem anos da promessa nunca cumprida – o compromisso feito pelos golpistas de 15 de novembro de 1889: ao povo brasileiro caberia escolher a forma e o sistema de governo para nosso país.
    Como tudo que ocorre no Brasil., aquele plebiscito foi feito “pela metade”. A liberdade de informação a ser dada pelos monarquistas foi fraudada. Os detentores republicanos do poder sonegaram informações valiosas para que o povo pudesse decidir com conhecimento de causa.     Negaram aos Príncipes Imperiais ( Dom Luiz e Dom Bertrtand de Orleans e Bragança) e outros membros da Família Imperial, acesso ao horário gratuito na televisão para que eles mostrassem ao povo as vantagens da Monarquia.
       E assim a massa ignara foi às urnas, com a cabeça feita por demagogos da troglodita esquer4da brasileira, por lideranças  do naipe de um Brizola, Lula da Silva, et caterva. A imensa maioria do povo brasileiro desconhecia   qual o melhor regime para o país: republicano ou monarquista, bem como  qual o melhor sistema: presidencialista ou parlamentarista.
***   ***   ***
   Bosco André engajou-se no time dos monarquistas. E fez bonito! Conseguiu até trazer a Missão Velha o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança para que este recebesse o título de “Cidadão Missãovelhense”, o que foi feito numa solenidade memorável na Câmara Municipal daquela cidade, seguido de lauto almoço oferecido ao herdeiro do Trono Brasileiro. Bosco André fez história na sua cidade.
    Parabenizo João Bosco André pela autoria do livro. A obra será, inegavelmente, de grande interesse para os que querem conhecer a história do Cariri.

Sobre o livro:
Documentos  para a história de Missão Velha
Lançamento em 17 de março de 2018, às 19:00 horas
Câmara Municipal de Missão Velha
Rua Padre Cicero, S/Nº. – Centro
Para falar com João Bosco André:
Fones: 88 – 3542 1118 / Celular: 88 – 99705 7609
E-mail: joaoboscoandre@yahoo.com.br
Na foto abaixo, João Bosco André 


15 fevereiro 2018

Uma fotografia – por José Luís Lira (*)

   A música fotografia, de Leoni e Léo Jaime, dá o tom da coluna de hoje: “E quando o dia não passar de um retrato/ Colorindo de saudade o meu quarto/ Só aí vou ter certeza de fato/ Que eu fui feliz”. Neste feriado – carnaval para mim não é mais que isso –, embora respeite aos que se divertem; de repente, não mais que de repente, como diria o poeta, e no acaso que só a vida é capaz de produzir, enquanto folheava um velho livro que trouxe a Fortaleza para encadernar, encontrei, entre suas páginas, uma fotografia na qual aparecíamos 3 amigos.
      Era a infância mágica. Estudávamos no Instituto Benjamin Soares, administrado pelas queridas Irmãs Reparadoras do Coração de Jesus. Tivemos uma educação sólida tanto nas matérias que nos eram ensinadas quanto na formação pessoal que nos acompanha. Não é demais dizer que os que estudamos naquela Escola facilmente nos reconhecemos. O tempo passou. Cada um seguiu seu caminho, em locais e diria até, em funções, diferentes das que sonhávamos e falávamos naqueles dias. Pouco nos falamos, mas, ainda somos amigos.
      Via numa manhã esta fotografia. Lembro-me exatamente da situação, do dia que ela foi “tirada”. Só não sabia onde ela estava. À tarde, decidi ir a um Shopping da Cidade para almoçar e, depois, ver um filme. Entre a praça da alimentação e o cinema, ouvi voz aparentemente conhecida dizendo: é ele! Olhei para trás e lá estavam meus amigos de infância. Um com sua filha de 16 anos (linda, com os olhos de sua avó que conheci) e a outra acompanhada do marido. Que surpresa! Parecíamos os três da fotografia, abraçados e emocionados. A filha de um e o marido da outra sabiam que éramos da mesma cidade, talvez não soubessem o laço que nos une tão fortemente. Passamos uns minutos em silêncio e ao mesmo tempo emocionados.
      Na hora lembrei da fotografia, mas, não falei. Fomos à mesa, sentamos, conversamos; desde dezembro último, não estou podendo nem gosto de beber (e não disse a eles), mas, pedi um vinho e brindamos o reencontro e eu fiquei pensando: fomos (somos) felizes! Atualizamos contatos, sorrimos, uma lágrima teimosa caiu e nós a vimos em nossos rostos. Eu perdi o horário do cinema e nem me importei. Passamos quase toda a tarde ali, conversando. Até que a filha do meu amigo reclamava de cansaço e cada qual partimos para nossos mundos, para um dia, na arte do encontro e desencontro da vida, nos revermos.
      Este texto, não vou ter a pretensão de ser chamado “crônica”, é um pouco saudosismo como o são os dias que passam do carnaval com o início da Quaresma, período não só de penitência, mas, também, de reflexão. Decidi partilhar esta passagem, talvez até lembrando o grande poeta inglês T.S. Eliot: “Eu escrevo para me livrar da emoção”. Meus amigos o lerão quando enviar-lhes eletronicamente, pois, eles residem n’outros Estados e já retornaram à normalidade de suas vidas.
      A fotografia é uma forma perene de registrar momentos que se eternizam, viram saudades, mostrando que vale a pena um instante, tão evidenciado num filme daquela nossa é1poca e, para mim, o melhor longa do século que passou: 1“Sociedade dos Poetas Mortos” (1990), o “carpe diem” (aproveite o dia). E para os próximos encontros, fizemos nova fotografia e, por ironia, ficamos nas mesmas posições de antes, sem intencionalidade. Até a próxima semana!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com vários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

13 fevereiro 2018

Comissão de Teólogos do Vaticano aprova processo de beatificação de Frei Damião

Próximo passo é esperar o parecer da Comissão dos Cardeais, em Roma, na Itália.
Fonte: G1
 Estátua de Frei Damião está localizada no memorial construído em homenagem a ele, em Caruaru  (PE) -- (Foto: Joalline Nascimento/G1)

    A Comissão dos Teólogos, na Congregação das Causas do Santos, aprovou o processo de beatificação de Frei Damião. De acordo com o postulador da causa, frei Jociel Gomes, o próximo passo é aguardar o parecer da Comissão dos Cardeais em Roma, na Itália.
    Segundo o frei Jociel, o resultado desta próxima etapa deverá ser divulgado nos próximos oito meses, ainda sem data definida.
aso a Comissão dos Cardeais aprove, caberá ao papa Francisco autorizar o decreto de venerável a Frei Damião. O já falecido frade capuchinho pode se tornar beato e, depois, santo, se tiver pelo menos dois milagres atribuídos a ele comprovados.

Sobre Frei Damião 
    Frei Damião de Bozzano, nascido Pio Giannotti, nasceu em Bozzano, na Itália, em 5 de novembro de 1898. Aos 13 anos ele ingressou na vida religiosa, e em 1915, aos 17 anos, emitiu os primeiros votos religiosos e recebeu o nome de Damião.
      O frade capuchinho chegou ao Brasil em 1931 e durante 66 anos visitou diversas regiões do país. Frei Damião era um missionário e arrastava centenas de pessoas por onde passava. Ele morreu aos 98 anos, no Recife.



Caos da Venezuela: Brasil dobra controle militar e reforça triagem de refugiados

Fonte: Agência Estado
 Brasília, 13 - O Brasil criou uma força-tarefa para controlar o ingresso de venezuelanos em Roraima, medida anunciada em visita do presidente Michel Temer ontem a Boa Vista. De acordo com o plano, haverá aumento de 100 para 200 homens nos pelotões de fronteira no Estado e duplicação dos postos de fiscalização. O governo federal pretende aplicar R$ 15 milhões na contenção de novos refugiados - alguns dos quais são usados pelo crime organizado - e na ajuda para os que já chegaram.
    Segundo a Polícia Federal, 42 mil imigrantes venezuelanos entraram em 2017 por via terrestre em Roraima e não saíram. Isso equivale a 10% da população do Estado, de 400 mil moradores. Depois do anúncio da assinatura de uma medida provisória decretando uma espécie de "estado de emergência social" na região, os ministros da Defesa, Raul Jungmann, do Gabinete de Segurança Constitucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, e da Justiça, Torquato Jardim, detalharam algumas das medidas.
     Temer, que não chegou a passar pelas ruas e praças de Boa Vista tomadas pelos imigrantes, listou o fluxo de refugiados para o Estado como um problema grave, que pode ter impacto em outras partes do País. "Todos os recursos necessários serão usados para solucionar a questão", prometeu, indicando que pretende resolver a questão este ano. De acordo com o presidente, a governadora de Roraima, Suely Campos, mencionou que cidadãos do país vizinho estariam "tirando emprego de roraimenses".      
      "Temos milhares de venezuelanos em Roraima que demandam remédios e alimentação e não podemos e nem queremos fechar as fronteiras", afirmou Temer. O presidente anunciou revalidação de diplomas para professores e médicos venezuelanos, como forma de aumentar a participação deles na assistência. Canadá, Estados Unidos e União Europeia já ofereceram ajuda para controlar o fluxo desordenado.
      A governadora de Roraima entregou um documento com 11 sugestões, entre as quais está a atuação do Exército no policiamento ostensivo em Pacaraima. Ela afirmou que o crime organizado aproveita a vulnerabilidade dos venezuelanos para fazê-los transportar drogas e armas para o Brasil.

2018 assinala 20 anos da morte de Dom Vicente Matos – por Armando Lopes Rafael

Busto de Dom Vicente Matos – colocado por iniciativa de seus admiradores –  na Praça da Sé. Nenhuma rua de Crato foi denominada em homenagem ao maior benfeitor desta cidade. Quanta ingratidão! Mas existem mais dois bustos dele em Crato: um em frente ao auditório do Colégio Pequeno Príncipe e outro, no Centro de Expansão da Diocese,localizado no bairro Grangeiro.
  No próximo dia 06 de dezembro o calendário das pequenas efemérides do Cariri vai assinalar vinte anos da morte do terceiro Bispo de Crato, Dom Vicente de Paulo Araújo Matos. Esta data enseja a que façamos um retrospecto da vida desse grande bispo que o Crato teve a sorte de ter como pastor diocesano, de 1955 a 1992, ou seja, por cerca de 37 longos anos.
  Tão logo foi ordenado sacerdote, em 29 de novembro de 1942, o jovem Padre Vicente Matos recebeu a missão de ser o primeiro administrador da recém-criada Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, da cidade de Capistrano, à época pertencente à Arquidiocese de Fortaleza.
  
Em Capistrano, o Padre Vicente Matos encontrou como igreja-matriz uma capela singela e de pequenas dimensões, embora dotada de um tradicional cruzeiro no seu patamar (foto acima). Naquela cidade, ele demonstrou os primeiros sinais do espírito empreendedor de que era dotado. Deve-se ao Padre Vicente Matos a construção da nova e imponente igreja-matriz da paróquia de Capistrano, (foto abaixo) hoje integrante a Diocese de Quixadá. Na sacristia daquela igreja existe uma foto do então Pe. Vicente Matos e uma placa de gratidão da população de Capistrano.
     Logo após ordenado,  o Arcebispo de Fortaleza, Dom Antônio de Almeida Lustosa (que tem um Processo de Beatificação em andamento)  percebeu as virtudes do jovem Padre Vicente Matos, dentre as quais sobressaiam os dotes de um pastor zeloso, prudente, dinâmico, firme e compreensivo. Por isso convocou-o para dirigir o Colégio Arquidiocesano, em Fortaleza, o que o jovem padre fez com responsabilidade e competência entre  1947 até meados de 1955.
    Acima, Dom Vicente Matos (penúltimo à direita) é visto nesta foto de 1960, sendo recebido pelo então Presidente da República, Juscelino Kubitschek, juntamente com outros bispos brasileiros,  nos primeiros dias de Brasília como nova capital da República. Ao lado do presidente Juscelino está Dom Helder Câmara, e, atrás deste, o cardeal Eugênio Sales.

    Em 21 de abril de 1955, Pe. Vicente Matos foi eleito bispo. A edição do jornal “O Povo” de Fortaleza, do dia 26 do mesmo mês,  abaixo da manchete Pio XII nomeia sacerdote cearense, publicava a seguinte notícia:
“Mais um sacerdote cearense acaba de ser distinguido pelo Papa Pio XII. Trata-se do virtuoso Padre Vicente de Paulo Araújo Matos, que, pela nomeação papal, recebeu o título honorífico de bispo titular de Antioquia no Meandro. Irá coadjuvar Dom Francisco de Assis Pires na Diocese de Crato”.
     Como Sucessor dos Apóstolos, Dom Vicente adotou o lema – sugerido por Dom Antônio de Almeida Lustosa –, "Vicenti Dabo Manna" (Ao vencedor darei o maná). Este lema, tirado do livro do Apocalipse, é uma alusão ao prenome do novo bispo (Vicente), “o qual, fortalecido pela Eucaristia e com as bênçãos da Virgem Maria, vivamente deseja vencer, na terra, e chegar ao banquete celeste de que é símbolo o maná”, explicação que consta do brasão episcopal de Dom Vicente.
   Dom Vicente Matos chegou a Crato, como bispo-auxiliar, em 15 de agosto de 1955. Em 22 de janeiro de 1961 foi nomeado terceiro bispo desta diocese, sucedendo a Dom Francisco, já falecido. Em Crato, Dom Vicente permaneceu até 1º de junho de 1992, quando renunciou ao Bispado por motivo de saúde. Foram, portanto, 37 anos de doação, sofrimentos e vitórias de um  fecundo episcopado em terras do Cariri cearense. Quanto injustiças ele sofreu nesse período!
    Mas o que Dom Vicente Matos realizou na Diocese de Crato lembra a obra de um gigante!
    Dentre as suas muitas realizações podemos lembrar: criou dezoito paróquias; ordenou trinta e sete sacerdotes. Deve-se a ele a fundação do Instituto de Ensino Superior do Cariri, mantenedor da Faculdade de Filosofia de Crato e embrião da atual Universidade Regional do Cariri.
     Foram, também,  iniciativas de Dom Vicente a construção do imponente Centro de Expansão Educacional (localizado no bairro Grangeiro) que hoje leva seu nome; a Rádio Educadora do Cariri; a Empresa Gráfica Ltda., que editava o jornal “A Ação”; a criação da Fundação Padre Ibiapina, instituição de amplo alcance social que desenvolve trabalho de Evangelização, Cursos de Treinamento e as Pastorais da Criança, da Educação e da Saúde. A Dom Vicente se deve ainda a criação dos primeiros Sindicatos dos Trabalhadores Rurais no Sul do Ceará; a criação e construção do Ginásio Madre Ana Couto e do Colégio Pequeno Príncipe; a criação da  Escola de Líderes Rurais e da Organização Diocesana de Escolas Profissionais, dentre tantas outras iniciativas e gestos de bondade, superioridade ao meio em que vivia.
    Um grande bispo!
   Tanto que ele continua sendo  (em toda a existência de quase três séculos desta Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara),  o  maior benfeitor do Crato!
 São João Paulo II recebe a visita do Bispo de Crato, Dom Vicente Matos

12 fevereiro 2018

Dom Pedro II – O mais injustiçado dos brasileiros

"República no Brasil é coisa impossível porque será uma verdadeira desgraça. O único sustentáculo do Brasil é a monarquia; se mal com ela, pior sem ela."
(Carta do Marechal Deodoro para um sobrinho, escrita em 13 de setembro de 1889, pouco mais de 2 meses depois, Deodoro ajudaria com o golpe da proclamação)

   Dom  Pedro II foi deposto do Império do Brasil por um golpe militar em 15 de novembro de 1889. É difícil, caro leitor, desmistificar a visão que se tem deste honrado brasileiro, quando somos ensinados desde pequenos com livros e professores tendenciosos; quando percebemos que a república criou todo o mecanismo necessário para se destruir uma imagem positiva da Monarquia Brasileira, para que as pessoas crescessem ignorantes à essa época. Acho que nem os mais otimistas deles esperavam que desse tão certo. Mas deixem-me apresentar-lhes um pouco mais sobre Dom  Pedro II.
   Em seu governo, que durou 49 anos (1840 - 1889), houve grande desenvolvimento cultural e científico no país. Em um período onde era comum o entendimento científico de que existia de fato uma separação racial entre brancos, negros e amarelos, o Imperador sempre demonstrou um profundo ceticismo quanto a tal teoria e nunca se deixou convencer pela tese de diferenciação racial. 
    É fato que Dom Pedro II não possuía escravos que trabalhassem para ele, preferia dar-lhes salários, bem como o fazia a Princesa Isabel. Possuía amigos negros, inclusive seu tutor desde a infância, o afro-brasileiro Rafael, veterano da Guerra da Cisplatina (Rafael viria a falecer em 15 de novembro de 1889, com mais de 80 anos, quando soube que o Imperador seria exilado do Brasil). O engenheiro André Rebouças, também negro, autoexilou-se à época da proclamação da república, em solidariedade.
    Em 1914,  o senador Rui Barbosa – uma das figuras ilustres  que apoiaram  o golpe militar de 15 de novembro  de 1889 – proferiu da tribuna do Senado da República, no Rio de Janeiro, o discurso que viria ser a "mea culpa" pelo mal que que os golpistas causaram ao Brasil. Mal que se arrasta até às gerações atuais, até os dias de hoje. A certa altura, do seu discurso, disse Rui Barbosa:

    "A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação. […] 
    De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. Essa foi a obra da República nos últimos anos. 
    No outro regime [na Monarquia], o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante [Dom Pedro II], de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto, guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade."
Fonte: rcfelipe.blogspot.com

11 fevereiro 2018

Temer visitará Roraima nesta 2ª feira (12), devido ao aumento da entrada de imigrantes venezuelanos que fogem da ditadura de Maduro

    Preocupado com o agravamento da situação em Roraima, por conta do aumento da entrada de venezuelanos no Brasil, com a piora da crise no país e, principalmente, depois da decisão da última semana da Colômbia, de fechar a fronteira com a Venezuela, para impedir a entrada dos vizinhos, o presidente Michel Temer decidiu ir pessoalmente a Boa Vista, para ver a situação in loco e verificar que medidas poderão ser tomadas para ajudar na solução dos problemas criados por esta imigração em massa. Amanhã (12), Temer vai se reunir com a governadora de Roraima, Suely Campos.
    “Não dá para esperar o Carnaval terminar para agir. A situação é dramática. Precisamos entrar com uma forte ação federal para ajudar o Estado e os municípios de Roraima”, disse ao Broadcast/Estado o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, que esteve na quinta-feira da semana passada em Boa Vista, ao lado dos ministros da Defesa, Raul Jungmann, e da Justiça, Torquato Jardim, verificando os problemas.
     “O quadro lá é muito sério”, prosseguiu o ministro, ao informar que a ideia do governo federal é ampliar “ainda mais fortemente” o aparato de apoio ao Estado, com mais ações de saúde, como levar mais suprimento para a população, por exemplo, além do reforço das fronteiras com soldados e Polícias Federal e Rodoviária Federal, para ajudar no ordenamento da entrada dos venezuelanos, já que o estado, sozinho, não tem mais condições de receber tantos imigrantes, atendê-los e abrigá-los.
Fonte: Agência Estado/Istoé

Só alegria é para sempre - Por: Emerson Monteiro

Isso é o que ouço dos pássaros da Serra. De tanto insistir em contar essa revelação, os sabiás chegaram a revelar em profusão a determinação de Deus. Só alegria, e para sempre. De tanto ouvir deles o gorjeio pude interpretar a função do que diziam com tamanha insistência. Alegria é para sempre. O mais das situações outras também serve, mas só durante algum período, até que a verdade tome de conta de tudo, no âmbito da natureza imensa. A gente vaga solta nas sombras por determinado tempo; persiste por vezes nas estradas da procura dos aguerridos soldados da existência; quando certa feita descobre o país da ciência interior, e nele constrói a morada definitiva da sorte.

Andar nas trilhas do Universo ocasionará esse dia, neste momento de rara felicidade, no encontro consigo, longe das agruras das outras histórias largadas nas ilusões. São tantas a folhas caídas no chão das almas que elas fertilizam a safra da paciência. Geram meios de selecionar a nós mesmos e saber das linhas do destino escritas nas mãos dos mistérios. Fruto das escolhas entre os nadas que esvaem e a disposição de continuar, o herói abraça o próprio ser num ato de amor pelas montanhas e nuvens. Ressurgirá das cinzas e das dores feito a melodia perfeita dos pássaros da Serra. Nos traços exatos da criação absoluta, reconhecerá as obras imortais do coração e acalmará em si o som dos céus.



Bom, é bem isso o canto absoluto dos pássaros, a contar desse reino interno das criaturas humanas, no país da plena felicidade, território livre da alegria incontida dentro das normas do tempo. Braços fortes do rio da Eternidade, somos aqui apenas senhores da descoberta de Si. Haverá, pois, instante de total harmonia, ocasião da sagração deles, dos elementos aparentemente soltos no ar. Nessa oportunidade, as portas do Infinito abrir-se-ão qual maravilhosa sinfonia dos gênios e a força irresistível da Paz envolverá a todos os viventes na luz esplêndida de fulgor dos sonhos bons, pura alegria de pássaros felizes.

Crônica da 2ª feira --No Brasil: República, a forma de governo mais cara que existe – por Armando Lopes Rafael

    Quando ocorreu a independência da Noruega, o Parlamento daquele país fez uma votação para escolher a forma de governo da nova nação. A Monarquia foi adotada. Ganhou de goleada:  100 votos pró monarquia, contra 4 votos para a república. O presidente do Parlamento norueguês, Dr. Nansen, justificou a escolha afirmando: "Optamos pela Monarquia por 3 razões básicas: é muita mais barata, concede mais liberdade, além de ter mais autoridade para defender os interesses nacionais".
     Povo alfabetizado e esclarecido é outra coisa!
    Dentre os sofismas que os golpistas republicanos defenderam, para justificar a “proclamação” da República no Brasil, em 1889, diziam eles que a monarquia saía mais cara aos cofres públicos. Mentira. Desde 1841, e por 48 anos longos anos, a dotação da Família Imperial Brasileira sempre foi 67 contos de réis por mês. E veja que o Orçamento Geral do Império do Brasil cresceu dez vezes, naquele período, pois o Brasil tinha progresso. Uma das primeiras medidas do Marechal Deodoro da Fonseca foi aumentar o salário do Presidente da República para 120 contos de réis por mês, quase o dobro do que recebia toda a Família Imperial.
      Igual a “Cantiga da perua” (de pior a pior) a república brasileira deu no que deu.
    Analisemos apenas os desvios e propinas surrupiadas numa única empresa – a Petrobrás –  apuradas pela Operação Lava Jato. Um laudo da Polícia Federal, de 2015, estipulou que o prejuízo que a Petrobras sofreu com a corrupção está na casa dos R$ 42,8 bilhões. Por sua vez, a CPI da Câmara dos Deputados e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras chegaram ao valor de R$ 52 bilhões. Mas cálculos mais recentes falam em mais dinheiro ainda: R$ 88,6 bilhões.
     Isso é pouco ou muito? Façamos uma comparação.
    Quando o Brasil fazia parte de Portugal, Lisboa extraiu centenas de navios carregados de nosso ouro e também prata e diamantes. Entre as décadas de 1690 e 1750, o fluxo de metal e pedras preciosas foi intenso. Os portugueses usaram boa parte disso para pagar dívidas na Europa toda, mas ainda hoje continuam tendo uma das maiores reservas de ouro do planeta. Estão em 13º lugar do ranking global, com 382 toneladas.
    Mas é difícil estimar quanto ouro exatamente foi retirado do Brasil nos séculos 17 e 18. O historiador Pandiá Calógeras (1870-1934) chegou à melhor estimativa disponível. A conta está descrita no livro 1808, do jornalista Laurentino Gomes: “No total, estima-se que entre mil e 3 mil toneladas de ouro foram transportadas do Brasil para a capital do Império. O historiador carioca Pandiá Calógeras calculou em 135 milhões de libras esterlinas o valor desse metal enviado para Portugal entre 1700 e 1801. Em moeda atual, seria o equivalente a 7,5 bilhões de libras esterlinas ou cerca de 30 bilhões de reais”.
    Atualizando-se R$ 30 bilhões em 2007, data da publicação do livro, para valores de 2018, chega-se ao total de R$ 48 bilhões. Ora, só de uma empresa, a Petrobrás, a quadrilha que governou o Brasil durante 13 anos roubou  R$ 88,6 bilhões.
    E ainda tem quem ache que a forma de governo republicana foi um avanço em relação à antiga Monarquia brasileira. Até onde vai a vilania de certas pessoas...

10 fevereiro 2018

Crônica do domingo: Novos horizontes para Crato (por Armando Lopes Rafael)

   Tornou-se comum os comentários dos cratenses, de que, nos últimos anos, nossa cidade não teve uma administração municipal à altura do potencial, grandeza e tradição que possui a Cidade de Frei Carlos. É verdade. Administrações medíocres e equivocadas é o que temos vivido e sofrido.
    No entanto, no diz respeito à iniciativa privada é grande o progresso de Crato. A cidade conta hoje, segundo o último levantamento do IBGE, com cento e trinta e cinco mil habitantes, na posição de 1º de julho de 2017. Constitui-se numa cidade com expressiva importância regional.
    Crato continua sendo o polo de parte considerável do Cariri. Para cá acorrem, diariamente, as populações dos municípios de Farias Brito, Várzea Alegre, Nova Olinda, Santana do Cariri, Altaneira, Potengi, Assaré, Tarrafas, Antonina do Norte, Campos Sales e Salitre. Vêm em busca da boa estrutura que Crato dispõe nos setores de saúde, educação, além da tradicional função de comercialização de produtos rurais, provenientes do desenvolvimento da agricultura no sopé dos vales irrigados da região do Cariri.  Todos os municípios acima citados são considerados satélites que giram em torno do desenvolvimento da cidade de Crato.
      Acrescente-se a tudo isso o caos ora vivido no trânsito de veículos no centro da cidade de Juazeiro do Norte (e também na rodovia que dá acesso de Crato àquela cidade) e que   vem afugentando as pessoas, dos municípios citados,  a procurarem Juazeiro para tratar de assuntos de vários interesses, aí incluídas viagens para tratamento de saúde.
        Considere-se, ademais, que apesar da ausência de obras públicas por parte da Prefeitura, o Governo do Ceará vem dotando a Princesa do Cariri de importantes melhoramentos, a exemplo dos dois conjuntos habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida, ambos localizados no bairro Nossa Senhora de Fátima (antigo Barro Branco); a construção do acesso à estátua da Virgem de Fátima e a réplica da Capelinha das Aparições; construção do Camelódromo; da Avenida Brigadeiro José Macedo e urbanização daquele entorno; do asfaltamento e urbanização do bairro do Seminário; construção da Areninha no antigo Campo do Sport Clube de Crato; reconstrução da estrada Crato-Nova Olinda, agora em concreto, evitando o desgaste anual que sempre ocorria, naquela rodovia,  com o “asfalto-sonrisal”,lá implantado.
Nascido em Crato, o Governador Camilo Santana também construiu aqui a Vila da Música (no bairro Belmonte), fez o novo asfaltamento da estrada Crato-Distrito de Santa Fé; está construindo o novo trevo de acesso à entrada da cidade, no bairro Batateira; está adquirindo o prédio onde funcionou o SESI para ali instalar uma faculdade da URCA, dentre outras várias obras em andamento. Até a operação “tapa-buraco”, feita em julho passado – `às vésperas da ExpoCrato – foi feita por Camilo Santana. Já estão dizendo que o atual governador, depois de Dom Vicente Matos, é o segundo maior benfeitor da Crato!
          Nossa cidade, apesar dos pesares, não está parada. A cidade se espalha das Guaribas ao bairro São José, este na fronteira com Juazeiro. O espaço citadino de Crato cobre hoje desde Bairro Nossa Senhora de Fátima (antigo Barro Branco) ao Coqueiro; passa pela Vila Lobo, Vila São Bento, até o início da estrada que demanda ao distrito de  Ponta da Serra. Seu progresso e desenvolvimento continuam.Temos motivos para comemorar...


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